Enterramos o Gilberto ontem em São Roque. 63 anos de idade. Apenas dois anos mais velho que eu. Esta semana também morreu o Maçã lá em Caconde. Médico, alguns anos (não sei quantos) mais novo que eu. Duas pessoas totalmente diferentes. O Gilberto baixinho e magrinho. O Maçã também não era muito alto, mas era gordo e abusava de comida e bebida.

Isso me fez refletir sobre o assunto, e no velório ontem decidi redigir um script para o meu velório. Assim, a família não tem que decidir grande coisa.

Felizmente, não tenho ido a muitos velórios ultimamente. Ou tenho poucos amigos, ou meus amigos estão se agüentando. Mas, nos velórios que visito sinto sempre a falta de alguma coisa.

Acho que é a influência do cinema. Nos filmes, há sempre música durante as cenas de velório, que visam intensificar a dramaticidade da situação. E devido à influência irlandesa na sociedade americana, os velórios sempre incluem comes e bebes. Fora aquelas cenas lindas no cemitério, com gaiteiros (quando enterram policiais) ou com a família sentada diante do esquife à espera do enterro.

Curioso é que nos filmes americanos as pessoas abandonam a cena antes que o caixão desça à cova, deixando o falecido sozinho com os coveiros.

Recomendações iniciais:

  1. Os restos mortais devem ser cremados. Poderá ser em Vila Alpina, ou em Guarulhos, onde eles transmitem o velório pela Internet. Dessa forma, quem não puder comparecer, poderá assistir ao velório, assinar o livro de presença eletrônico. (Vai perder o vinho e os salgadinhos, mas enfim…)
  2. O esquife a ser adquirido deve ser o mais barato possível. Aqueles de pinho aparente e não deve conter flores (coisa de boiola…) nem rendinhas. Só o defunto esticadão, de balandrau, envergando seus paramentos de mestre maçom (que devem ser retirados antes do fechamento da urna e devolvidos à loja, juntamente com todos os livros e materiais maçônicos.
  3. Fica terminantemente proibida a entrada de padres, pastores, rabinos, pais de santo, mullahs, gurus, freiras  ou qualquer outro indivíduo que possa apresentar o risco de resolver convocar os presentes para uma oração (exceção feita ao meu querido primo e ovelha negra da família, Monsenhor Picido que se quiser comparecer ao velório, terá sua entrada franqueada após revista cuidadosa para ver se não traz consigo algum perigoso instrumento, do tipo estola ou um daqueles aspersores de água benta). Em todo caso, nada de rezas…
  4. Proibida a presença de símbolos religiosos, particularmente aquela exibição de crueldade romana usualmente exposta nos covis da santa madre.
  5. Velas ou incenso perfumado poderão ser utilizados.
  6. Quem se sentir tentado a dançar, pode ficar à vontade. Discursos, por outro lado, não são bem-recebidos pelos convidados.
  7. Uma lembrancinha do velório também deverá ser distribuída.  Talvez um chaveiro com uma inscrição “Estive no velório do Filardo” e a data do evento. Ou, quem sabe, uma caneca de chope com a mesma inscrição.

BUFFET:

Durante o velório, devem ser servidos:

Bebidas:

Uma cachacinha especial (a pedido do Irmão Onias), cerveja para o Pinho, Bourbon, champagne demi-sec, vinho tinto Carmenére, coca-cola zero e água de côco. Se possível em taças e copos de vidro. Descartável é coisa de pobre e é anti-ecológico.

Salgadinhos:OS

Coxinhas, bolinhas de queijo,croquetes,kibes, enrolados de salsicha, esfihas, pãezinhos de calabresa, bauruzinhos,risoles de queijo e presunto, risoles de milho, risoles de presunto e catupiry

Doces:

Brigadeiros, beijinhos, cajuzinhos…

Café com biscoitinhos, principalmente nas horas mortas da noite.


TRILHA SONORA

Vou preparar alguns CDs para o evento.

(Caso o Otavio da Graça ou a Isabel resolvam tocar alguma coisa, isto será permitido e até bem recebido).

Se o custo não for proibitivo, pode-se contratar um quarteto de cordas para o velório.

A saída do esquife do velório deverá ser feita lentamente ao som de: Lacrimosa de Mozart

e o esquife deve ser inserido no forno ao som de Also Sprach Zaratustra (2001)

ou de “Oh Danny Boy”

DESTINAÇÃO DAS CINZAS:

As cinzas deverão ser divididas em quatro partes iguais.

A primeira deve ser enviada para o jazigo da família em Caconde. A segunda deve ser inumada no jazigo da família em São Paulo.

A terceira poderá ser conservada em uma urna sobre o piano. Se isso parecer muito mórbido, elas devem ser espalhadas às colheradas pelo jardim e os vasos da casa (assim servirão de adubo para o jardim).

A quarta será guardada em um cofre forte em Brasilia, sob a guarda do Ir. Chaves.

Bem, isto é o que me ocorre no momento. Acrescentarei novas instruções, caso surjam.

Anúncios