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Obituário de James Joyce (+ Jan. 13, 1941)

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 Tradução José Filardo

Publicado em 14 de janeiro de 1941 pelo The Guardian

Máscara fúnebre de James Joyce

Com a morte de James Joyce falece a figura estranha e mais original que a Irlanda deu à Europa nesta geração.

A proibição imposta por anos ao seu “Ulysses” deu notoriedade ao seu nome sem revelar sua verdadeira estatura e força. Que ele era um artista genuíno, sincero, integrado e profundo fica claro da simplicidade de seus primeiros contos “Dubliners” e da narrativa autobiográfica bem definida de “Retrato do Artista.”

Em “Ulysses”, ele tentou a difícil tarefa de apresentar um quadro completo da vida do indivíduo em nosso tempo, tanto consciente quanto subconsciente, o simples, pecador, tateante homem com o universo implacavelmente duro em torno dele.

Em “Finnegans Wake” ele foi mais longe, e em uma língua estranha inventiva ele pareceu romper as barreiras do tempo, embora tão complexo é o meio que sem comentários poucos podem seguir o significado.

Em sua formação estavam as antigas tradições de Dublin e da Igreja Católica Romana. Ele rompeu com ambos, até onde um homem pode jamais romper com um passado tão profundamente aterrado, e retratou o caos de um mundo desorganizado. “Ulysses” foi procurado por alguns leitores devido às suas páginas conterem palavras que eram raramente encontradas impressas. Se isso fosse a única conquista de Joyce, haveria muitos de seus compatriotas de pretensões intelectuais mais humildes que poderiam superá-lo.

Sua originalidade residia em sua descoberta de uma forma literária para expressar a complexidade inconsequente da mente humana e a semelhança fraca que as suas migrações tinham para a ordem das frases gramaticais ou as aparências de tempo e espaço.

Ele aniquilou o comum e o normal, e revelou um mundo de selva as reações mentais e emocionais que podem surgir para os homens em um único dia. Por esse caminho viajou seu gênio até onde é possível ir. Se outros não tivessem se esforçado pela tradição ou lutado por uma ilusão, pelo menos de ordem, o niilismo de Joyce teria sido impossível, pois os seus termos de referência teriam desaparecido. A Europa o apreciou e ainda assim ele estava finalmente trancado para fora da Europa, assim como da Irlanda, em algum templo secreto de sua própria mente, tão afastado da grande passagem de eventos quanto seus próprios compatriotas estão hoje.

O estrangeiro pode sentir a cidade a partir dele, mas “Ulysses” deve ser o primeiro um livro para Dublinenses, onde as graças e as desgraças de suas pequenas vidas, delimitadas pelas Colinas de Howth, o Dargle e as Estradas Circulares, têm magnitude capital.

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REGISTROS DE IMIGRAÇÃO DE CACONDE

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Durante o Estado Novo – o nome que era atribuído à ditadura de Getúlio Vargas, foi publicado o Decreto-Lei no. 406, em 4 de maio de 1938,  que continha pérolas como:

Art. 1. Não será permitida a entrada de estrangeiros de um ou outro sexo:

II – indigentes, vagabundos, ciganos e congêneres;
….
Ou ainda:
Art. 2º O Governo Federal reserva-se o direito de limitar ou suspender, por motivos econômicos ou sociais, a entrada de indivíduos de determinadas raças ou origens, ouvido o Conselho de Imigração e Colonização.
Tal decreto-lei determinava, em seu artigo 28, a obrigatoriedade de registro do estrangeiro dentro de trinta dias junto à autoridade policial do lugar de destino.

Esse decreto lei foi substituído pelo Decreto 3010 de 20 de agosto de 1938 e o registro dos estrangeiros passou a ser regido pelo

“Art. 149. Os estrangeiros atualmente residentes em localidades no interior do país, onde não seja criado o Serviço de Registro de Estrangeiros, farão o seu registro na polícia local.
§ 1º, Esse registro será feito mediante declaração do interessado e constará da inscrição do nome, nacionalidade, profissão, estado civil, idade, residência; fazendo-se referência ao nome da esposa e dos filhos, bem como às respectivas nacionalidade e idade, quando for o caso.
§ 2º A autoridade policial fornecerá, “ex-officio”, no ato do registro, uma certidão que constituirá prova de sua permanência legal no país.
§ 3º Sempre que possivel, as autoridades policiais deverão ter livros próprios para esse registro, de acordo com o modelo n. 21.
§ 4º Decorrido um ano da data da publicação deste regulamento, o registro nas delegacias de Polícia só poderá ser efetuado mediante apresentação do certificado de inscrição, expedido pelo Serviço de Registro, ou certificado de identidade (modelo n. 19) devidamente anotada por Serviço.”

Assim é que um ano depois de sua promulgação, e diante do agravamento da situação mundial, as autoridades iniciaram o cadastramento de todos os estrangeiros em suas comarcas.
Com isso, todos os imigrantes foram convocados a preencher uma ficha na delegacia de polícia como esta:

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e as fichas foram arquivadas nessa pasta:

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Essa pasta foi encontrada no lixo da Delegacia de Polícia, em um exemplo típico do cuidado com que a memória da cidade foi e é tratada.

A grande importância desse registro está em proporcionar às famílias informações sobre a origem de suas famílias, principalmente em um contexto de requerimento de reconhecimento de cidadania italiana. Para a condução desse processo, é essencial que se obtenham as certidões de nascimento, casamento, óbito da linha de parentesco com o “antenato”, documento essenciais para o referido requerimento. O registro proporciona dados importantes, tais como data de nascimento, filiação, comuna e país de origem.

A pasta encontra-se atualmente em poder do Colégio Scala, nas mãos de D. Regina Orrico, onde podem ser obtidas cópias dos documentos pelos interessados.

Seguem os dados em ordem alfabética, contendo os dados de comuna e país, bem como a página em que se encontram no arquivo.

SOBRENOME NOME NATURAL DE PAIS pagina
ABRAHÃO TAMI ROMS (PROV. DE BEIRUTE) SIRIA 126
ABREU MANOEL MARMELEIRA PORTUGAL 44
ALVARES MATHILDE CADIA (PROV. GRANADA) ESPANHA 12
ALVAREZ SOBRINHO PRIMO LA GUARDIA (PROV. PONTEBEDRA) ESPANHA 113
ALVES ARMINDO PAREDE DE ADOLFO (VILLA REAL) PORTUGAL 145
ALVES AGOSTINHO PAREDES DE ADOLFO (PROV. VILA REAL) PORTUGAL 177
ALVES ALBERTINO PAREDES DE ADOLFO (Prov. VILA REAL) PORTUGAL 178
ALVES ANTONIO JOAQUIM PAREDE DE ADOLFO – PROV. VILA REAL PORTUGAL 199
ALVES PIMENTEL DOMICILIA TAMENGOS – PROV LISBOA PORTUGAL 72
ALVES PIMENTEL GRACINDA TAMENGOS (PROV. LISBOA) PORTUGAL 73
AMATTO ROSA ALBINA MONTEMURRO (PROV POTENZA) ITALIA 127
AMO MIGUEL CORDOBA ESPANHA 156
ANGERAMI ANTONIO MONTEMURRO  (PROV. POTENZA) ITALIA 207
ANTONINI LAUDICE VALECHIA (PROV MASSA CARRARA) ITALIA 114
ARNAL LUIZ SINGRA (PROV. DE MURCIA) ESPANHA 128
AURILIETTE AGOSTINHO CASTREZZATTO (PROV. BRECCIA) ITALIA 52
BADOLATO CONCCETA MACCIDEANRI (PROV CATANZARO) ITALIA 96
BADOLATO SAVERIO ESTALETTI (PROV. CATANZARO) ITALIA 166
BADOLATO PAULO MARCHE DENARI (PROV.CATANZARO) ITALIA 171
BALDONI ELIZA ALBACINA (PROV. ANCONA) ITALIA 175
BARBONI PRIMO COPPARO (FERRARA) ITALIA 200
BARRANQUEIRO JOÃO CUSTÓDIO ALGARVE PORTUGAL 124
BASILE ANTONIO ALBANIA (PROV. CALABRIA) ITALIA 16
BENEDICTO LUIZ URSAGO (PROV. TREVISO) ITALIA 35
BERTELLI ALEXANDRE SANTO FEMIA (PROV. PADOVA) ITALIA 118
BERTHOLINI ANDRE BRUNIERA (PROV UDINE) ITALIA 13
BERTHOLINI HENRIQUE BRUNIERA (UDINE) ITALIA 15
BERTHOLINI ELIAS UDINE ITALIA 38
BIANCHINI FRANCISCO LUCCA ITALIA 173
BIONDI Francisco Regio Emilia Italia 41
BIONDI ELIDE CORREGGIO – PROV. REGIO EMILIA ITALIA 65
BIONDI ADOLFINA ALTIMANI CORREGIO ITALIA 221
BOLDRIN LIBERALE SANTA MARIA (TREVISO) ITALIA 202
BOMEDIANO NOGUEIRA ANTONIO JOSÉ FRIGILIANA (PRO. MALAGA) ESPANHA 17
BOULOS ASSAD KEFOUR ARABA SIRIA 34
BRITES MARIA MAIORGA PORTUGAL 141
BROCKELMANN JOÃO HERZEBROCK ALEMANHA 169
BRUNI ANTONIO SALVADOR DASÀ – PROV CATANZARO ITALIA 43
BRUNI VICENTE DASÀ (PROV. CATANZARO ITALIA 211
BUSIQUIO MIGUEL SAN CONSANTINO DE BASILICATA ITALIA 11
BUZICCIO ANTONIO SAN CONSTANTIO DE BASILICATA ITALIA 10
CALÇONI FRANCISCO ANTONIO PITOZZI  (CALABRIA) ITALIA 95
CALEGARI ANA BAVARIA (PROV. TREVISO) ITALIA 117
CAMPIOTO RAYMUNDO JAVARA (PROV TREVISO) ITALIA 85
CAMPIOTO PASCHOALINA NAPOLI ITALIA 86
CARANTI ANA VILA NOVA (PROV. FERRARA) ITALIA 75
CARDONI ASSUNTA GILIANO DE ROMA (PROV ROMA) ITALIA 69
CARMILLA CLORINDA NIZZA (PROV ALLESSANDRIA) ITALIA 66
CASSUCCI DOMINGAS RITZZO – PROV CORTONI ITALIA 163
CEFALI JOSE CORTALE (PROV CATANZARO) ITALIA 70
CEPOLINI DARIO ISOLA SANTA (PROV LUCCA) ITALIA 45
CEPOLINI PEDRO GALFANINI (PROV LUCCA) ITALIA 64
CERVELIN ANGELA BRUNIERA (PROV UDINE) ITALIA 14
CIPOLINI POLI PAULINA CAREGGINE (PROV. LUCCA) ITALIA 188
CIPOLLINI JOSÉ ISOLA SANTA (PROV. LUCCA) ITALIA 148
CIPOLLINI CLEMENTINA LEVILIANI (PROV. LUCCA) ITALIA 174
CIPOLLINI ANGELO ISOLA SANTA (PROV LUCCA) ITALIA 180
CIPOLLINI ARMINDA ISOLA SANTA (PROV LUCCA) ITALIA 181
CLEMENT GERMANO JOSÉ CARLOS RODENKIRCHEN ALEMANHA 62
COCA DE LOS RIOS ANTONIO TORBISCON (PROV. GRANADA) ESPANHA 189
COCCA LEONARDO URSARA (PROV. ARIANO) ITALIA 186
CONDÉ MARIA ROSA DASÀ (PROV CATANZARO) ITALIA 60
CONDOLATO ERNESTO PADOVA ITALIA 204
CONSENTINI DOMINGOS DASÀ – PROV CATANZARO ITALIA 59
CONSENTINI NICOLA DASÀ (PROV CATANZARO) ITALIA 152
CONSENTINI DOMINGOS AMADEU DASÀ (CATANZARO) ITALIA 185
CONSENTINI PEDRO ANTONIO DASÀ – CATANZARO (vv) ITALIA 219
CONTI IZALPINA CALERMO = PROV REGIO EMILIA ITALIA 102
CONTI JOSE CALERNO – PROV. REGIO EMILIA ITALIA 103
CORPA ANTONIO DOMINGOS PERIANA (PROV. MALAGA) ESPANHA 54
COSTA DOMINGAS VESTAGNA (PRO. VICENZA) ITALIA 56
DALLARMI JOÃO CRESPAN – PROV TREVISO ITALIA 93
DALLEVEDOVE BAPTISTA PAIS DE PERI (PROV. VERONA) ITALIA 131
DAVID JOÃO SERVA – PROV TREVISO ITALIA 122
DE SORDI PEDRO ACAIDE (PROV TREVISO) ITALIA 25
DELLA COLLETTA BORTOLO CAPELLA MAGIORE ITALIA 21
DELLA TORRE JOÃO FONTANELLE ITALIA 4
DELLA TORRE FRANCISCO ODERSO (PROV TREVISO) ITALIA 55
DENIA FERREIRA ROSARIA SINGRA – PROV DE MURCIA ESPANHA 129
DI MASE MAZZILLI CONCETTINA MONTEMURRO (PROV POTENZA) ITALIA 58
DIAS JULIANA FERNANDES CUACOS – PROV CACERES ESPANHA 215
ECKMAN HENRIQUE AFFONSO MARIA AMSTERDAM HOLANDA 1
ENCARNAÇÃO VITORIA DA ESTREITO DA CAMARA DE LOBOS PORTUGAL 206
ESPIGAROLLI AMABILE ESPINEA – PROV TREVISO ITALIA 100
FACCI ANTONIO LATINA ITALIA 223
Facci Rizzieri Latina Italia 224
FACCINI MARIA CAMPO SAN PIETRO (PROV. PADOVA) ITALIA 94
FACONI JOSE BRECCIA ITALIA 19
FANUELE DONATA SINISGALI MONTEMURRO (PROV POTENZA) ITALIA 222
FANUELLE MAURICIO MONTEMURRO (PROV. POTENZA) ITALIA 190
FATTORE TEHEREZA PADOVA ITALIA 88
FERES SIMÃO ISSAC FUL ARIBA SIRIA 182
FERFOGLIA ANTONIO TRIESTE ITALIA 79
FERNANDES FRANCISCO VILA REAL (PROV. TRAS OS MONTES) PORTUGAL 184
FERNANDES CAROLINA AUGUSTA PAREDES DE ADOLFO (VILA REAL) PORTUGAL 210
FERNANDES GUILHEN AGOSTINHA CUBILE (PROV. GRANADA) ESPANHA 18
FERNANDES GUILHEN CANDIDA CUBILE (PROV GRANADA) ESPANHA 80
FILARDO JOSE DASÀ ITALIA 7
FILARDO NICOLA DASÀ (PROV CATANZARO) ITALIA 104
FORNARI MIGUEL STAZZANA (PROV. LUCCA) ITALIA 160
FRAZÃO MARIA SANTO FEMIA (PRO. PADOVA) ITALIA 119
FURLANIS EMILIA VENEZA ITALIA 157
GALLO GIACOMO PEDRO TREVISO ITALIA 83
GARCIA MARIA DO AMPARO LARGATEIRA (PROV. TOLEDO) ESPANHA 138
GARCIA ARTUR TORRALBO GUACOS – PROV CACERES ESPANHA 213
GARUTTI ANGELO SOLIEIRA – MODENA ITALIA 209
GOMES MIGUEL MAIORGA PORTUGAL 196
GRAMLICH NATALIA KOSSIN (PROV. LÖTZ) ALEMANHA 78
GUERREIRO MARTINS JOÃO PIAS (DISTRITO ALENTEJO) PORTUGAL 47
GUERREIRO MARTINS ANTONIO ALENTEJO PORTUGAL 106
HERREIRO VALEJO MIGUEL RETE (PROV. GRANADA) ESPANHA 37
HERRERO VALEJO FRANCISCO RETE (PROV. GRANADA) ESPANHA 27
IACOPETTA MARIA ELIZABETTA FABRIZIA (PROV CATANZARO) ITALIA 105
IELO RAFAEL SANTA CRISTINA DE ASPROMONTE ITALIA 192
IMPERATRIZ EDITH PENAS JUNTAS (PROVINCIA TRASOSMONTES) PORTUGAL 76
IOTTI ERNESTINA MANTUA (PROV. REGIO EMILIA) ITALIA 167
LIUZZI ANGELINA MONTEMURRO (PROV. POTENZA) ITALIA 132
LONGUIGNO JOÃO POLIZELA (PROV. ROVIGO) ITALIA 46
LUIZ ANTONINI FERRARA ITALIA 39
MAGUIN AMALIA PADOVA ITALIA 89
MALVASIO MARIANA DASÀ (PROV CATANZARO) ITALIA 153
MANTOVANI LUIZ ZIMELA – (VALONA) ITALIA 201
MANZO MIGUEL AVELINO ITALIA 28
MARIA BRIZIDA ALENTEJO PORTUGAL 107
MARINGOLI CLEMENTE PALUDI, PROV COSENZA ITALIA 9
MARINGOLI JOSÉ PALUDI (PROV. COSENZA) ITALIA 172
MARQUES GARCIA ARMINDA FIEIS DA TELHA (BEIRA ALTA) PORTUGAL 120
MARQUES LEAL MANOEL FIEIS DA TELHA (PROV BEIRA ALTA) PORTUGAL 115
MARQUES LEAL ANTONIO OLIVEIRA DO CONDE PORTUGAL 116
MARRICCHI PEDRO CASTEL VISCARDO (PROV. PERUGIA) ITALIA 2
MARTINS MANOEL LOURENÇO GONDAREM – (VIANA DO CASTELO) PORTUGAL 198
MARTUCCI LUIZ BUENOS AIRES ARGENTINA 140
MAZZILLI JOSÉ MONTEMURRO (PROV. POTENZA) ITALIA 135
MAZZILLI SOBRINHO DOMINGOS MONTEMURRO (PROV POTENZA) ITALIA 216
MENDES JOSE MARIA OLHÃO (PROV. ALGARVE) PORTUGAL 121
MICCIGLIO ANTONIO DOMANICO (PROV. COSENZA) ITALIA 84
MICHETTI LOURENÇO SERAVEZZA (PROV. LUCCA) ITALIA 144
MICHETTI JOSÉ RIBA (PROV. LUCCA) ITALIA 161
MOLINA PINTOR DIOGO ALMERIA ESPANHA 90
MONDIN MARIA JAVARA (PROV TREVISO) ITALIA 23
MONGELLI JOÃO ITALIA 193
MUGNAI HONORATA AREZZO (TOSCANA) ITALIA 112
NERY AMELIA LILIANI (PROV LUCCA) ITALIA 150
NERY ALFREDO LEVILIANI (PRO. LUCCA) ITALIA 170
NESPOLI YOLANDA MOTA DE INVENEE (PROV. TREVISO) ITALIA 137
NIGRO JUVENAL VIGGIANO (PROV POTENZA) ITALIA 30
NOGUEIRA MARIA DOLORES LISBOA PORTUGAL 176
ORRICO THERESINA DOMANICO (PROV. COSENZA) ITALIA 136
ORRICO JOÃO DOMANICO (PROV. COSENZA) ITALIA 197
OTONICAR MARTIN POSTOINA AUSTRIA 33
PADOVANI POMPILIO POLIZELA (PROV ROVIGO) ITALIA 48
PALARIA FRANCISCO CURINGA – (CATANZARO) ITALIA 195
PANACCI LEOLUCA BRIATICO (PROV. CATANZARO) ITALIA 162
PANDOLPHO JOÃO PALERMO ITALIA 26
PAZIM MAIA ANGELINA FIETA (PROV ROVIGO) ITALIA 29
PELEGRINI JOÃO CORTALE – CATANZARO ITALIA 109
PERDESSOLLI ZEFERINA CAMPEGINE – PROV REGIO EMILIA ITALIA 101
PETRUCELLI TEREZA RIVELLO (PROV POTENZA) ITALIA 165
PIGNOTTI ANTONIO ROMA ITALIA 97
PIRES CARLOS MONFORTE (PROV. PIEMONTE) ITALIA 125
PIRES LOURENÇO TORINO ITALIA 133
PLACCO DOMINGOS CIVITA ITALIA 179
POLI ANIBAL ISOLA SANTA (PROV LUCCA) ITALIA 67
POLI ITALO CAMPATIO (PROV. LUCCA) ITALIA 142
POLI SANTE GIOVANNI CAREGGINE (PROV. LUCCA) ITALIA 187
POLI IOLANDA CAREGGINE (PROV LUCCA) ITALIA 0
REINIG PEDRO WEITEN (PROV RENANIA) ALEMANHA 77
RISSO JOSÉ LUSSO – PROV PADOVA ITALIA 208
RIZZO MARIA SALEHEREDA (PROV. TREVISO) ITALIA 130
RODRIGUES MANOEL ESTREITO DA CAMARA DE LOBOS PORTUGAL 205
RODRIGUES GUERRA JOSÉ LERIA (CONSELHO DE ALCOBAÇA) PORTUGAL 149
RODRIGUES GUERRA MANOEL MAIORGA (PROV. DE LEIRIA) PORTUGAL 154
ROSA CONCETTA MARIA DASÀ – CATANZARO ITALIA 218
ROSSETTO ANGELO VENEZIA ITALIA 36
ROSSETTO JOSÉ VENEZIA ITALIA 40
ROSSI NAZARETH ROVIGO ITALIA 61
ROSSI MARIA SATILE (PROV UDINE) ITALIA 82
ROSSI SOFIA FIGAROLLI – ROVIGO ITALIA 110
ROVANI CEZAR BERGANTINO ITALIA 6
ROVANI SEVERINO BERGANTINO (PROV. ROVIGO) ITALIA 24
ROVANI ANGELO BERGANTINO (PRO. ROVIGO) ITALIA 53
RUSSI VERGINIA MANTOVA ITALIA 203
SALAMON THEREZA SENIA (PROV TREVISO) ITALIA 139
SALAS CASTILHO MARIA BUQUITA (PROV GRANADA) ESPANHA 155
SANCHES VALLEJO JOSE MALAGA ESPANHA 3
SANTOS MANOEL SERNELHA – FREGUESIA FIGUEIRA LORVÃO PORTUGAL 220
SARABANDO JOSÉ FRANCISCO LMBOMIÃO – PROV. DE VAGOS PORTUGAL 212
SAVOIA ANGELA SAN BENEDETO (PROV. MANTOVA) ITALIA 63
SCHMEISCKE CARLOS FREDERICO PEITZ ALEMANHA 22
SCREMIM JOÃO CASTALENCO (PROV. TREVISO) ITALIA 151
SEMENSATO ANGELO MIRAN (PROV. VENEZA) ITALIA 32
SEQUALINI ANGELINO MANZANO (PROV UDINE) ITALIA 5
SEQUALINI LUIZ MANZANO (UDINE) ITALIA 183
SEQUALINI MARIA BENEDITA URSAGO – TREVISO ITALIA 217
SERRELLA VICTORIA MONTEMURRO (PROV. POTENZA) ITALIA 51
SINISGALI CARMELA MONTEMURRO (PROV. POTENZA) ITALIA 31
SOARES JOAQUIM REZENDE (PROV. DOURO) PORTUGAL 134
SOUZA CARVALHO PEDRO TAMENGOS – PROV LISBOA PORTUGAL 71
SOUZA CARVALHO ANTONIO ANADIA (PROV.LISBOA) PORTUGAL 74
TARDELLI ALEXANDRE CAPANI DI CAREGINE (PROV. LUCCA) ITALIA 147
TARDELLI HEITOR CASTEL NUOFO DE GALFANHARA ITALIA 168
TEZOLIN ANTONIO TINTO CAVO MAGGIORI (PROV. VENEZIA) ITALIA 81
TONDIN JOSE CENBRA – (TRENTO) ITALIA 191
TONION PASCHOA BIGNAZZO (PROV PADOVA) ITALIA 49
TORTORELLI MARIA CHRISTINA MARSICO VERTERE ITALIA 146
TORTORELLI PEDRO MARSICO VERTERE (POTENZA) ITALIA 194
TRENTIN JOAO BAPTISTA ORMELLE (PROV TREVISO) ITALIA 20
TRENTO ERNESTO VICENZA ITALIA 68
VALI EVA CELI DE FAVILA (PROV LUCCA) ITALIA 143
VENICIANO CLARA FAZELI DI PIAVE – PROV TREVISO ITALIA 98
VETTRO AFONSO DASÀ ITALIA 8
VIEIRA MORENO FRANCISCO MALAGA ESPANHA 108
VILCHER MANOEL MARIA ALMEGIJAR (PROV. GRANADA) ESPANHA 158
VILCHER RAMOS MARIA AMEGIJAR (PRV. GRANADA) ESPANHA 159
VIOLA ANGELO SERAFIM LONGOBOCO – PROV. COSENZA ITALIA 87
VITALI SILVIO FERRARA (PROV. BOLOGNA) ITALIA 111
VOLPI ANGELO LENDINARA (PROV ROVIGO) ITALIA 50
VONO FRANCISCO PALUDI (PROV. COSENZA) ITALIA 164
ZANATTA AMALIA JAVARA – PROV. TREVISO ITALIA 123
ZANI ELIZA JAVARA ITALIA 42
ZOTTI PASCHOA CASTREZATTO (PROV BRECCIA) ITALIA 57

 

Teria Gezuis apoiado o vale-refeição?

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Tradução José Filardo

 AlterNet  / Por  CJ Werleman

A direita está cheia de analfabetos bíblicos: Eles ficaria chocados pelos ensinamentos de Jesus se alguma vez pusessem a mão em uma Bíblia

Bill O’Reilly da Fox News defendeu os cortes de gastos do Partido Republicano para o NAP declarando efetivamente que Jesus não apoiaria o vale-refeição para os pobres, porque a maioria deles é viciada em drogas. Se sua observação insensível é inconsistente com as Escrituras, e ela é, então, a questão torna-se, por que as cabeças falantes da direita se saem bem mesmo proclamando o que Jesus apoiaria ou não?

A resposta é simples: Conservadores não leem a Bíblia.

O Direito transformou com sucesso o judeu liberal de pele morena que dava assistência médica gratuita e era favorável à redistribuição da riqueza, em um conservador de pele branca, anti-impostos, anti-sindical, pelo fato de que um número esmagador de americanos são surpreendentemente analfabetos quando se trata de compreender a Bíblia. Em questões sociais polêmicas, desde o casamento do mesmo sexo ao aborto, passagens bíblicas são invocadas sem qualquer compreensão real do contexto ou do verdadeiro significado. É surpreendente como os cristãos sabem pouco do que ainda é o livro mais popular que jamais surgiu no continente americano.

Mais de 95 por cento dos lares americanos possuem pelo menos um exemplar da Bíblia. Então, quanto os americanos sabem do livro que um terço do país acredita ser literalmente verdade? Aparentemente, muito pouco, de acordo com dados do grupo Barna Research. Pesquisas mostram que 60 por cento não consegue nomear mais do que cinco dos Dez Mandamentos; 12 por cento dos adultos acha que Joana D’Arc era a esposa de Noé, e quase 50 por cento dos alunos do colegial pensam que Sodoma e Gomorra eram casados. Uma pesquisa do Gallup mostra que 50 por cento dos norte-americanos não consegue dar o nome do primeiro livro da Bíblia, enquanto cerca de 82 por cento acredita que “Deus ajuda quem se ajuda” é um versículo bíblico.

Assim, se os americanos recebem nota zero em fundamentos básicos da Bíblia, que esperança eles têm em saber o que Jesus diria sobre os sindicatos, os impostos sobre os mais ricos, assistência médica universal e vale-refeição? Fica fácil espalhar uma mentira quando ninguém sabe o que é a verdade.

A verdade, se os republicanos gostam ou não, não só é que Jesus era um judeu liberal manso e suave, que falava baixinho em parábolas e metáforas, mas que os conservadores foram aqueles que mandaram matá-lo. Os conservadores americanos, no entanto, transformaram Jesus em um guerreiro masculino musculoso, da mesma forma que os nazistas fizeram, como um meio de combater o que eles veem como a modernização da sociedade.

O autor Thom Hartmann escreve: “Um impulso significativo por trás do ataque às mulheres e à modernidade era o sentimento de que as mulheres tinham invadido esferas masculinas tradicionais, como o local de trabalho e faculdades. Além disso, a liderança das mulheres nas igrejas tinha prejudicado o cristianismo através da criação de um clero afeminado e um fraco sentido de si mesmo. Tudo isso foi associado ao liberalismo, feminismo, mulheres e à modernidade “.

É quase absurdo especular qual seriam as posições de Jesus sobre qualquer questão, dado que sabemos tão pouco sobre quem Jesus era. Conhecer o Novo Testamento não é simplesmente uma questão de ler a Bíblia de uma capa à outra, ou memorizar um punhado de versículos. Conhecer a Bíblia exige uma compreensão contextual acadêmica de autoria, história e interpretação.

Por exemplo, quando os Republicanos estavam justificando seus cortes no programa de vale-refeição, eles citavam 2 Tessalonicenses: “Qualquer pessoa não disposta a trabalhar não deve comer”. Uma pesquisa mostrou que mais de 90 por cento de cristãos acreditam que essa citação do Novo Testamento é atribuída a Jesus. Não é. Ela foi retirada de uma carta escrita por Paulo à sua igreja em Tessalônica. Paulo escreveu a essa congregação específica para lembrá-los de que, se eles não ajudassem a construir a igreja em Tessalônica, eles não seriam pagos. E a carta também não passa de uma fraude. Surpresa! Os estudiosos da Bíblia concordam que é uma falsificação escrita por alguém fingindo ser Paulo.

O que muitas vezes vem como uma surpresa para o cristão médio consumidor de vinho e hóstia é que o Novo Testamento não caiu do céu no dia em que se diz ter o fantasma de Jesus ascendido ao céu. O Novo Testamento é uma coleção de escritos, 27 no total, dos quais 12 são creditados à autoria de Paulo, cinco aos Evangelhos (quem quer que escreveu Lucas também escreveu Atos), e o saldo permanece aberto para debate ou seja, autoria desconhecida. O próprio Jesus jamais escreveu uma única palavra do Novo Testamento. Nem um único poema, muito menos um artigo de opinião sobre o por quê de, após reflexão, matar sua filha por uma resposta malcriada, provavelmente, não soa boa paternidade.
O melhor argumento contra um Jesus histórico é o fato de que nenhum de seus discípulos nos deixou um único registro ou documento sobre Jesus ou seus ensinamentos. Então, quem eram os autores dos evangelhos? A resposta curta é que não sabemos. O que sabemos é que não só nenhum deles jamais se encontrou com Jesus, mas também que eles nunca encontraram as pessoas que supostamente encontraram Jesus. Tudo o que temos é um monte de histórias ao redor de fogueiras contadas por pessoas que nasceram gerações depois da suposta crucificação de Jesus. Em outras palavras, vários autores não identificados, cada um com seus próprios motivos teológicos e ideológicos para escrever o que escreveram. Assim, não temos um único testemunho ocular independentemente verificável ​​de Jesus – mas isso não impede os Republicanos de falar em seu nome.

O que sabemos sobre Jesus, pelo menos de acordo com os respectivos evangelhos, é que sentimentos de Jesus ecoavam de perto as políticas sociais e econômicas da esquerda política. As bem-aventuranças do Sermão da Montanha soam como declaração de missão da ACLU: “Bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus”, “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” e “Bem-aventurados os pacificadores”. Jesus também disse:” Não julgueis aquele que não será julgado” e “Vende o que tens e dá-o aos pobres”.

Assim, quando os Republicanos acusam Obama de ser um socialista de pele escura que quer redistribuir a riqueza, eles estão pensando em Jesus. Stephen Colbert brincou: “Jesus estava sempre batendo boca sobre os pobres, mas nunca ele clamou por um corte de impostos para os dois por cento dos romanos mais ricos.”

O analfabetismo bíblico é o que tem permitido que o Partido Republicano se saia bem ao forjar Jesus à sua imagem. É por isso que os políticos da direita podem se safar dizendo que o Senhor ordena que nosso sistema de saúde, prisões, escolas, aposentadoria, transporte, e todo o resto deve ser administrado por empresas com fins lucrativos. Ironicamente, o Jesus republicano era realmente um ateu devotado – Ayn Rand, que chamou a religião cristã de “monstruosa”. Rand defendia o egoísmo em detrimento da caridade, e ela dividia o mundo em realizadores contra usurpadores. Ela também declarou que os seguidores de sua filosofia tinham que escolher entre Jesus e seus ensinamentos. Quando a direita cristã acredita que está canalizando Jesus quando dizem que é imoral para o governo tributar bilionários para ajudar a pagar os cuidados de saúde, a educação e os pobres, eles estão, na verdade, canalizando Ayn ​​Rand. Quando Bill O’Reilly afirma que os pobres são imorais e preguiçosos, isso não é Jesus, é Ayn Rand.

O preço que este país pagou pelo analfabetismo bíblico é medido por quão longe nós nos movemos em direção à utopia de Ayn Rand. Nas últimas três décadas, reduzimos os impostos sobre as grandes empresas e os ricos, destruímos os sindicatos, desregulamentamos os mercados financeiros, corroemos as redes públicas de segurança e comprometemo-nos com uma acordo de livre comércio corporativo globalista atrás do outro. Rand estaria sorrindo para nós do céu em que ela não acreditava.

Com a extrema-direita, a maior parte das decisões do Supremo nomeado por Republicanos decidindo a favor da Citizens United dos irmãos Koch, o fluxo de bilhões de dólares de doadores anônimos para o bloco eleitoral mais confiável do Partido Republicano – a Direita Cristã – a versão anti-governo, biblicamente incompatível, pró-desregulamentação de negócios, anti-saúde-para-todos americano de cristianismo do Tea-party continuará a se perpetuar.

CJ Werleman é o autor de  Crucifying America  e  God Hates You, Hate Him Back . Siga-o no Twitter  @cjwerleman .

Reflexões sobre a Missão da Maçonaria

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Imaginemos que uma bela manhã a Policia Militar decidisse assumir a seguinte posição:

Os soldados deveriam dirigir-se aos seus respectivos quarteis onde passariam a polir suas botas, limpar suas armas, fazer a faxina, exercitar-se, fazer ordem unida, estudar a constituição e as leis penais, preparar trabalhos escritos que seriam lidos diante da tropa reunida no pátio do quartel. Ah, e o rancho. Todos os soldados e oficiais passariam a ter o rancho em conjunto.

Vez por outra, um soldado ou oficial seria homenageado com uma medalha, por exemplo, a melhor faxina das latrinas, ou a melhor manobra de ordem unida do mês. Eventualmente, a população seria convidada para ir ao quartel assistir exercícios de ordem unida.

Ao final do dia, o soldado ou oficial retornaria à sua casa para retornar ao quartel na manhã seguinte e repetir a rotina diariamente, por anos a fio, sem sair às ruas, naturalmente.

Pois é. Isso me parece familiar na vetusta instituição conhecida como Maçonaria. Mais ou menos como acontece nas Forças Armadas em geral. Muito quartel, muito salamaleque, muitas manobras, medalhas e só… Ah! E belas paradas organizadas em Sete de Setembro, garbosos oficiais decorados com dezenas de medalhas brilhantes e coloridas, espadas, continências, marchas hieráticas…

As tropas da Maçonaria, porém,  perderam o gosto pela luta, perderam o gosto pelas ruas, perderam o gosto pela política. Limitam-se a polir seus compassos e esquadros, lustrar os malhetes, fazer seus salamaleques, comer o rancho e voltar para casa.

Perdemos a noção de missão. As forças armadas têm a missão de proteger o país contra o inimigo externo (vez por outra esquecem disso e atacam o próprio povo, mas isso é exceção à regra), já a Polícia Militar tem a missão de fazer a proteção interna da população, preventivamente e fazer cumprir mandados do judiciário.

O treinamento em quarteis, em ambos os casos é a preparação para ter condições de cumprir suas missões.

E a Maçonaria? Qual a missão da Maçonaria?

La Recherche du temps perdu ou para os íntimos, a Horta da Luzia

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Os “veios” devem se lembrar do Pasquim. Era um tabloide publicado na década de 70 e 80 que se opunha ao regime militar e que reunia os intelectuais de esquerda, incluindo jornalistas e humoristas, o que dava um tom sui generis ao jornal. Foi o avô do CQC.

Foi lá que vi a expressão “horta da luzia”. Isso tem relação com uma expressão “você vai ganhar o que a Luzia ganhou atrás da horta”, mas no Pasquim significava uma espécie de exercício proustiano.

Pois é. Durante aquele período de minha existência que chamo de “verdadeira vida”, de 1968 a 1971, meu irmão, Nicola, alugou um apartamento na Rua da Consolação onde eu também acampava. Sim. Acampava porque era um acampamento, não um apartamento. Para se ter uma ideia, meu guarda-roupa era uma cama colocada em 45 graus contra a parede, com os cabides dependurados embaixo dela, no estrado, e cobertores, etc. sobre a parte inclinada. E eu dormia sobre um colchão no chão. Mas, era um lar…

Certa noite, eu e o Nicola, cada um em sua cama, no escuro, começamos a conversar sobre reminiscências da infância e da juventude e o assunto derivou para lembranças de quem morava onde.

Aí começamos pelo Seu Oracildes, à esquerda de nossa casa na Rua Marechal Deodoro, 99. Fisicamente à esquerda, porque o Seu Oracildes era de extrema direita. Em seguida vinha a Dona Coleta Mendes que morava em um apartamento anexo à casa do Donga, casado com a filha dela, Julieta e pais da Sueli.

Na direção norte ficava o seu Cefalini, mais tarde o Alírio e o Claudio Coutinho; depois vinha o açougue do seu Leôncio, pai do Oracildes, e a casa-cartório dele, que era tabelião; daí vinha o salão de cabeleleireira da Tia Nenê, irmã de minha mãe, anexo à casa-sapataria do Pedro Guerci, pais do Angelo e da Graça. Virando à esquerda, descendo a Dr. Pedro de Toledo ficava a casa do Armando Berozzi, com sua horta imaculada. Quando plantava pimentão, diziam que ele podava cada pé com alicate de cutícula. Um brinco. Mais abaixo a casa da Tia Nair, prima de minha mãe, mulher do Tio Otinho. O nome dele Otto Mathes. Meu ídolo. Montou o primeiro radio galena da cidade, sabia tudo sobre eletrônica e era completamente ateu. Abaixo da casa deles estava a casa do Fernando Castro, filho da minha professora do terceiro ano, D. Laura. O Fernando e o Tuca, filho da Tia Nair, um dia fugiram de casa. Lembro-me do fuzuê. Virando a esquina, na Rua Tupinambas, vinha a casa do Pedro Alemão, depois uma casa que não me recordo o nome e em seguida o Quinha Lemes, eletricista. Subindo a Francisco Maia havia a casa do Zé Policici, mais uma que não me lembro e fechava de novo na casa do Donga.

E assim íamos, intercalando lembranças sobre as pessoas, à medida que os nomes surgiam, e montávamos, quadra por quadra os residentes no centro velho da cidade, a partir de nossa casa.

Foi uma noite memorável.

Declaração feita pelo Soldado Bradley Manning, não jurada, em Sessão de Sentença

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Tradução José Filardo

 Por  Alexa O’Brien  em 14 de agosto de 2013 17:11 |  Tweet

Esta é uma rápida transcrição de uma declaração não jurada feita pelo soldado Bradley Manning em 14 de agosto de 2013, no caso de defesa durante a fase de definição de sentença no caso dos Estados Unidos versus Soldado Bradley E. Manning.

Primeiramente, Meritíssimo, Gostaria de começar com um pedido de desculpas. Sinto muito. Lamento que minhas ações tenham ferido pessoas. Lamento que elas tenham prejudicado os Estados Unidos. Na época das minhas decisões, como Vossa Excelência sabe, eu estava lidando com uma série de problemas – problemas que ainda estão em curso e que continuam a me afetar.

Embora tenham causado grande dificuldade em minha vida, estes problemas não são uma desculpa para minhas ações. Eu entendia o que eu estava fazendo e as decisões que tomei. No entanto, eu não considerei verdadeiramente os efeitos mais amplos de minhas ações. Esses efeitos são mais claros para mim agora, tanto através da autorreflexão durante meu confinamento em suas diferentes formas quanto através dos méritos e testemunhos de sentença que eu vi aqui.

Lamento pelas consequências não intencionais de minhas ações. Quando eu tomei aquelas decisões, eu acreditava que eu ia ajudar as pessoas, não feri-las. Os últimos anos têm sido uma experiência de aprendizagem.  Eu olho para trás para minhas decisões e me pergunto: ‘Como eu poderia, um analista júnior, possivelmente acreditar que poderia mudar o mundo para melhor, passando por cima das decisões de pessoas com a devida autoridade?

Em retrospecto, eu deveria ter trabalhado de forma mais agressiva dentro do sistema conforme discutimos durante a Declaração de Providência e tinha opções e eu deveria ter usado aquelas opções. Infelizmente, eu não posso voltar atrás e mudar as coisas.  Só posso ir à frente e eu quero ir adiante. Antes que eu possa fazer isso, entretanto, eu entendo que preciso pagar um preço por minhas decisões e ações.

Depois de pagar esse preço, espero um dia viver da maneira que eu não fui capaz no passado. Eu quero ser uma pessoa melhor – ir para a faculdade – obter um diploma – e ter um relacionamento significativo com a família de minha irmã e a minha família.

Eu quero ser uma influência positiva em suas vidas, assim como minha tia Deborah foi para mim. Eu tenho falhas e problemas com que eu tenho que lidar, mas eu sei que eu posso se e serei uma pessoa melhor. Eu espero que Vossa Excelência possa dar-me a oportunidade de provar – não através de palavras, mas através de conduta – que eu sou uma boa pessoa, e que eu possa voltar a ter um lugar produtivo na sociedade.

Obrigado, Meritíssimo

Caconde no livro “Lo Stato di San Paolo” de Salvatore Pisani

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CACONDE

II Municipio di Caconde, creato con la Legge n. 6 del 5 aprile 1864 e situato a nord della Capitale, ad un’altitudine di 650 metri sul livello del mare.

Esso ha una superficie di 400 Km. e una popola- zione di 21 .721 abitanti.

II territorio si presenta molto montagnoso. II sistema orografico di questo Municipio e molto confuso, perche in esso esistono varie cordigliere, formanti una rete di giogaie che attraversano il territorio in differenti direzioni.

Tra le principali elevazioni, citiamo: l’altipiano di San Matteo, che segna in gran parte i confini con lo StatO’di Minas, l’altipiano del Rio Pardo, gli acrocori di San Domingos e del Barreiro, ai confini di Poqos de Caldas.

Numerosi corsi d’aqua bagnano il territorio. Oltre ai fiumi Bom Jesus, Guaxupe e Soledade che ricevono nel loro corso vari affluenti, il Municipio e solcato dal Rio Pardo, che scorre da nord-est ad ovest. Ostruito da molte cascate, questo fiume, che pur possiede un considerevole volume d’acqua, non si presta alia navigazione.

II clima e ameno e salubre. La temperatura oscilla da un minimo di 2 a un massimo di 35°.

Le ricchezze minerarie del sottosuolo di Caconde sono ben conosciute, ma cio malgrado, l’industria estratti-va che potrebbe avere in questo luogo un vasto campo d’azione, e quasi del tutto trascurata. Lungo i margini dei fiumi e dei torrenti Bom Jesus, S. Matteo, Conceiqao e Bom Successo, s’incontrano prove irrefutabili dell’esisten-za di minerali di oro. Le miniere di ferro di S. Matteo sono ugualmente di considerevole ricchezza, sia per la facilita dell’estrazione e per la ricchezza dei giacimenti, che per l’eccellente qualita del metallo. Abbondano altresi nel Municipio cristalli di rocca, pietra calcarea e argilla.

L’agricoltura si occupa principalmente della coltiva-zione del caffe, del quale esistono nel Municipio circa 7 milioni di piante, che danno una produzione media di 57,35 arrobas per mille piedi. Notevolmente sviluppate sono altresi le colture dei cereali, della canna da zucchero, del tabacco e della mandioca.

L’allevamento del bestiame e nel suo massimo sviluppa in tutti i rami e costituisce un’importante fonte di reddito per gli allevatori.

L’industria e anch’essa in notevole progresso. Conta varie fabbriche di bibite, di dolci, di saponi, di mobili, di carri e carrozze, di tabacchi manipolati, di stoviglie di argilla ecc., oltre a numerose macchine per il “beneficia- mento” del caffe e del riso e a vari stabilimenti per la produzione dello zucchero e dell’acquavite, fra i quali notevole quello di Itahyquara che da una produzione annua considerevole.

II commercio, parallelo nello sviluppo all’agricoltura e alle industrie, vanta numerose case che si occupano di negozi d’ogni genere.

II movimento bancario e svolto dalle locali Case Bancarie Fanuele e Cia., L. Pagano e Cia., e dal locale Banco Popular e Agricola.

L’istruzione primaria conta 1 scuola privata, 14 scuole rurali e un Gruppo Scolastico, con sede nel capoluogo, con un complesso di 4.216 alunni.

La stampa vanta due brillanti settimanali: “Caconde Jornal” e “Sentinella”.

Ecclesiasticamente, Caconde costituisce una Parrocchia, denominata N. S. da Conceiqao, dipendente dalla Diocesi di Ribeirao Preto.

Giudiziariamente, e sede di Comarca e di Distretto di Pace.

La collettivita italiana residente in Caconde si calcola composta di 600 persone; i figli d’italiani si fanno ascend ere a circa 1.300.

I nostri connazionali sono dediti principalmente al- l’agricoltura; ma notevole e anche il numero di coloro che si dedicano al commercio e ai mestieri.

Possiedono 92 proprieta agricole, con una estensione di 2.135 alqueires, per il valore complessivo di 2.481 contos di reis.

Fra i principali agricoltori italiani di nascita e di origine, citiamo: Antonio Mazzilli, Angelo Rovani, Domeni-co Mazzilli Nipote, Giovanni Della Colletta, Giuseppe Nascimbene, Luigi Antonini, Ernesto Tranquillini, Luigi Rimedi.

Fra gl’industriali:             Paolo Badolato, Giovanni Pellegrini e Giuseppe Cefalini con stabilimenti per la produzione dell’acquavite; Michele Mauro e Giuseppe Maringoli con macchine per il “beneficiamento” del riso e del caffe; Severo Tortorelli, Francesco Volpi e Silvio Tardelli con fabbriche di calzature; Clemente Maringoli e Alfonso Celeste con fabbriche di stoviglie di argilla; G. Manzo e Fratelli con segheria.

Fra i commercianti: Giuseppe Mazzilli, Mazzilli e Cia., Primo Barboni, Leoluca Panacci. Nicola Cosentini, Antonio Maringoli, Attilio Guidi, Germano Biondi, Giuseppe Badolato, Annibale Poli, Giovanni Mongelli, Giuseppe Conti, Severo Badolato.

Fra i professionisti: l’avvocato Mariano Borelli; il dentista Domenico Marino; i ragionieri Antonio Maringoli e Antonio Antonini; i medici Domenico Placco e Carmo Mazzilli; i farmacisti Raffaele e Dante Ielo.

E parroco di Caconde il connazionale Padre Giovan-ni Michele De Angelis.

Fra gli artigiani, citiamo: Giuseppe Cosentini, Alvaro Gaietti, Vincenzo Bruni, Angelo Garutti, Ettore e Giovanni Tardelli.

Sede da Societá Italiana de Mutuo Socorso (1935)

Sede da Societá Italiana de Mutuo Socorso (1935)

Gl’italiani di Caconde hanno fondato una Societa di Mutuo Soccorso, la quale, oltre a svolgere fedelmente il programma statutario, contribuisce con la disciplina, con l’esempio, con la fervida operosita e con la costante propaganda patriottica, a mantenere sempre viva la fiaccola dell’italianita fra i connazionali cola residenti.

II R. Consolato Generale di San Paolo ha in Caconde un Corrispondente nella persona del sig. Raffaele Telo.

Caconde, capoluogo del Municipio, conta attual- mente 2.614 abitanti.

La citta e provvista dei servizi di luce elettrica, di acqua potabile e di telefono, ma manca tuttora della rete di fognatura.

Situata a 3 Km. dal Rio Pardo, sopra un altipiano, ha buone piazze e buoni edifici pubblici. Tra questi, notevoli, la Matrice, il Gruppo Scolastico e la Casa Parrocchiale.

Dista dalla Capitale, colla quale e in comunicazione per mezzo della ferrovia Mogyana, fino alia stazione di Itahyquara, 348 Km.