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Saudades da adolescência, o C@#@$&%!!!

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Sou um telespectador masculino típico: zapeio tanto pelos canais da TV a cabo que meu controle remoto precisa ser periodicamente substituído. Assim, eu evito sistematicamente a publicidade nos longos intervalos da programação.

Mas, um dia desses fui pego desprevenido (não consegui achar o controle perdido entre as almofadas do sofá) e assisti a um comercial de automóvel (acho que da VW) onde apareciam dois executivos bem sucedidos (essa devia ser a mensagem, já que possuíam o veículo da marca) onde um deles pergunta ao outro se ele sentia saudades dos “velhos tempos”, desencadeando as lembranças do colega: duro, contando moedas, sofrendo rejeição das “minas”…

Pois é, eu também não sinto nenhuma saudade daqueles anos horrorosos e fico abismado quando vejo as pessoas falando de sua adolescência como se tivesse sido os “bons tempos”. Tá bom, a infância talvez. Mas a adolescência? @#$%&!

Eu devo ser um cara mais complicado do que o normal.

Depois de consultar o Dr. Gugol (famoso psiquiatra vienense que mantém consultório atualmente em Mountain View, Califórnia e clínicas espalhados pelo mundo inteiro incluindo São Paulo e Belzonte) conseguimos diagnosticar meus problemas mentais.

Chegamos à conclusão de que eu tenho uma forma leve de Transtorno de Personalidade Esquizóide (TPE) (CID-10) que é definido como um transtorno de personalidade primariamente caracterizado por falta de interesse em relações sociais, tendência ao isolamento e à introspecção, e frieza emocional, e simultaneamente por uma rica e elaborada atividade imaginária interior.

Até fizemos uma tomografia que revelou a consistência do meu coração: pedra

Analisamos extensamente a minha biografia e chegamos à conclusão de que também tive um retardo de desenvolvimento, visto que minha infância chegou até os dezesseis (16) anos, quando sofri uma queda da qual escapei miraculosamente, trauma este que provocou a eclosão de uma adolescência intensa e problemática. Vejamos por alto o relato dos fatos ocorridos em minha bio.

Meu primeiro grande trauma ocorreu na manhã de domingo, 19 de Dezembro de 1948, às 8:30 da manhã e o local foi a casa de minha Vó, na Pça Sampaio Vidal, 15, centro, Caconde SP, Brazil. Naquela hora eu fui arrancado de um ambiente agradável, aconchegante, relativamente silencioso, aquecido e depois de ser esmagado, apertado, espremido, cai sobre um tecido áspero, com uma tremenda corrente de ar. Só me restou protestar aos gritos…

A partir daí foram alguns anos sem registro até 1955 quando ocorreu novo trauma. Fui retirado de uma vida de liberdade total e obrigado a acordar todos os dias e passar horas em salas fechadas, cheias de crianças barulhentas onde cumpri quatro anos de tormentos. Também não consegui manter muitos registros dessa fase, a não ser uma marcante lembrança do gabinete dentário da escola onde passei momentos desagradáveis.

Essa fase de minha vida até que foi tranquila. Morávamos na Rua Marechal Deodoro, entre a casa do Seu Oracildes e a casa do Seu Cefalini. Tínhamos um quintal, porão, galinheiro, horta e jardim. Para um garoto pequeno e levado, era um paraíso. Eu brincava muito também com o Djalma, um filho excepcional da dona Orazilda, que morava com a avó dona Etelvina em um bungalow onde hoje existe o Mercado Municipal.

Vivíamos em cima dos muros que eram caminhos entre os diferentes quintais – o nosso território expandido: jabuticabas enormes no quintal da Tia Nair, mangas do Tio Pedrinho, pêssegos do Cefalini, várias frutas do quintal do Pedro Alemão, do Seu Leôncio, do Seu Oracildes, a horta imaculada do Armando Berozi (circulávamos e nos apropriávamos das frutas mesmo contra a vontade dos donos…)

Em um desses deslocamentos, vi uma convidativa goiaba pendendo do galho. Calculei mal e poff! Caí de cabeça sobre um tijolo e abri um talho enorme na cabeça. Desconfio até que desde então fiquei mais maluquinho do que já era. O tio Pelô costurou.

De repente, mudamos para a casa de minha vó Chica, provavelmente devido a algum problema financeiro que jamais nos foi revelado. Não que tenha sido ruim, porque o quintal da casa de minha vó era muito mais divertido que o nosso. Passei os anos seguintes na minha versão macaco. A maior parte do tempo estava no alto da mangueira ou, de alguma outra forma, colocando em risco a minha vida no porão do casarão, rolando pela urtiga no “buracão”, uma pirambeira que existe ate hoje e que ficava no fundo da casa de minha vó.

Em 1963, mais ou menos, minha sorte falhou e eu me precipitei do alto de uma uvaieira e só não virei pastel por puro acaso. Mas, a queda me custou a arcada dentária. Meus incisivos foram empurrados para dentro e até hoje deve ter um deles encravado no meu “célebro”. O ano seguinte foi de recuperação e a questão estética não era representativa porque havia uma história conhecida por trás de minha aparência. Eu não era simplesmente um baixinho banguela. Eu era aquele-cara-que-caiu-da-árvore-e-quase-morreu; eu era o filho-do-seu-angelim-filardo; eu era o-neto-da-dona-chica; eu era o-filho-da-dona-elza; eu era o-sobrinho-do-chico-filardi. Enfim, eu tinha um lugar na sociedade, por mais desimportante que fosse.

Então…

Minha mãe tomou uma decisão que, de certa forma, nos salvou, independente das dificuldades enfrentadas em consequência dela.  Decidiu que nos mudaríamos para São Paulo para que os filhos pudessem prosseguir nos estudos, enfim, encontrar oportunidades que jamais teríamos em uma cidade desprovida de tudo. Decidiu que devíamos nos mudar para Mogi das Cruzes, que ficava perto de Sampa e onde havia uma prima, o que era melhor que um lugar onde estivéssemos totalmente sozinhos.

Só que foi uma decisão unilateral, tomada sem preparo psicológico dos diferentes stakeholders. As consequências imediatas foram: a desestruturação do nosso mundinho social. Agora eu era apenas mais um caipira baixinho e banguela em uma cidade grande, cuja única qualidade no seu meio social – que se limitava à turma da classe no colégio – era saber mais inglês que todos os outros. Não tinha amigos, os colegas geralmente trabalhavam e estudavam; a grande maioria deles era “japonêis” com as conhecidas dificuldades de relacionamento com os “gaijins”; não tinha grana para nada;  minha diversão nos fins de semana era pegar o trem suburbano até São Paulo e bater perna – no máximo um cinema – comer “pastéis com grapette” no largo do Paissandu e voltar para Mogi.  Bem, uma vez consegui ver Arena Conta Zumbi – a experiência mais intensa e gratificante dessa época.

Meu pai entrou em depressão, eu mergulhei em uma adolescência turbulenta típica onde eu passava o dia todo vendo TV, com intensa vida sexual solitária. Eu cuidava de meu irmão mais novo, levava-o à escola e à noite ia ao colégio. Era o Instituto de Educação, escola excelente na região, com um nível extremamente mais alto de ensino.  Foi um caos conseguir acompanhar, com a base que tivera  back home. Só me salvava em inglês e português.

Enfim, acho que de todos, minha irmã foi quem se saiu melhor, pois diferente de mim, tem enorme facilidade para fazer amigos e logo tinha a sua patota. Meu irmão mais novo praticamente nem sentiu. Pelo contrário, teve a sorte de se desenvolver em um ambiente mais cosmopolita, mais bem informado.

Nós morávamos em uma casa velha, caindo aos pedaços no centro da cidade e foi um looooooooooongo, looooooongo ano, ao final do qual eu me vi reprovado em física no colégio. De certa forma foi um feito, pois foi só física.

Minha mãe, diante daquele cenário catastrófico, decidiu retornar. Uma nova etapa se iniciou, onde se fizeram sentir as consequências das experiências vividas no ano anterior.  Estávamos todos mudados.

Meu pai arrependeu-se quando seu fluxo de caixa despencou. Em Mogi, trabalhando o mesmo número de horas ele ganhava dez vezes mais. E entrou em depressão, lamentando-se o tempo todo. Queria voltar imediatamente. Minha mãe fez pé-firme dizendo que agora esperaria até que os filhos completassem os ciclos, antes de decidir.

Talvez como consequência do isolamento social de um ano, eu estava absurdamente agressivo e insuportável, ao ponto de ser necessária a intervenção do professor Edgar (a quem eu tinha em altíssima conta) para que se evitasse a minha expulsão do Colégio por indisciplina.

Neste momento crucial, uma pequena providência colocou as coisas nos eixos para mim, pelo menos: minha arcada dentária estava suficientemente solidificada e foi possível intervir. O Dudi instalou uma ponte móvel fechando o “gap” dos incisivos e restabelecendo minha autoestima. Voltei a ser um serumano normal e isso permitiu completar o colegial, namorar, e me preparar para a universidade.

Mais uma vez, sabiamente, minha mãe resolveu retornar à cidade grande. Entrou em concurso e removeu-se. E lá fomos nós de novo pra Mugim… só que dessa vez, deu tudo certo.

Livro fundamental para os leitores de Finnegans Wake de James Joyce

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Escaneei o livro OUR EXAGMINATION ROUND HIS FACTIFICATION FOR INCAMINATION OF WORK IN PROGRESS  que é um tomo compilando trabalhos sobre o livro de James Joyce “Finnegans Wake”,  antes que este fosse terminado, quando era publicado em capítulos na revista Transition.

Este é o livro mais importante a ser lido por interessados nesta obra de Joyce.  Além de escanear, eu estou convertendo em texto editável e pesquisável.  Quem sabe, até me atreva a traduzi-lo, who knows…

Contém os ensaios:

Dante…Bruno, Vico.. Joyce  por Samuel Beckett

The Idea of Time in the Work of James Joyce,  por Marcel Brion

James Joyce’s Work in Progress and Old Norse Poetry  por Frank Budgen

Prolegomena To Work in Progress, por Stuart Gilbert

The Revolution of Language and James Joyce, por Eugene Jolas

I dont know what to call it but its mighty unlike prose, por Victor Llona

Mr. Joyce directs and Irish Word Ballet,  por Robert McAlmon

The Catholic Element in Work in Progress, por Thomas McGreevy

Mr. Joyce Treatment of Plot, por Elliot Paul

Joyce and his Dynamic, por  John Rodker

Before Ulisses – and After por Rober Sage

A Point for American Criticism por Willian Carlos Williams

Writes a Common Reader por G.V.L.Slingsby

A Litter to Mr. James Joyce, por Vladimir Dixon

 

Clique AQUI  para acessar o link onde se pode baixar o PDF se estiver interessado.