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Depressão Carnavalesca

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Sabemos que o Natal é uma época em que a depressão ataca braba. É compreensível. As pessoas solitárias se ressentem da falta de reunião familiar, sentem falta de parentes queridos que desapareceram durante o ano, enfim…

Mas, pô! No carnaval? Quem é que fica deprimido no Carnaval? Resposta: Eu.

Resolvi assim dedicar alguma reflexão ao assunto e indagar sobre os possíveis motivos de tal aberração.

Minha última participação em folias de Momo foi em 1971, que terminou em coma alcóolico na Santa Casa de Caconde. Fomos, eu e o Veloso, passar o Carna em Caconde.

Bad idea, bad idea…

Tomei tudo o que me puseram na frente (meu primo, o finado Joãozinho Orrico estava explorando o bar e enchia copos e copos de uísque e colocava na minha frente), alguém apareceu com lança-perfume e lá fui eu. Pintaram alguns “rebites” e lá se foram. Só não fumei um baseado porque naquele tempo não era tão popular quanto é hoje. Devo ter tomado até gasolina…

O resultado foi que a certa altura eu apaguei e o Veloso tentou me acordar mergulhando minha cabeça na fonte luminosa (assim me contaram…). Baldados os esforços, fui conduzido à Santa Casa, onde uma boa injeção de glicose na veia me trouxe de volta do reino das sombras.

No fim daquele ano, comecei a trabalhar a sério e desde então não mais participei de folias carnavalescas. Uma ocasião, levei a Paula e amigas dela a Caconde no carnaval, mas também não foi uma boa ideia. A responsabilidade de levar filha dos outros, menor de idade, a uma festa onde tradicionalmente há certa liberação de costumes tira a graça de qualquer diversão.

A Edna, com quem escolhi passar os meus dias e noites não gosta de carnaval. Durante anos, fizemos planos (adiados sine die) de ir ao Rio para o desfile e a cada ano desistíamos por um motivo ou outro. Agora, não temos mais disposição.

Depois de deixar a Wagons Lits, em 1986, ai ficou mais complicado. Trabalhar por conta própria tem suas vantagens, mas tem também a grande desvantagem que você não tem mais férias, feriados ou fins de semana. Há sempre um prazo a cumprir, um serviço a entregar.

Talvez minha depressão se deva a isso. A frustração leva à depressão. Preciso conversar com um profissional sobre isso.