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De berço da liberdade a cemitério dos direitos humanos…

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Pouco a pouco, a França vai se tornando um país fascista governado por um grupo de extrema direita que todos os dias mancha a imagem de berço da liberdade, da igualdade e da fraternidade entre os homens.

Mas, dentro da França ainda existe um grupo de homens de bens que se revolta contra as injustiças: os maçons do Grande Oriente de França.

Novos ataques relacionados como a ajuda médica do estado (A.M.E.)

Data da Publicação: 05/11/2010

O Grande Oriente da França chama a atenção para o fato de que o projeto de orçamento para 2011, a Assistência Médica do Estado (EMA) tem sido objeto de novos ataques sob a forma de uma taxa de entrada de 30 euros.

No entanto, este benefício social é destinado aos mais pobres em situação irregular, ou seja, a parcela mais vulnerável da nossa população.

Este projeto não só viola a obrigação moral de fornecer cobertura médica e social mais ampla possível – um acesso ao atendimento igual para todos -, mas contém, além disso, incoerências graves tanto em matéria de saúde pública quanto de economia.

De fato, os homens, mulheres e crianças assim visados encontram-se, de fato, isolados e rejeitados como suspeitos de portarem doenças contagiosas não tratadas e, portanto, de representar um perigo bem real se ela não for levada em conta para toda a população.

O Grande Oriente de França, fiel à sua concepção de uma proteção social que garanta a dignidade de todos, só pode condenar esta ação e convida para os políticos a abandoná-la.

Paris, 05 de novembro de 2010

http://www.godf.org/index.php/actualite/details/liens/position/nom/Prises-de-position/slug/nouvelles-attaques-concernant-l-aide-medicale-d-etat-a-m-e

Manifestação sobre deportação de ciganos

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Sobre o discurso de Grenoble pelo Presidente da República em 30 de julho de 2010

Uma obediência maçônica não é um partido político e não deve se tornar um.

No entanto, o Grande Oriente de França não é uma obediência como as outras, ele associa a uma iniciação maçônica tradicional o envolvimento com a sociedade. Seu percurso republicano o levou a construir a República, seus valores, seus princípios, e é por isso que se envolve no debate público. Nem cortesão, nem partidário, o Grande Oriente de França deve tomar uma posição sobre as principais questões que afetam a república social, secular e democrática.

O discurso proferido em Grenoble pelo Presidente da República em 30 de julho, sem dúvida, merece ser lido na íntegra, mas mesmo assim determinados pontos merecem enérgicos comentários.

Citação:

“Da mesma forma, vamos reavaliar os motivos que levam à perda de nacionalidade francesa. Eu assumo minhas responsabilidades. A nacionalidade francesa deve poder ser retirada de qualquer pessoa de origem estrangeira que deliberadamente tenha atentado contra a vida de um militar ou policial, ou de qualquer outra pessoa investida de autoridade pública. A nacionalidade francesa é um mérito e é preciso se mostrar digno dela. Quando se ataca um agente da lei, não se é mais digno de ser francês. Espero também que a aquisição da nacionalidade francesa por um menor infrator no momento da sua maioridade não seja mais automático. ” (Sarkozy)

Para o Grande Oriente de França, se a aquisição da nacionalidade deve ser objeto de dispositivos mostrando a adesão do interessado à base de valores republicanos, especialmente no que diz respeito ao direito civil e devido respeito aos indivíduos, particularmente mulheres, a perda é um ato grav[issimo que deve ser limitada a fatos excepcionais e que não será, de todo modo, possívl a não ser após uma alteração ao artigo 1 º da Constituição, que estabelece a igualdade de todos cidadãos perante a lei, sem distinção de origem. Qualquer outra interpretação colocará esta proposta fora do campo republicano.

Citação:

“Finalmente, temos de admitir, devo dizer que sofremos as conseqüências de cinquenta anos de imigração insuficientemente regulamentada, o que levou a uma falha na integração. Somos tão orgulhosos de nosso sistema de integração. Talvez seja hora de acordar? Para ver o que ele produziu. Funcionou. Mas não funciona mais. Eu nunca me deixei intimidar pelo pensamento único. Ainda assim, é improvável que os jovens da segunda ou terceira geração se sintam menos franceses  que seus pais ou avós. Todos aqui podem dar seu testemunho. Todos. Todos vocês têm exemplos. Por que não o dizemos? Nós estamos com medo? A mim não é a constatação que assusta, é realidade. Não temos o direito a ser complacentes nesta área .” (Sarkozy)

O Grande Oriente de França, muitas vezes, chamou a atenção sobre o dispositivo de integração em toda a sua complexidade e sua especificidade, e o estudou especialmente durante a conferência de Calais. Mas ele ainda lembra sempre que a imigração é uma oportunidade para a França que deve assumir sua história colonial, assim como os desafios do envelhecimento da população. É, portanto, necessário mais e melhor integração contra a exclusão.

Citação:

“E é com este espírito que eu pedi ao ministro do interior que pusesse um fim aos assentamentos dos campos de Ciganos. Estas são áreas de ilegalidade que não podem ser toleradas na França. Não se trata de estigmatizar o povo Roma, de forma alguma. Temos, desde a lei Besson feito grandes avanços nas áreas colocadas à disposição deles. Quando eu me tornei ministro do Interior, em 2002, menos de 20% das áreas de estacionamento estava planejadas. Eu verifiquei com o ministro. Hoje, mais de 60% dos estacionamento legais estão prevoistos. Os ciganos que vêm para a França para se istalar em locais legais são bem vindos. Mas, como chefe de estado,  posso aceitar que existam 539 assentamentos ilegais em 2010, na França? Quem pode aceitar isso? Eu vi este ou aquele político dizia: “mas por que você se preocupa com isso, o problema não existe”. Ele não se coloca para um político cujo domicílio não é ao lado de um acampamento. Talvez sua opinião fosse diferente se a questão fosse com ele mesmo?”. (Sarkozy)

O Grande Oriente da França não tem qualquer necessidade de recordar a estigmatização de que são vítimas as pessoas desabrigadas e nômades; e constata muitas vezes a situação precária em que eles são jogados. Não há desculpa para os atos de criminalidade, delinquência ou violência de que alguns seriam autores ou responsáveis. Mas uma política determinada de localização, escolarização, e  integração responderá sempre melhor que a exclusão.

O Grande Oriente de França demonstrou já há bastante tempo que não é nem cego, nem frouxo e  que ele, naturalmente apoia as vítimas para que elas sejam defendidas em um estado de direito.

O estigma e a exclusão, a confusão e o amálgama não servem para resolver os problemas que apresentam.

Conforme a Declaração dos Direitos Humanos, apelamos para a construção de uma resposta republicana aos problemas apresentados onde a violência física é o ponto mais insuportável, e que passe por uma educação para a cidadania com seus direitos e seus deveres e escola emancipadora.