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Guerra de palavras

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Tradução José Filardo

 

Por Charles Krauthammer

Jen Psaki, irrepreensível porta-voz do Departamento de Estado explicou que a evacuação não era uma evacuação, mas “uma redução de pessoal“. Isto provou ser um problema, porque o governo iemenita já havia anunciado (e denunciado), a “evacuação” – a palavra que as pessoas normais usam para a ordem em pânico para pessoas embarcar em aviões para fora do país.

Assim, continua a tendência do governo para o jogo de palavras, torcer a linguagem para atender a uma necessidade política. Na célebre formulação de Janet Napolitano, ataques terroristas são agora “desastres causados ​​pelo homem.” E a “guerra global ao terror” não é mais. Agora ela é uma “operação de contingência no exterior “.

Nidal Hasan, orgulhosamente diz a um tribunal militar que ele, um soldado de Alá, matou 13 soldados norte-americanos em nome da jihad. Mas o massacre continua a ser oficialmente classificado não como um ato de terrorismo, mas de ” violência no trabalho“.

O embaixador dos EUA na Líbia e três outros são mortos em um ataque terrorista por filiados à al-Qaeda – e por dia é descartado como nada mais do que uma manifestação espontânea que degringolou. Afinal, Hillary Clinton declarou famosamente, que diferença faz?

Bem, faz uma diferença, em primeiro lugar, porque a verdade é uma virtude. Em segundo lugar, porque se você continua mentindo para o povo americano, ele pode questionar seriamente se qualquer coisa que você diz – por exemplo, sobre a natureza benigna da vigilância da NSA – não é outra mentira servindo aos seus próprios propósitos.

E em terceiro lugar, porque conduzir um país através de outra longa luta ao crepúsculo exige não apenas a honestidade, mas clareza. Este é um presidente que até hoje não conseguiu identificar o inimigo como o islamismo radical. Há pouco,  terça à noite  , explicando o  fechamento da Embaixada americana  em todo o mundo muçulmano, ele citou a ameaça do “extremismo violento”.

A palavra “extremismo” não tem sentido. As pessoas não se dedicam a ser extremistas. O extremismo não tem conteúdo. O extremo do que? Nesta guerra, uma extrema devoção à supremacia de uma visão radicalmente fundamentalista do Islam e de sua busca assassina por domínio sobre todos os outros.

Mas para o presidente Obama, a palavra “islamista” não pode ser pronunciada. A linguagem deve ser elaborada para disfarçar o desconforto.

Resultado? A primeira lexicológica de guerra do mundo. Jabear com truques linguísticos, nomes impróprios e eufemismos cada vez mais transparentes. A seguir: onomatopeias perfurantes e sinédoques anfíbias.

Tudo isto seria cômico e apenas peculiar, se não refletisse uma realidade maior e mais preocupante: A confusão da linguagem é um resultado direto de uma confusão de política – que é servida por ofuscação constante.

Obama não gosta dessa guerra ao terror. Ele particularmente não gosta de sua coloração religiosa lamentável, razão pela qual a palavra “islamista” é banida de seu léxico. Mas, palavras suaves, discursos calmantes em várias capitais muçulmanas, políticas calmantes – “peito aberto”, “respeito mútuo” – não resultaram em nada. A guerra continua. Na verdade, sob o seu turno, ela se espalhou. E, enquanto comandante-em-chefe, ele deve defender a nação.

Ele é obrigado. Mas, ele quer desesperadamente acabar com toda a luta. Este não é um desejo secreto. Em um importante discurso à Universidade de Defesa Nacional apenas três meses atrás, ele declarou “esta guerra, como todas as guerras, tem que acabar.” O grito plangente de um homem esperando que dizer isso fará com que seja assim.

O resultado é a visível ambivalência que leva uma vacilante política a cheirar à incoerência. Obama defende o grande arrastão de dados da NSA por causa da terrível ameaça constante do terrorismo. Mas, ao mesmo tempo, ele pede não apenas que seja alterada, mas, na verdade, revogada a base jurídica para toda a guerra contra o terror, a Autorização de 2001 para o Uso de Força Militar.

Bem, o que é isso? Se a maré da guerra está recuando, por que os programas de espionagem gigantes da NSA? Se al-Qaeda está em fuga, como ele incessantemente assegurou à nação ao longo de 2012, por que a América está covardemente encolhida em 19 embaixadas e consulados fechados? Por Boston foi colocada em um bloqueio completo sem precedentes após os atentados da maratona? E da Somália ao Afeganistão, por que está chovendo morte por drone sobre “extremistas violentos” – cada alvo, surpreendentemente, um jihadista? Que coincidência.

Esta incoerência da política e propósito é a razão pela qual uma evacuação do Iêmen deve ser passada à frente como “uma redução do pessoal.” Porque o ataque terrorista de Benghazi deve ser atribuído a algum infeliz cinegrafista egípcio-americano. Porque o tiroteio em Fort Hood nada mais é que um médico do exército maluco que estourou de raiva.

No fim das contas, não se trata de linguagem. Trata-se de liderança. O jogo de palavras é apenas para encobrir política incerta incorporado em confusão e ambivalência sobre todo o empreendimento.

Isto não é liderar na retaguarda. Isto é simplesmente, não liderar.

 

Publicado originalmente aqui.

 

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