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O Estado Policial Americano

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Por  Chase Madar

 

É Hora de ter Medo na América: O padrão assustador de emprego de poder policial contra Problemas Sociais. Os exageros de policiamento entraram no DNA da política social dos Estados Unidos.

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Crédito da foto: Shutterstock.com

 

Se tudo que você tem é um martelo, tudo começa a se parecer com um prego. E se a polícia e os promotores são a sua única ferramenta, mais cedo ou mais tarde, tudo e todos serão tratados como criminosos. Este é cada vez mais o modo de vida americano, um caminho que envolve “resolver” problemas sociais (e até mesmo alguns não-problemas), jogando policiais contra eles, com resultados geralmente desastrosos. Profusas leis criminais invadem cada vez mais a vida cotidiana, à medida que o poder da polícia é aplicado de formas que seriam impensáveis ​​apenas uma geração atrás.

Até agora, a militarização da polícia avançou a tal ponto que “a guerra contra o crime” e a “Guerra contra as Drogas” não são mais metáforas, mas brandas meias verdades. Existe uma  proliferação de equipes SWAT fortemente armadas, mesmo em pequenas cidades; o uso de táticas de choque e terror para prender bicheiros pés de chinelo; os ataques de surpresa para recuperar quantidades insignificantes de drogas que muitas vezes resultam na morte de cães da família, se não de membros da família; e em comunidades onde programas de tratamento de drogas antes eram fundamentais, trava-se uma versão de drogas de uma guerra de contrainsurgência. (Tudo isso é habilmente relatado no Blog  do jornalista Radley Balko e em seu livro,  The Rise of the Cop Warrior). Mas, o excesso de policiamento americano envolve muito mais do aumento da blindagem amplamente relatada dos distritos policiais. É também a forma como o poder de polícia entrou no DNA da política social, transformando praticamente todas as esferas da vida norte-americana em um caso de polícia.

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Chomsky: As Elites Empresariais Estão Travando Uma Guerra De Classes Brutal Na América

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Traduzido por José Filardo

As classes empresariais estão constantemente travando uma guerra de classes amarga para aumentar seu poder e diminuir a oposição.

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Crédito da foto: AFP

21 de novembro de 2013

Este é um trecho da 2 ª edição de  OCCUPY: Class War, Rebellion and  Solidarity de Noam Chomsky,  editado por Greg Ruggiero e publicado pela  Zuccotti Park Press que acaba de ser lançada.  Chris Steele entrevista Chomsky.

Um artigo que saiu recentemente em  Rolling Stone,  intitulado “Gangster Bankers: Too Big to Jail” (Banqueiros Bandidos: Grandes Demais para serem Presos), de Matt Taibbi, afirma que o governo tem medo de processar banqueiros poderosos, como aqueles que administram o HSBC. Taibbi diz que há “uma classe que pode ser pesa e uma classe que não pode ser presa”.  Qual é a sua visão sobre o estado atual da luta de classes nos EUA?

Bem, há sempre uma luta de classes acontecendo. Os Estados Unidos, em uma medida incomum, é uma sociedade de gestão de negócios, mais do que outras. As classes empresariais são muito conscientes de sua classe e estão lutando constantemente uma guerra de classes ferrenha para aumentar seu poder e diminuir a oposição. Ocasionalmente, isso é reconhecido.

Nós não usamos o termo “classe trabalhadora” aqui, porque é um termo tabu. Você deve dizer “classe média”, porque ajuda a diminuir o entendimento de que há uma luta de classes em andamento.

É verdade que havia uma luta de classes unilateral, e isso porque o outro lado não tinha escolhido participar, por isso a liderança sindical durante anos conduziu uma política de fazer um pacto com as corporações, em que seus trabalhadores, digamos os trabalhadores das montadoras – obtinham certos benefícios, tais como salários razoavelmente decentes, benefícios de saúde e assim por diante. Mas, isso não envolvia a estrutura de classes em geral. Na verdade, esse é um dos motivos pelos quais o Canadá tem um programa nacional de saúde e os Estados Unidos não têm. Os mesmos sindicatos, do outro lado da fronteira estavam reivindicando atendimento de saúde para todos. Aqui eles estavam revindicando atendimento de saúde para si mesmos e eles conseguiram. Naturalmente, é um pacto com as corporações que as corporações podem quebrar a hora que quiserem, e na década de 1970 eles estavam planejando quebrá-lo e vimos o que aconteceu desde então.

Esta é apenas uma parte de uma longa e continuada luta de classes contra os trabalhadores e os pobres. É uma guerra que é conduzido por uma liderança empresarial altamente consciente de sua classe, e é uma das razões da história incomum do movimento operário americano. Nos EUA, o trabalho organizado tem sido repetida e extensivamente esmagado, e sofreu uma história muito violenta, em comparação com outros países.

No final do século 19, havia uma importante organização sindical, os Cavaleiros do Trabalho (Knights of Labor), e também um movimento populista radical baseado em agricultores. É difícil de acreditar, mas ele era baseado no Texas, e era bastante radical. Eles queriam ter seus próprios bancos, suas próprias cooperativas, seu próprio controle sobre as vendas e comércio. Tornou-se um grande movimento que se espalhou pelas principais áreas agrícolas.

A Aliança dos Agricultores (Farmers’ Alliance) tentou articular-se com os Cavaleiros do Trabalho, o que teria sido uma importante organização baseada em classes se eles tivesse conseguido. Mas os Cavaleiros do Trabalho foram esmagados pela violência, e a Aliança dos Agricultores foi desmantelada de outras maneiras. Como resultado, uma das principais forças democráticas populares da história norte-americana foi essencialmente desmantelada. Há uma série de razões para isso, uma das quais era de que a Guerra Civil nunca realmente terminou. Um dos efeitos da Guerra Civil foi que os partidos políticos que surgiram dela eram partidos sectários, de modo que o slogan era: “Você vota onde você atira”, que continua a ser o caso atualmente.

Dê uma olhada nos estados vermelhos (democratas) e estados azuis (republicanos) na última eleição: É a Guerra Civil. Eles mudaram os rótulos do partido, mas além disso, é a mesma coisa: partidos sectários que não estão baseados em classe, porque as divisões ocorrem ao longo de diferentes linhas. Há uma série de razões para isso.

Os enormes benefícios concedidos aos muito ricos, os privilégios para os muito ricos aqui estão muito além das outras sociedades comparáveis, ​​e são parte da luta de classes em andamento. Dê uma olhada nos salários dos diretores de empresas. Os Diretores Executivos não são mais produtivos ou brilhante aqui do que são na Europa, mas o salário, bônus, e um enorme poder que eles têm aqui são a perder de vista. Eles estão, provavelmente, drenando a economia, e eles se tornam ainda mais poderosos quando conseguem ganhar o controle de decisões políticas.

Essa é a razão pela qual temos uma discussão em relação ao déficit e não sobre postos de trabalho, que é o que realmente importa para a população. Mas isso não importa para os bancos, então ao diabo com isso. Ela também ilustra a destruição considerável de todo o sistema de democracia. Portanto, agora, eles classificam as pessoas por nível de renda ou salários mais ou menos parecido: Os mais ou menos 70 por cento de baixo são praticamente marginalizados;  eles não têm quase nenhuma influência na política, e à medida que você sobe na escala você consegue ter mais influência. No topo, você basicamente comanda o espetáculo.

Um bom tema para pesquisa, se possível, seria “por que as pessoas não votam.” O absenteísmo é muito alto, cerca de 50 por cento, mesmo em eleições presidenciais – muito mais alto nas outras. As atitudes das pessoas que não votam são estudadas. Primeiro, a maioria deles se identifica como Democratas. E se você olhar para as suas atitudes, eles são em sua maioria social-democratas. Eles querem empregos, querem benefícios,  querem que o governo se envolva em serviços sociais e assim por diante, mas eles não votam, em parte, eu suponho, devido aos impedimentos à votação. Não é um grande segredo. Os Republicanos tentam realmente dificultar às pessoas votar, porque quanto mais pessoas votam, mais problemas existem para eles. Há outros motivos pelos quais as pessoas não votam. Eu suspeito, mas não sei como provar, que parte da razão para as pessoas não votar é que eles simplesmente sabem que seus votos não fazem qualquer diferença, então por que se esforçar? Assim, você acaba com uma espécie de plutocracia em que a opinião pública não importa muito. Não é diferente de outros países a este respeito, mas é mais extremo. Tudo junto, é mais extremo. Então, sim, há uma luta de classes constante acontecendo.

O caso da mão de obra é crucial, porque ela é a base da organização de qualquer oposição popular à dominação do capital, e por isso ela tem de ser desmontada. Há um imposto sobre o trabalho o tempo todo. Durante os anos 20, o movimento operário foi praticamente destruído pelo Red Scare de Wilson e outras coisas. Na década de 30, ela se reconstituiu e foi a força motriz do New Deal, com a organização do CIO e assim por diante. Até o final dos anos 30, as classes empresariais estavam se organizando para tentar reagir a isso. Eles começaram, mas não puderam fazer muita coisa durante a guerra, porque as coisas estavam em espera, mas logo depois da guerra eles retomaram com a Lei Taft-Hartley e enormes campanhas de propaganda, que tiveram um efeito enorme. Ao longo dos anos, o esforço para enfraquecer os sindicatos e a mão de obra em geral teve sucesso. Até hoje, a sindicalização do setor privado é muito baixa, em parte porque desde Reagan o governo vem dizendo aos empregadores, “Você sabe que pode violar as leis, e nós não vamos fazer nada a respeito disso”. Sob Clinton, o NAFTA ofereceu um método para que os empregadores minassem ilegalmente a organização do trabalho, ameaçando transferir as empresas para o México. Uma série de operações ilegais por parte dos empregadores disparou naquela época. O que resta são os sindicatos do setor privado, e eles estão sob ataque bipartidário.

Eles foram um pouco protegidos porque as leis federais funcionaram para os sindicatos do setor público, mas agora eles estão sob ataque bipartidário. Quando Obama declara um congelamento de salários para os trabalhadores federais, isso representa, na verdade, um imposto sobre os trabalhadores federais. Vem a ser a mesma coisa, e, é claro, isso acontece exatamente no momento em que dizemos que não podemos aumentar os impostos sobre os muito ricos. Pegue o último acordo fiscal em que os Republicanos afirmaram: “Nós já desistimos de aumentos de impostos.” Dê uma olhada no que aconteceu. Aumentar o imposto sobre os salários, que representa um imposto sobre as pessoas que trabalham é muito mais aumento de impostos que o aumentar impostos sobre os super-ricos, mas isso passou tranquilamente porque nós não olhamos para essas coisas.

O mesmo está acontecendo por todo lado. Há grandes esforços sendo feitos para desmantelar a Seguridade Social, as escolas públicas, os correios – qualquer coisa que beneficie a população tem de ser desmontado. Os esforços contra o Serviço Postal dos EUA são particularmente surrealistas. Eu sou velho o suficiente para lembrar da Grande Depressão, um momento em que o país era muito pobre, mas ainda havia entregas postais. Hoje, os correios, a Segurança Social e escolas públicas todos têm que ser desmontados porque eles são vistos como sendo baseados em um princípio que é considerado extremamente perigoso.

Se você se preocupa com as outras pessoas, isso é uma ideia muito perigosa. Se você se preocupa com outras pessoas, você pode tentar se organizar para minar o poder e a autoridade. Isso não vai acontecer se você se preocupa apenas consigo mesmo. Talvez você possa ficar rico, mas você não se importa se as crianças de outras pessoas podem ir à escola, ou se podem comprar comida para comer, ou coisas desse tipo. Nos Estados Unidos, isso se chama “libertário” por alguma razão maluca. Quero dizer, é realmente muito autoritário, mas esta doutrina é extremamente importante para sistemas de poder como forma de atomizar e minar o público.

É por isso que os sindicatos tinham o slogan “solidariedade”, mesmo que eles não o tenham honrado. E isso é o que realmente importa: solidariedade, ajuda mútua, cuidado uns dos outros e assim por diante. E é muito importante para os sistemas de poder minar isso ideologicamente, então enormes esforços são investidos. Mesmo tentar estimular o consumismo é um esforço para miná-lo. Ter uma sociedade de mercado traz consigo  automaticamente um enfraquecimento da solidariedade. Por exemplo, no sistema de mercado que você tem uma escolha: Você pode comprar um Toyota ou pode comprar um Ford, mas você não pode comprar um metrô, porque isso não é oferecido. Sistemas de mercado não oferecem bens comuns, eles oferecem consumo privado. Se você quer um metrô, vai ter que se reunir com outras pessoas e tomar uma decisão coletiva. Caso contrário, simplesmente não é uma opção dentro do sistema de mercado, e à medida que a democracia é cada vez mais posta em causa, cada vez menos é uma opção dentro do sistema público. Todas essas coisas convergem, e todas elas são parte da luta de classes em geral.

Você pode dar algumas dicas sobre como o movimento sindical poderia ser reconstruído nos Estados Unidos?

Bem, isso já foi feito antes. Cada vez em que o trabalho foi atacado – e, como eu disse, na  década de 20 o movimento operário foi praticamente destruído – esforços populares foram capazes de reconstituí-lo. Isso pode acontecer novamente. Não vai ser fácil. Existem barreiras institucionais, barreiras ideológicas, barreiras culturais. Um grande problema é que a classe trabalhadora branca foi praticamente abandonada pelo sistema político. Os Democratas nem sequer tentam organizá-los mais. Os Republicanos afirmam fazê-lo, eles ficam com a maior parte dos votos, mas eles o fazem em questões não-econômicas, em questões não-trabalhistas. Eles muitas vezes tentam mobilizá-los por motivos de questões impregnadas de racismo e sexismo e assim por diante, e aqui as políticas liberais da década de 60 tiveram um efeito prejudicial devido a algumas das maneiras como foram realizadas. Há alguns bons estudos sobre isso. Tome o uso de ônibus para integrar escolas. Em princípio, isso fez algum sentido, se você quiser tentar superar escolas segregadas. Obviamente, não deu certo. As escolas são, provavelmente, mais segregadas agora por todo tipo de razões, mas a forma como isso foi feito originalmente minou a solidariedade de classe.

Por exemplo, em Boston havia um programa para a integração das escolas através do transporte em ônibus, mas a forma como ele funcionava era restrita à zona urbana de Boston, ao centro de Boston. Então, as crianças negras foram enviadas aos bairros irlandeses e vice-versa, mas os subúrbios foram deixados de fora. Os subúrbios são mais ricos, profissionais e assim por diante, assim eles ficavam fora disso. Bem, o que acontece quando você envia crianças negras a um bairro irlandês? O que acontece quando alguns funcionários de telefônica irlandeses que trabalharam toda a vida e finalmente conseguiram dinheiro suficiente para comprar pequenas casas em um bairro onde querem enviar seus filhos à escola local e torcer para o time de futebol local e ter uma comunidade, e assim por diante? De repente, alguns de seus filhos estão sendo enviados para fora, e as crianças negras estão entrando. Como você acha que pelo menos alguns desses caras vão se sentir? Pelo menos alguns acabam sendo racistas. Os subúrbios estão  fora disso, então eles podem cacarejar suas línguas sobre como todos são racistas em outro lugar, e esse tipo de padrão foi transferido para todo o país.

O mesmo se provou válido para os direitos das mulheres. Mas quando você tem uma classe trabalhadora que está sob pressão real, você sabe, as pessoas vão dizer que os direitos estão sendo prejudicados, que os empregos estão sendo minados. Talvez a única coisa a que o trabalhador branco pode se apegar é que ele manda na sua casa? Agora que isso está sendo retirado, e nada está sendo oferecido, ele não é parte do programa de promoção dos direitos femininos. É bom para professores universitários, mas tem um efeito diferente em áreas de classes trabalhadoras. E não tem que ser assim. Depende de como é feito, e foi feito de uma forma que simplesmente minou a solidariedade natural. Há uma série de fatores que influenciam, mas por este ponto vai ser muito difícil organizar a classe trabalhadora, em bases que deveria realmente lhes dizer respeito: a solidariedade comum, o bem comum.

De certa forma, não deve ser muito difícil, porque essas atitudes são realmente valorizadas pela maioria da população. Se você olhar para os membros do Tea Party, do tipo que diz: “Tirem o governo do meu pé; eu quero um governo pequeno” e assim por diante, quando as suas atitudes são estudados, verifica-se que eles são em sua maioria sociais-democratas. Você sabe, afinal as pessoas são seres humanos. Então, sim, você quer mais dinheiro para a saúde, para ajuda, para as pessoas que precisam dele e assim por diante e assim por diante, mas atitudes como “eu não quero o governo, tirem ele do meu pé” e outras atitudes relacionadas são difíceis de superar.

Algumas pesquisas são bastante surpreendentes. Houve uma conduzida no Sul, pouco antes das eleições presidenciais. Apenas brancos do sul, eu acho, foram questionados sobre os planos econômicos dos dois candidatos, Barack Obama e Mitt Romney. Os brancos do sul disseram preferir o plano de Romney, mas quando perguntados sobre seus componentes em particular, eles se opuseram a cada um deles. Bem, isso é o efeito de uma boa propaganda: levar as pessoas a não pensar em termos de seus próprios interesses, muito menos no interesse das comunidades e da classe da quel eles são parte. Superar isso exige muito trabalho. Eu não acho que isso seja impossível, mas não vai acontecer facilmente.

 Em um artigo recente sobre a Magna Carta e o  Estatuto da Floresta (Charter of the Forest), * você discute Henry Vane, que foi decapitado por ter elaborado uma petição em que pedia o poder ao povo “a origem de onde surge todo o poder”. Você concordaria que a repressão coordenada do movimento Occupy foi como a decapitação de Vane?

O movimento Occupy não foi tratado muito bem, mas não devemos exagerar. Em comparação com o tipo de repressão que geralmente acontece, ela não foi tão forte. Basta perguntar a pessoas que fizeram parte do movimento pelos direitos civis na década de 60, no sul do país, vamos dizer. Aquilo foi incomparavelmente pior, pois foi apenas aparecer em manifestações contra a guerra, onde as pessoas recebiam sprays de “mace” e eram surrados e assim por diante. Grupos de ativistas eram reprimidos. Os sistemas de poder não passavam a mão nas cabeças. O movimento Occupy foi tratado mal, mas não fora do espectro – na verdade, em alguns aspectos, não tão mal quanto os outros. Eu não faria  comparações exageradas. Não é como decapitar alguém que diz: “Vamos ter poder popular.”

Como o Estatuto da Floresta se relaciona com a resistência ambiental e indígena ao oleoduto Keystone XL?

Muito. O Estatuto da Floresta, que era metade da Magna Carta, foi mais ou menos esquecido. A floresta não significa apenas as árvores. Significava propriedade comum,  fonte de alimento, de combustível. Era uma posse comum, por isso as pessoas se importavam. As florestas eram cultivadas comunalmente e mantidas em funcionamento, porque faziam parte dos bens comuns do povo, a sua fonte de sustento, e até mesmo uma fonte de dignidade. Isso desmoronou lentamente na Inglaterra sob os movimentos de cercamentos, os esforços do Estado para mudar a propriedade e controle privados. Nos Estados Unidos, isso aconteceu de forma diferente, mas a privatização é semelhante. No final, o que você tem  é a crença amplamente difundida, agora doutrina padrão, que é chamada de “a tragédia dos comuns” na frase de Garrett Hardin. De acordo com este ponto de vista, se as coisas são detidas em comum e não são propriedade privada, eles vão  ser destruídas. A história mostra exatamente o oposto: Quando as coisas eram propriedade comum, elas eram preservadas e mantidas. Mas, de acordo com a ética capitalista, se as coisas não são propriedade privada, eles serão arruinadas, e essa é “a tragédia dos comuns”. Assim, portanto, você tem que colocar tudo sob controle privado e retirar do  público, porque o público só vai destruir.

Agora, como isso se relaciona com o problema ambiental? Muito significativamente: os bens comuns são o meio ambiente. Quando eles estão sob posse comum – não são propriedade, mas todos os detêm juntos em uma comunidade – eles são preservados, sustentados e cultivados para a próxima geração. Se eles são propriedade privada, eles serão destruído para o lucro; isso é o que significa propriedade privada, e isso é exatamente o que está acontecendo hoje.

O que você diz sobre a população indígena é muito marcante. Há um grande problema que toda a espécie humana está enfrentando. A probabilidade de um desastre sério pode não estar muito longe. Estamos nos aproximando de uma espécie de ponto de inflexão, onde a mudança climática torna-se irreversível. Poderia ser um par de décadas, talvez menos, mas as previsões estão constantemente mostrando ser muito conservadoras. É um perigo muito grave; nenhuma pessoa sã pode duvidar. A espécie humana inteira está enfrentando uma ameaça real pela primeira vez em sua história de desastres graves, e há algumas pessoas que tentam fazer alguma coisa sobre isso, e há outras que tentam torná-lo pior. Quem são eles? Bem, aqueles que estão tentando torná-lo melhor são as sociedades pré-industriais, as sociedades pré-tecnológicas, as sociedades indígenas, as Primeiras Nações. Em todo o mundo, estas são as comunidades que estão tentando preservar os direitos da natureza.

As sociedades ricas, como os Estados Unidos e o Canadá estão agindo de forma a tornar o desastre o mais rápido possível. Isso é o que significa, por exemplo, quando tanto os partidos políticos quanto a imprensa falam com entusiasmo sobre “um século de independência energética”. “Independência energética” não significa absolutamente nada, mas deixar isso de lado. Um século de “independência energética” significa que nós temos certeza que cada pedacinho de combustível fóssil da Terra sairá do chão e nós o queimaremos. Em sociedades que têm grandes populações indígenas, como, por exemplo, no Equador, um produtor de petróleo, as pessoas estão tentando obter apoio para manter o petróleo no solo. Eles querem financiamento, de modo a manter o óleo onde ele deveria estar. Nós, no entanto, temos que tirar tudo da terra, incluindo as areias betuminosas, em seguida, queimá-las, o que torna as coisas tão ruim quanto possível, o mais rápido possível. Então você tem essa situação estranha onde os povos civilizados, educados e “avançados” estão tentando cortar as gargantas de todos o mais rápido possível e os povos indígenas menos educados e mais pobres estão a tentar evitar o desastre. Se alguém estivesse assistindo isso de Marte, pensaria que essa espécie humana era enloqueceu.

Até onde é uma sociedade livre centrada na democracia, a auto-organização parece possível em pequena escala. Você acha que isso é possível em uma escala maior e com  direitos humanos e qualidade de vida como um padrão, e se positivo, qual comunidade você visitou que parece mais próxima de um exemplo do que é possível?

Bem, há um monte de coisas que são possíveis. Eu visitei alguns exemplos que são bastante grande escala, de fato, muito grande escala. Tome a Espanha, que está em uma enorme crise econômica. Mas uma parte de Espanha está indo bem – essa é o coletivo Mondragón. É um grande conglomerado envolvendo bancos, indústria, habitação, todos os tipos de coisas. É propriedade dos trabalhadores, e não gerenciada pelos trabalhadores, assim, é uma democracia industrial parcial, mas ela existe em uma economia capitalista, de modo que está fazendo todos os tipos de coisas feias, tais como explorar mão de obra estrangeira e assim por diante. Mas econômica e socialmente, ela é florescente, em comparação ao resto da sociedade e outras sociedades. Ele é muito grande, e isso pode ser feito em qualquer lugar. Ele certamente pode ser feito aqui. Na verdade, existem explorações preliminares de contatos entre o Mondragón e o Sindicato dos Metalúrgicos, um dos sindicatos mais progressistas, de pensar sobre o desenvolvimento de estruturas comparáveis ​​aqui, e isso está sendo feito até certo ponto.

A única pessoa que escreveu muito bem sobre isso é Gar Alperovitz, que está envolvido na organização do trabalho em torno de empresas em partes do antigo Rust Belt, que são muito bem-sucedidas e poderiam ser disseminadas apenas como uma cooperativa poderia ser disseminada. Realmente não há limites para isso, além da vontade de participar, e que é, como sempre, o problema. Se você está disposto a aderir à tarefa e avaliar a si mesmo, não há limite.

Na verdade, há uma famosa espécie de paradoxo colocado por David Hume séculos atrás. Hume é um dos fundadores do liberalismo clássico. Ele é um filósofo importante e um filósofo político. Ele disse que, se você der uma olhada em sociedades ao redor do mundo – qualquer uma delas – o poder está nas mãos dos governados, dos que estão sendo governados. Hume perguntava, por que eles não usam esse poder e derrubam os senhores e assumem o controle? Ele diz que, a resposta tem que ser que, em todas as sociedades, a mais brutal, a mais livre, os governados podem ser controlados pelo controle de opinião. Se você puder controlar suas atitudes e crenças, e separá-las uma da outra e assim por diante, então eles não se levantarão e derrubarão você.

Isso exige uma qualificação. Nas sociedades mais brutais e repressivas, controlar a opinião é menos importante, porque você pode bater nas pessoas com um porrete. Mas à medida que as sociedades se tornam mais livres, isso se torna mais um problema, e nós vemos isso historicamente. As sociedades que desenvolvem os sistemas de propaganda mais amplos são também as sociedades mais livres.

O sistema de propaganda mais amplo do mundo é a indústria de relações públicas, que se desenvolveu na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Um século atrás, os setores dominantes reconheceram que liberdade suficiente havia sido conquistada pela população. Eles argumentaram que é difícil controlar as pessoas pela força, então eles tinham que fazê-lo transformando as atitudes e opiniões da população com a propaganda e outros dispositivos de separação e marginalização, e assim por diante. As potências ocidentais tornaram-se altamente qualificadas nisso.

Nos Estados Unidos, a indústria da publicidade e relações públicas é enorme. Nos dias mais honestos, eles a chamavam propaganda. Agora, o termo não soa bem, então não é mais usado, mas é basicamente um enorme sistema de propaganda que é projetado muito extensivamente para fins muito específicos.

Primeiro, ele tem que minar os mercados, tentando criar consumidores irracionais e mal informados que farão escolhas irracionais. É disso que se trata a publicidade, o oposto do que se supõe seja um mercado, e qualquer um que ligue um televisor  pode ver isso. Tem a ver com a monopolização e diferenciação do produto, todos os tipos de coisas, mas o ponto é que você tem que conduzir a população ao consumo irracional, que os separa uns dos outros.

Como eu disse, o consumo é individual, por isso ele não ocorre como um ato de solidariedade – assim, você não tem anúncios na televisão, dizendo: “Vamos nos unir e construir um sistema de transporte de massa.” Quem é que vai financiar isso? A outra coisa que eles precisam fazer é minar a democracia da mesma forma, então que conduzem campanhas; as campanhas políticas em sua maioria são conduzidas por agentes de relações públicas. É muito claro o que eles têm de fazer. Eles têm que criar eleitores desinformados que tomarão decisões irracionais, e é isso que são as campanhas. Bilhões de dólares são investidos, e a ideia é destruir a democracia, restringir mercados para servir os ricos, e certificar-se de que o poder se concentra, que o capital se concentrada e que as pessoas sejam levadas a um comportamento irracional e autodestrutivo. E ele é autodestrutivo, muitas vezes de maneira dramática. Por exemplo, uma das primeiras realizações do sistema de relações públicas americano em 1920 foi liderada, aliás, por uma figura homenageada por Wilson, Roosevelt e Kennedy – o liberal progressista Edward Bernays.

Seu primeiro grande sucesso foi induzir as mulheres a fumar. Na década de 20, as mulheres não fumavam. Então aqui está essa grande população que não estava comprando cigarros, então ele pagou jovens modelos para marchar pela Quinta Avenida em Nova York  segurando cigarros. Sua mensagem para as mulheres era: “Você quer ser legal como um modelo? Você deve fumar um cigarro”. Quantos milhões de cadáveres isso criou? Eu odiaria calculá-lo. Mas foi considerado um enorme sucesso. O mesmo acontece com o caráter assassino da propaganda corporativa em relação ao tabaco, o amianto, chumbo, produtos químicos, cloreto de vinila, tudo. É chocante, mas Relações Públicas é uma profissão muito honrada, e ela controla as pessoas e prejudica as suas opções de trabalho conjunto. E assim é o paradoxo de Hume, mas as pessoas não têm que se submeter a ele. Você pode ver o que há por trás e lutar contra ele.

Noam Chomsky é professor de lingüística e filosofia no MIT.

Publicado em AlterNet

La Recherche du temps perdu ou para os íntimos, a Horta da Luzia

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Os “veios” devem se lembrar do Pasquim. Era um tabloide publicado na década de 70 e 80 que se opunha ao regime militar e que reunia os intelectuais de esquerda, incluindo jornalistas e humoristas, o que dava um tom sui generis ao jornal. Foi o avô do CQC.

Foi lá que vi a expressão “horta da luzia”. Isso tem relação com uma expressão “você vai ganhar o que a Luzia ganhou atrás da horta”, mas no Pasquim significava uma espécie de exercício proustiano.

Pois é. Durante aquele período de minha existência que chamo de “verdadeira vida”, de 1968 a 1971, meu irmão, Nicola, alugou um apartamento na Rua da Consolação onde eu também acampava. Sim. Acampava porque era um acampamento, não um apartamento. Para se ter uma ideia, meu guarda-roupa era uma cama colocada em 45 graus contra a parede, com os cabides dependurados embaixo dela, no estrado, e cobertores, etc. sobre a parte inclinada. E eu dormia sobre um colchão no chão. Mas, era um lar…

Certa noite, eu e o Nicola, cada um em sua cama, no escuro, começamos a conversar sobre reminiscências da infância e da juventude e o assunto derivou para lembranças de quem morava onde.

Aí começamos pelo Seu Oracildes, à esquerda de nossa casa na Rua Marechal Deodoro, 99. Fisicamente à esquerda, porque o Seu Oracildes era de extrema direita. Em seguida vinha a Dona Coleta Mendes que morava em um apartamento anexo à casa do Donga, casado com a filha dela, Julieta e pais da Sueli.

Na direção norte ficava o seu Cefalini, mais tarde o Alírio e o Claudio Coutinho; depois vinha o açougue do seu Leôncio, pai do Oracildes, e a casa-cartório dele, que era tabelião; daí vinha o salão de cabeleleireira da Tia Nenê, irmã de minha mãe, anexo à casa-sapataria do Pedro Guerci, pais do Angelo e da Graça. Virando à esquerda, descendo a Dr. Pedro de Toledo ficava a casa do Armando Berozzi, com sua horta imaculada. Quando plantava pimentão, diziam que ele podava cada pé com alicate de cutícula. Um brinco. Mais abaixo a casa da Tia Nair, prima de minha mãe, mulher do Tio Otinho. O nome dele Otto Mathes. Meu ídolo. Montou o primeiro radio galena da cidade, sabia tudo sobre eletrônica e era completamente ateu. Abaixo da casa deles estava a casa do Fernando Castro, filho da minha professora do terceiro ano, D. Laura. O Fernando e o Tuca, filho da Tia Nair, um dia fugiram de casa. Lembro-me do fuzuê. Virando a esquina, na Rua Tupinambas, vinha a casa do Pedro Alemão, depois uma casa que não me recordo o nome e em seguida o Quinha Lemes, eletricista. Subindo a Francisco Maia havia a casa do Zé Policici, mais uma que não me lembro e fechava de novo na casa do Donga.

E assim íamos, intercalando lembranças sobre as pessoas, à medida que os nomes surgiam, e montávamos, quadra por quadra os residentes no centro velho da cidade, a partir de nossa casa.

Foi uma noite memorável.

EVACUANDO

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Todas as pessoas que conheço estão procurando um sentido para a vida. Entre elas, acho que ninguém conseguiu. Exceto eu, naturalmente.  E vou compartilhar com vocês a minha descoberta. 

Tarammm!

Pois bem, o sentido da vida é procurar o sentido da vida. Simples assim.

Há pessoas que não se conformam com a falta de sentido da vida e definem um sentido pessoal para a própria vida.

Há pessoas que desistem de procurar o sentido da vida e simplesmente vivem a vida, ou melhor são levadas pelo rio da vida como uma rolha flutuando na corrente.  Para alguns a corrente é turbulenta, para outros é mais suave. Eu estou entre esses últimos.

Em meus quase 65 anos de vida, tomei apenas quatro decisões marcantes. O restante dos meus dias foram uma sequência de eventos sobre os quais eu não tive qualquer controle.

A primeira delas, aos quinze anos, quando resolvi abandonar a igreja católica, com a qual tinha estado em conflito desde sempre, ou melhor, desde que o padre me expulsou aos gritos do confessionários em minha primeira comunhão (já contei essa história por aqui). Identifiquei o padre estúpido com a sua religião estúpida e nunca realmente me liguei naquela baboseira toda que a tia Rosa passava no catecismo ou os padres em seus sermões idiotas. Assim que a decisão estava madura, escrevi uma carta ao João XXIII solicitando minha excomunhão.

A segunda decisão eu tomei aos 19 anos, quando decidi jogar para cima o emprego no banco.  Tinha entrado na faculdade, dava aulas particulares, dava aulas em cursinho e tocava a vida. Foram os únicos 18 meses de vida de verdade que tive em todos os 65 anos em que venho respirando, comendo, cagando e dormindo.

A terceira decisão foi um enorme engano que cometi e que teria mudado completamente o rumo de minha vida.  Em 1970, fui informado que a IBM estava recrutando funcionários com inglês e fui até lá. Nessa época, a IBM não passava de uma salinha na Rua Araujo e eu conversei com o gerente e fui aceito, ficando de dar uma resposta no dia seguinte.  E o idiota aqui não aceitou. Só porque o horário de trabalho era da meia noite às sete.  Cretino!

A quarta decisão (e última) foi quando resolvi entrar na Maçonaria. Vocês dirão: “Ah, mas ninguém decide entrar na Maçonaria. Você tem que ser convidado.”

Pois é. É assim mesmo. Mas eu sou bisneto de maçom e duas gerações de filhas mulheres impediram a sequência da tradição. Mas, eu tinha o Tio Afonso, irmão do meu avô, que era maçom, seus filhos, netos, sobrinhos, genros eram maçons.  Pedi a ajuda deles para me apadrinhar e finalmente fui recomendado a um irmão em Sampa que me apadrinhou. Essa decisão é neutra, pois não fez diferença na minha vida, já que a maçonaria brasileira está completamente inerte.

Posso dizer, entretanto, que sou feliz.  Nasci em uma excelente família cujo único defeito era o catolicismo, mas isso eu resolvi com a minha primeira decisão.

Meu pai era uma pessoa muito simples, para quem os filhos deveriam seguir a profissão do pai e acomodar-se passivamente diante da autoridade e da vida. Era uma pessoa absolutamente honesta e cumpridora de seus deveres e conseguiu transmitir esses valores aos filhos.  Mas, ele queria mesmo que ficássemos para sempre em Caconde, tocando a barbearia.

Minha mãe, por outro lado, era uma pessoa visionária (não consigo entender de onde ela tirou a sua determinação, lutando contra a corrente). Acho que foi graças a ela que escapei de ir para em um seminário como o meu primo Picido. Seriamos dois bispos na família. Ou pelo menos um, já que o Picido não aceitou o empreguinho quando o papa ofereceu e preferiu continuar chefiando a seita que ele criou.

Bem, já evacuei bastante por hora.  Voltarei ao assunto.

Declaração feita pelo Soldado Bradley Manning, não jurada, em Sessão de Sentença

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Tradução José Filardo

 Por  Alexa O’Brien  em 14 de agosto de 2013 17:11 |  Tweet

Esta é uma rápida transcrição de uma declaração não jurada feita pelo soldado Bradley Manning em 14 de agosto de 2013, no caso de defesa durante a fase de definição de sentença no caso dos Estados Unidos versus Soldado Bradley E. Manning.

Primeiramente, Meritíssimo, Gostaria de começar com um pedido de desculpas. Sinto muito. Lamento que minhas ações tenham ferido pessoas. Lamento que elas tenham prejudicado os Estados Unidos. Na época das minhas decisões, como Vossa Excelência sabe, eu estava lidando com uma série de problemas – problemas que ainda estão em curso e que continuam a me afetar.

Embora tenham causado grande dificuldade em minha vida, estes problemas não são uma desculpa para minhas ações. Eu entendia o que eu estava fazendo e as decisões que tomei. No entanto, eu não considerei verdadeiramente os efeitos mais amplos de minhas ações. Esses efeitos são mais claros para mim agora, tanto através da autorreflexão durante meu confinamento em suas diferentes formas quanto através dos méritos e testemunhos de sentença que eu vi aqui.

Lamento pelas consequências não intencionais de minhas ações. Quando eu tomei aquelas decisões, eu acreditava que eu ia ajudar as pessoas, não feri-las. Os últimos anos têm sido uma experiência de aprendizagem.  Eu olho para trás para minhas decisões e me pergunto: ‘Como eu poderia, um analista júnior, possivelmente acreditar que poderia mudar o mundo para melhor, passando por cima das decisões de pessoas com a devida autoridade?

Em retrospecto, eu deveria ter trabalhado de forma mais agressiva dentro do sistema conforme discutimos durante a Declaração de Providência e tinha opções e eu deveria ter usado aquelas opções. Infelizmente, eu não posso voltar atrás e mudar as coisas.  Só posso ir à frente e eu quero ir adiante. Antes que eu possa fazer isso, entretanto, eu entendo que preciso pagar um preço por minhas decisões e ações.

Depois de pagar esse preço, espero um dia viver da maneira que eu não fui capaz no passado. Eu quero ser uma pessoa melhor – ir para a faculdade – obter um diploma – e ter um relacionamento significativo com a família de minha irmã e a minha família.

Eu quero ser uma influência positiva em suas vidas, assim como minha tia Deborah foi para mim. Eu tenho falhas e problemas com que eu tenho que lidar, mas eu sei que eu posso se e serei uma pessoa melhor. Eu espero que Vossa Excelência possa dar-me a oportunidade de provar – não através de palavras, mas através de conduta – que eu sou uma boa pessoa, e que eu possa voltar a ter um lugar produtivo na sociedade.

Obrigado, Meritíssimo

Guerra de palavras

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Tradução José Filardo

 

Por Charles Krauthammer

Jen Psaki, irrepreensível porta-voz do Departamento de Estado explicou que a evacuação não era uma evacuação, mas “uma redução de pessoal“. Isto provou ser um problema, porque o governo iemenita já havia anunciado (e denunciado), a “evacuação” – a palavra que as pessoas normais usam para a ordem em pânico para pessoas embarcar em aviões para fora do país.

Assim, continua a tendência do governo para o jogo de palavras, torcer a linguagem para atender a uma necessidade política. Na célebre formulação de Janet Napolitano, ataques terroristas são agora “desastres causados ​​pelo homem.” E a “guerra global ao terror” não é mais. Agora ela é uma “operação de contingência no exterior “.

Nidal Hasan, orgulhosamente diz a um tribunal militar que ele, um soldado de Alá, matou 13 soldados norte-americanos em nome da jihad. Mas o massacre continua a ser oficialmente classificado não como um ato de terrorismo, mas de ” violência no trabalho“.

O embaixador dos EUA na Líbia e três outros são mortos em um ataque terrorista por filiados à al-Qaeda – e por dia é descartado como nada mais do que uma manifestação espontânea que degringolou. Afinal, Hillary Clinton declarou famosamente, que diferença faz?

Bem, faz uma diferença, em primeiro lugar, porque a verdade é uma virtude. Em segundo lugar, porque se você continua mentindo para o povo americano, ele pode questionar seriamente se qualquer coisa que você diz – por exemplo, sobre a natureza benigna da vigilância da NSA – não é outra mentira servindo aos seus próprios propósitos.

E em terceiro lugar, porque conduzir um país através de outra longa luta ao crepúsculo exige não apenas a honestidade, mas clareza. Este é um presidente que até hoje não conseguiu identificar o inimigo como o islamismo radical. Há pouco,  terça à noite  , explicando o  fechamento da Embaixada americana  em todo o mundo muçulmano, ele citou a ameaça do “extremismo violento”.

A palavra “extremismo” não tem sentido. As pessoas não se dedicam a ser extremistas. O extremismo não tem conteúdo. O extremo do que? Nesta guerra, uma extrema devoção à supremacia de uma visão radicalmente fundamentalista do Islam e de sua busca assassina por domínio sobre todos os outros.

Mas para o presidente Obama, a palavra “islamista” não pode ser pronunciada. A linguagem deve ser elaborada para disfarçar o desconforto.

Resultado? A primeira lexicológica de guerra do mundo. Jabear com truques linguísticos, nomes impróprios e eufemismos cada vez mais transparentes. A seguir: onomatopeias perfurantes e sinédoques anfíbias.

Tudo isto seria cômico e apenas peculiar, se não refletisse uma realidade maior e mais preocupante: A confusão da linguagem é um resultado direto de uma confusão de política – que é servida por ofuscação constante.

Obama não gosta dessa guerra ao terror. Ele particularmente não gosta de sua coloração religiosa lamentável, razão pela qual a palavra “islamista” é banida de seu léxico. Mas, palavras suaves, discursos calmantes em várias capitais muçulmanas, políticas calmantes – “peito aberto”, “respeito mútuo” – não resultaram em nada. A guerra continua. Na verdade, sob o seu turno, ela se espalhou. E, enquanto comandante-em-chefe, ele deve defender a nação.

Ele é obrigado. Mas, ele quer desesperadamente acabar com toda a luta. Este não é um desejo secreto. Em um importante discurso à Universidade de Defesa Nacional apenas três meses atrás, ele declarou “esta guerra, como todas as guerras, tem que acabar.” O grito plangente de um homem esperando que dizer isso fará com que seja assim.

O resultado é a visível ambivalência que leva uma vacilante política a cheirar à incoerência. Obama defende o grande arrastão de dados da NSA por causa da terrível ameaça constante do terrorismo. Mas, ao mesmo tempo, ele pede não apenas que seja alterada, mas, na verdade, revogada a base jurídica para toda a guerra contra o terror, a Autorização de 2001 para o Uso de Força Militar.

Bem, o que é isso? Se a maré da guerra está recuando, por que os programas de espionagem gigantes da NSA? Se al-Qaeda está em fuga, como ele incessantemente assegurou à nação ao longo de 2012, por que a América está covardemente encolhida em 19 embaixadas e consulados fechados? Por Boston foi colocada em um bloqueio completo sem precedentes após os atentados da maratona? E da Somália ao Afeganistão, por que está chovendo morte por drone sobre “extremistas violentos” – cada alvo, surpreendentemente, um jihadista? Que coincidência.

Esta incoerência da política e propósito é a razão pela qual uma evacuação do Iêmen deve ser passada à frente como “uma redução do pessoal.” Porque o ataque terrorista de Benghazi deve ser atribuído a algum infeliz cinegrafista egípcio-americano. Porque o tiroteio em Fort Hood nada mais é que um médico do exército maluco que estourou de raiva.

No fim das contas, não se trata de linguagem. Trata-se de liderança. O jogo de palavras é apenas para encobrir política incerta incorporado em confusão e ambivalência sobre todo o empreendimento.

Isto não é liderar na retaguarda. Isto é simplesmente, não liderar.

 

Publicado originalmente aqui.

 

Caconde no livro “Lo Stato di San Paolo” de Salvatore Pisani

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CACONDE

II Municipio di Caconde, creato con la Legge n. 6 del 5 aprile 1864 e situato a nord della Capitale, ad un’altitudine di 650 metri sul livello del mare.

Esso ha una superficie di 400 Km. e una popola- zione di 21 .721 abitanti.

II territorio si presenta molto montagnoso. II sistema orografico di questo Municipio e molto confuso, perche in esso esistono varie cordigliere, formanti una rete di giogaie che attraversano il territorio in differenti direzioni.

Tra le principali elevazioni, citiamo: l’altipiano di San Matteo, che segna in gran parte i confini con lo StatO’di Minas, l’altipiano del Rio Pardo, gli acrocori di San Domingos e del Barreiro, ai confini di Poqos de Caldas.

Numerosi corsi d’aqua bagnano il territorio. Oltre ai fiumi Bom Jesus, Guaxupe e Soledade che ricevono nel loro corso vari affluenti, il Municipio e solcato dal Rio Pardo, che scorre da nord-est ad ovest. Ostruito da molte cascate, questo fiume, che pur possiede un considerevole volume d’acqua, non si presta alia navigazione.

II clima e ameno e salubre. La temperatura oscilla da un minimo di 2 a un massimo di 35°.

Le ricchezze minerarie del sottosuolo di Caconde sono ben conosciute, ma cio malgrado, l’industria estratti-va che potrebbe avere in questo luogo un vasto campo d’azione, e quasi del tutto trascurata. Lungo i margini dei fiumi e dei torrenti Bom Jesus, S. Matteo, Conceiqao e Bom Successo, s’incontrano prove irrefutabili dell’esisten-za di minerali di oro. Le miniere di ferro di S. Matteo sono ugualmente di considerevole ricchezza, sia per la facilita dell’estrazione e per la ricchezza dei giacimenti, che per l’eccellente qualita del metallo. Abbondano altresi nel Municipio cristalli di rocca, pietra calcarea e argilla.

L’agricoltura si occupa principalmente della coltiva-zione del caffe, del quale esistono nel Municipio circa 7 milioni di piante, che danno una produzione media di 57,35 arrobas per mille piedi. Notevolmente sviluppate sono altresi le colture dei cereali, della canna da zucchero, del tabacco e della mandioca.

L’allevamento del bestiame e nel suo massimo sviluppa in tutti i rami e costituisce un’importante fonte di reddito per gli allevatori.

L’industria e anch’essa in notevole progresso. Conta varie fabbriche di bibite, di dolci, di saponi, di mobili, di carri e carrozze, di tabacchi manipolati, di stoviglie di argilla ecc., oltre a numerose macchine per il “beneficia- mento” del caffe e del riso e a vari stabilimenti per la produzione dello zucchero e dell’acquavite, fra i quali notevole quello di Itahyquara che da una produzione annua considerevole.

II commercio, parallelo nello sviluppo all’agricoltura e alle industrie, vanta numerose case che si occupano di negozi d’ogni genere.

II movimento bancario e svolto dalle locali Case Bancarie Fanuele e Cia., L. Pagano e Cia., e dal locale Banco Popular e Agricola.

L’istruzione primaria conta 1 scuola privata, 14 scuole rurali e un Gruppo Scolastico, con sede nel capoluogo, con un complesso di 4.216 alunni.

La stampa vanta due brillanti settimanali: “Caconde Jornal” e “Sentinella”.

Ecclesiasticamente, Caconde costituisce una Parrocchia, denominata N. S. da Conceiqao, dipendente dalla Diocesi di Ribeirao Preto.

Giudiziariamente, e sede di Comarca e di Distretto di Pace.

La collettivita italiana residente in Caconde si calcola composta di 600 persone; i figli d’italiani si fanno ascend ere a circa 1.300.

I nostri connazionali sono dediti principalmente al- l’agricoltura; ma notevole e anche il numero di coloro che si dedicano al commercio e ai mestieri.

Possiedono 92 proprieta agricole, con una estensione di 2.135 alqueires, per il valore complessivo di 2.481 contos di reis.

Fra i principali agricoltori italiani di nascita e di origine, citiamo: Antonio Mazzilli, Angelo Rovani, Domeni-co Mazzilli Nipote, Giovanni Della Colletta, Giuseppe Nascimbene, Luigi Antonini, Ernesto Tranquillini, Luigi Rimedi.

Fra gl’industriali:             Paolo Badolato, Giovanni Pellegrini e Giuseppe Cefalini con stabilimenti per la produzione dell’acquavite; Michele Mauro e Giuseppe Maringoli con macchine per il “beneficiamento” del riso e del caffe; Severo Tortorelli, Francesco Volpi e Silvio Tardelli con fabbriche di calzature; Clemente Maringoli e Alfonso Celeste con fabbriche di stoviglie di argilla; G. Manzo e Fratelli con segheria.

Fra i commercianti: Giuseppe Mazzilli, Mazzilli e Cia., Primo Barboni, Leoluca Panacci. Nicola Cosentini, Antonio Maringoli, Attilio Guidi, Germano Biondi, Giuseppe Badolato, Annibale Poli, Giovanni Mongelli, Giuseppe Conti, Severo Badolato.

Fra i professionisti: l’avvocato Mariano Borelli; il dentista Domenico Marino; i ragionieri Antonio Maringoli e Antonio Antonini; i medici Domenico Placco e Carmo Mazzilli; i farmacisti Raffaele e Dante Ielo.

E parroco di Caconde il connazionale Padre Giovan-ni Michele De Angelis.

Fra gli artigiani, citiamo: Giuseppe Cosentini, Alvaro Gaietti, Vincenzo Bruni, Angelo Garutti, Ettore e Giovanni Tardelli.

Sede da Societá Italiana de Mutuo Socorso (1935)

Sede da Societá Italiana de Mutuo Socorso (1935)

Gl’italiani di Caconde hanno fondato una Societa di Mutuo Soccorso, la quale, oltre a svolgere fedelmente il programma statutario, contribuisce con la disciplina, con l’esempio, con la fervida operosita e con la costante propaganda patriottica, a mantenere sempre viva la fiaccola dell’italianita fra i connazionali cola residenti.

II R. Consolato Generale di San Paolo ha in Caconde un Corrispondente nella persona del sig. Raffaele Telo.

Caconde, capoluogo del Municipio, conta attual- mente 2.614 abitanti.

La citta e provvista dei servizi di luce elettrica, di acqua potabile e di telefono, ma manca tuttora della rete di fognatura.

Situata a 3 Km. dal Rio Pardo, sopra un altipiano, ha buone piazze e buoni edifici pubblici. Tra questi, notevoli, la Matrice, il Gruppo Scolastico e la Casa Parrocchiale.

Dista dalla Capitale, colla quale e in comunicazione per mezzo della ferrovia Mogyana, fino alia stazione di Itahyquara, 348 Km.