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Receita para ser um sofredor profissional…

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 Tradução José Filardo

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Crédito da foto: Shutterstock.com

Os 14 Hábitos das Pessoas Altamente Sofredoras ou Como ter sucesso na autossabotagem.

Por  Cloe Madanes 

A maioria das pessoas alega querer ser feliz, ter uma vida significativa, divertir-se, experimentar a realização, compartilhar amor e amizade com outras pessoas e, talvez, outras espécies, tais como cães, gatos, pássaros e outros enfeites. Estranhamente, no entanto, algumas pessoas agem como se elas só quisessem sofrer, e elas têm notável sucesso em atrair o sofrimento para suas vidas, mesmo que elas obtenham pouco benefício aparente dele, já que ser sofredora não as ajuda a encontrar amantes e amigos , conseguir melhores empregos, ganhar mais dinheiro, ou ter férias mais interessantes. Por que elas fazem isso? Depois de ler atentamente a produção de alguns dos melhores cérebros na profissão da terapia, cheguei à conclusão de que o sofrimento é uma forma de arte, e a satisfação que as pessoas parecem encontrar nele reflete o esforço criativo necessário para cultivá-lo. Em outras palavras, quando suas condições de vida são estáveis, pacíficas e prósperas, sem guerras civis violentas em suas ruas, sem fome em massa, sem doença epidêmica, sem as humilhações vindas da pobreza – tornar-se sofredor é uma arte em si mesma, exigindo imaginação, visão e engenhosidade. Ela pode até mesmo dar à vida um significado distinto.

Assim, se você aspira a tornar-se um sofredor, quais são as melhores e mais comprovadas técnicas para fazê-lo? Vamos excluir algumas maneiras óbvias, tais como usar drogas, cometer crimes, jogar e bater em sua esposa ou seu vizinho. Estratégias mais sutis, aquelas que não levarão ninguém a suspeitar que você está agindo deliberadamente, podem ser altamente eficazes. Mas, você precisa fingir que quer ser feliz como todo mundo, ou as pessoas não vão levar o seu sofrimento a sério. A verdadeira arte é comportar-se de maneira que o levarão ao sofrimento, permitindo-lhe ao mesmo tempo afirmar que você é uma vítima inocente, idealmente das próprias pessoas de quem você está arrancando compaixão e piedade à força.

Nesse texto, eu cubro a maioria das áreas da vida, tais como família, trabalho, amigos e parceiros românticos. Essas áreas se sobrepõem muito bem, uma vez que você não pode arruinar a sua vida sem arruinar o seu casamento e talvez seus relacionamentos com seus filhos e amigos. É inevitável que, ao tornar-se um sofredor, você estará fazendo aqueles ao seu redor também sofredores, pelo menos até que eles o abandonem, o que lhe dará mais um motivo para se sentir miserável. Portanto, é importante ter em mente os benefícios que você está acumulando com seu sofrimento.

• Quando você está infeliz, as pessoas sentem pena de você. Não só isso, elas muitas vezes se sentem culpadas obscuramente, como se seu sofrimento pudesse de alguma forma ser culpa deles. Isso é bom! Há poder em fazer outras pessoas se sentir culpadas. As pessoas que te amam e aquelas que dependem de você pisam em ovos para certificar-se de que elas não digam ou façam nada que aumente o seu sofrimento.

• Quando você está infeliz, já que não tem esperanças e espera que nada de bom aconteça, você não pode ficar desapontado ou desiludido.

• Ser sofredor pode dar a impressão de que você é uma pessoa sensata e mundana, especialmente se você não sofre apenas em relação à sua vida, mas em relação à sociedade em geral. Você pode projetar uma aura de alguém sobrecarregado por uma forma de conhecimento profundo, trágico, existencial que as pessoas felizes e superficiais não podem apreciar.

Aprimorando suas habilidades de sofrer

Vamos direto ao ponto e dar uma olhada em algumas estratégias eficazes para se tornar infeliz. Essa lista não é de forma alguma exaustiva, mas dedicar-se a quatro ou cinco dessas práticas ajudará a refinar seu talento.

1. Tenha medo, tenha muito medo da perda econômica. Em tempos econômicos difíceis, muitas pessoas têm medo de perder seus empregos ou a poupança. A arte de estragar a sua vida consiste em ceder a esses medos, mesmo quando há pouco risco de que você vá realmente sofrer tais prejuízos. Concentre-se nesse medo, torne-o uma prioridade em sua vida, reclame continuamente que você pode falir a qualquer momento, e queixe-se de quanto custa tudo, especialmente se outra pessoa está comprando. Tente iniciar discussões sobre a maneiras irresponsáveis e perdulárias de outras pessoas, e sugira que a recessão resultou de comportamento fiscal irresponsável como o delas.

Temer perdas econômicas tem várias vantagens. Primeiro, ele o manterá trabalhando para sempre em um trabalho que você odeia. Em segundo lugar, ela equilibra muito bem a ganância, uma obsessão com o dinheiro, e um egoísmo que até mesmo Ebenezer Scrooge invejaria. Em terceiro lugar, você não só vai alienar os seus amigos e familiares, mas provavelmente vai se tornar ainda mais ansioso, deprimido, e possivelmente até mesmo doente com suas preocupações com dinheiro. Bom trabalho!

Exercício: Sente-se em uma cadeira confortável, feche os olhos, e, por 15 minutos, medite sobre todas as coisas que você pode perder: seu emprego, sua casa, suas economias, e assim por diante. Então remoa a perspectiva de viver em um abrigo para sem tetos.

2. Pratique o tédio sustentado. Cultive o sentimento de que tudo é previsível, que a vida não tem qualquer emoção, de que não há possibilidade de aventura, de que uma pessoa inerentemente fascinante como você foi condenada a uma vida completamente tediosa e sem sentido, não por sua própria culpa. Reclame muito sobre como você está entediado. Torne isso o principal tema de conversa com todos que você conhece; assim eles terão a nítida sensação de que você acha que eles são chatos. Considere provocar uma crise para aliviar o tédio. Ter um caso (isso funciona melhor se você já está casado e ainda melhor se você tem um caso com alguém que é casado); vá repetidamente às compras de roupas, carros, eletrodomésticos sofisticados, equipamentos esportivos (leve vários cartões de crédito, caso algum deles estoure o limite); inicie brigas sem sentido com o seu cônjuge, chefe, filhos, amigos e vizinhos, tenha outro filho; saia do seu emprego, limpe sua conta de poupança, e mude para um estado sobre o qual você nada saiba.

Um outro benefício de estar entediado é que você inevitavelmente se torna um chato. Amigos e parentes passarão a evitá-lo. Você não vai ser mais convidado para nada, ninguém vai querer telefonar-lhe e muito menos, na verdade vê-lo. Quando isso acontece, você vai se sentir solitário e ainda mais entediado e infeliz.

Exercício: Esforce-se para assistir a horas de programas de reality show estúpidos todos os dias, e leia apenas jornais e revistas chatos que deixam você sentindo-se embotado. Evite a literatura, arte, e mantenha-se alheio aos assuntos atuais.

3. Atribua-se uma identidade negativa. Permita que um problema emocional percebido absorva todos os outros aspectos de sua autoidentificação. Se você se sente deprimido, torne-se uma pessoa deprimida; se você sofre de ansiedade social ou de uma fobia, assuma a identidade de uma pessoa fóbica ou de uma pessoa com transtorno de ansiedade. Faça de sua condição o foco de sua vida. Fale sobre isso com todo mundo, e certifique-se de ler sobre os sintomas, de modo que você possa falar sobre eles com conhecimento e sem parar. Pratique os comportamentos mais associados a essa condição, principalmente quando ela interfere com as atividades e relacionamentos regulares. Concentre-se em como você está deprimido e torne-se choroso, se essa é a sua identidade escolhida. Recuse-se a ir a lugares ou tentar coisas novas porque elas tornam você muito ansioso. Provoque ataques de pânico em lugares que eles causarão maior tumulto. É importante mostrar que você não gosta desses estados ou comportamentos, mas que não há nada que você possa fazer para impedi-los.

Pratique colocar-se no estado fisiológico que representa a sua identidade negativa. Por exemplo, se a sua identidade negativa é de pessoa deprimida, curve os ombros, olhe para o chão, respire superficialmente. É importante condicionar o seu corpo para ajudá-lo a atingir seu pico negativo, o mais rapidamente possível.

Exercício: Escreva 10 situações que lhe tornam ansioso, deprimido ou distraído. Uma vez por semana, escolha uma única situação provocadora de ansiedade, e use-a para colocar-se em pânico por pelo menos 15 minutos.

4. Brigue muito. Esta é uma maneira excelente de arruinar um relacionamento com um parceiro romântico. De vez em quando, de forma imprevisível, comece uma briga ou tenha um ataque de chro sobre algo trivial e faça acusações infundadas. A interação deve durar pelo menos 15 minutos e ocorrer de preferência em público. Durante o acesso de raiva, espere que o seu parceiro seja gentil e simpático, mas caso ele ou ela mencione isso mais tarde, insista que você nunca fez tal coisa, e que ele ou ela deve ter entendido mal o que você estava tentando dizer. Aja como se tivesse sido ofendido e magoado, por seu parceiro de alguma ter insinuado que você não estava se comportando bem.

Outra maneira de fazer isso é dizer de forma inesperada, “Precisamos conversar”, e, em seguida, disparar sobre seu parceiro uma barragem de afirmações sobre como você está decepcionado com o relacionamento. Certifique-se de começar essa barragem, assim que o seu parceiro está prestes a sair para algum compromisso ou atividade, e recuse-se a encerrá-la por pelo menos uma hora. Outra variação é de mandar uma mensagem de texto ou telefonar ao seu parceiro no trabalho de expressar seus problemas e decepções. Faça o mesmo se o seu parceiro estiver fora com os amigos.

Exercício: Escreva 20 mensagens de texto chatas você pode enviar para um parceiro romântico. Mantenha uma lista de rancores em atividade, e acrescente alguma coisa a ela diariamente.

5. Atribua más intenções. Sempre que puder, atribua as piores intenções possíveis ao seu parceiro, amigos e colegas de trabalho. Pegue qualquer comentário inocente e transforme-o em um insulto ou tentativa de humilhá-lo. Por exemplo, se alguém perguntar: “Você gosta de tal e tal filme?”, você deve pensar imediatamente – Ele está tentando me humilhar, provando que eu não entendi o filme – ou – Ele está se preparando para me dizer que eu tenho mau gosto para filmes. A ideia é sempre esperar o pior das pessoas. Se alguém está atrasado para o jantar, enquanto você os espera, lembre-se de todas as outras vezes que a pessoa esteve atrasada, e diga a si mesmo que ele ou ela está fazendo isso deliberadamente para lhe menosprezar. Certifique-se de que no momento em que a pessoa chega, ou você está fervendo ou está tão desanimado(a) que a noite está arruinada. Se a pessoa perguntar o que está errado, não diga uma palavra: deixe-o(a) sofrer.

Exercício: Liste os nomes de cinco parentes ou amigos. Para cada um, escreva algo que ele ou ela disse ou fez no passado recente, que comprova que eles são tão determinados a aumentar seu sofrimento quanto você mesmo(a) está.

6. Não importa o que você faça, faça-o somente para ganho pessoal. Às vezes você será tentado a ajudar alguém, contribuir para uma instituição de caridade, ou participar de uma atividade da comunidade. Não faça isso, a menos que haja algum ganho para você, por exemplo, a oportunidade de parecer ser uma boa pessoa ou conhecer alguém a quem você pode pedir o dinheiro um dia. Não caia na armadilha de fazer algo simplesmente porque você quer ajudar as pessoas. Lembre-se que seu principal objetivo é cuidar de Numero Um, mesmo que você odeie a si mesmo.

Exercício: Pense em todas as coisas que você fez para os outros no passado, que não tenham sido correspondidas. Pense em como todos ao seu redor estão tentando tirar alguma coisa de você. Agora liste três coisas que você poderia fazer e que fariam você parecer altruísta, enquanto lhe trazem ganho pessoal, social ou profissional.

7. Evite a gratidão. Pesquisas mostram que pessoas que expressam gratidão são mais felizes do que aqueles que não o fazem, portanto nunca expresse gratidão. Contar suas bênçãos é para idiotas. Que bênçãos? A vida é sofrimento, e então você morre. O que há para ser grato?

Amigos e parentes bem-intencionados tentarão sabotar seus esforços para ser ingrato(a). Por exemplo, enquanto você está no meio de uma reclamação sobre o projeto que você adiou no trabalho ao seu cônjuge durante um jantar pouco saudável, ele ou ela pode tentar lembrá-lo(a) de quão grato você deve estar por ter um emprego ou simplesmente comida. Tais tentativas de encorajar a gratidão e alegria são comuns e facilmente desviados. Basta salientar que as coisas pelas quais você deveria ser grato(a) não são perfeitos – que o(a) libera para encontrar tantas falhas com elas quanto você queira.

Exercício: Faça uma lista de todas as coisas pelas quais você poderia ser grato. Ao lado de cada item, anote por que você não é. Imagine a pior. Quando você pensa do futuro, imaginar o pior cenário possível. É importante estar preparado para e preventivamente sofredor sobre qualquer possível desastre ou tragédia. Pense nas possibilidades: ataques terroristas, desastres naturais, doenças fatais, acidentes horríveis, enormes perdas de colheitas, seu filho não ser escolhido para o time de futebol do colégio.

8. Esteja sempre alerta e em um estado de ansiedade. Otimismo sobre o futuro só leva à decepção. Portanto, você tem que fazer o melhor para acreditar que seu casamento vai afundar, seus filhos não vão te amar, seu negócio vai falir, e nada de bom jamais funcionará para você.

Exercício: Faça alguma pesquisa sobre quais catástrofes naturais ou provocadas pelo homem podem ocorrer em sua área, tais como terremotos, inundações, vazamentos de usinas nucleares, surtos de raiva. Concentre-se nessas coisas pelo menos uma hora por dia.

9. Culpe seus pais. Culpar os pais por seus defeitos, deficiências e fracassos é um dos passos mais importantes que você pode dar. Afinal, seus pais fizeram de você quem você é hoje; você não teve nada a ver com isso. Se por acaso você tiver quaisquer qualidades ou sucessos, não dê o crédito aos seus pais. Esses são acasos.

Estenda a culpa a outras pessoas de seu passado: o professor de segundo grau que gritou com você no refeitório, o menino que intimidava quando você tinha 9 anos de idade, o professor da faculdade que lhe deu uma nota baixa em um trabalho, o seu primeiro namorado, até mesmo a cidade caipira em que você cresceu – as possibilidades são ilimitadas. A culpa é essencial na arte de ser um sofredor.

Exercício: Ligue para um de seus pais e diga a ela ou a ele que você acaba de lembrar de algo horrível que fizeram quando você era uma criança, e certifique-se que ele ou ela entenda quão terrível aquilo fez você se sentir, e que você ainda está sofrendo com isso.

10. Não desfrute os prazeres da vida. Ter prazer em coisas como comida, vinho, música e beleza é para pessoas volúveis e superficiais. Diga isso a si mesmo(a). Se você, inadvertidamente, descobrir-se desfrutando algum sabor, música ou obra de arte, lembre-se imediatamente que estes são prazeres transitórios, que não podem compensar o estado miserável do mundo. O mesmo se aplica à natureza. Se você acidentalmente encontrar-se apreciando uma bela vista, uma caminhada pela praia, ou um passeio por uma floresta, pare! Lembre-se de que o mundo está cheio de pobreza, doença e devastação. A beleza da natureza é um engano.

Exercício: Uma vez por semana, envolva-se em uma atividade que deveria ser agradável, mas faça isso enquanto pensa em como ela é inútil. Em outras palavras, concentre-se na remoção de toda a sensação de prazer da atividade prazerosa.

11. Rumine. Gaste uma grande parte do tempo focado em si mesmo. Preocupe-se constantemente com as causas de seu comportamento, analise seus defeitos e remoa seus problemas. Isso ajudará a promover uma visão pessimista da vida. Não se permita tornar-se distraído por alguma experiência ou influência positiva. O objetivo é garantir que até mesmo pequenas perturbações e dificuldades pareçam ser enormes e portentosas.

Você pode refletir sobre problemas dos outros ou do mundo, mas torne-os sobre você. Seu filho está doente? Reflita sobre como é um fardo para você tirar uma folga do trabalho para cuidar dele. Seu cônjuge é magoado por seu comportamento? Concentre-se em quão terrível isso faz você se sentir quando ele/ela mostra como você o(a) faz sentir. Ruminando não só sobre seus próprios problemas, mas também os dos outros, você parecerá ser um pensador profundo e sensível que carrega o peso do mundo sobre seus ombros.

Exercício: Sente-se em uma cadeira confortável e procure sentimentos negativos, tais como raiva, depressão, ansiedade, tédio, qualquer coisa. Concentre-se nesses sentimentos por 15 minutos. Durante o resto do dia, mantenha-os na parte de trás de sua mente, não importa o que você estiver fazendo.

12. Glorifique ou difame o passado. Glorificar o passado é dizendo a si mesmo como a vida era boa, feliz, afortunada, e como valia a pena viver quando você era uma criança, um jovem ou um recém-casado(a) – e lamentando como tudo foi ladeira abaixo desde então. Quando você era jovem, por exemplo, você era glamorosa e dançava samba com homens bonitos na praia no crepúsculo, e agora você está em um casamento assim-assim com um regulador de seguros em Cuiabá. Você deveria ter casado o alto e moreno Antonio. Você deveria ter investido na Microsoft quando teve a chance. Em suma, concentre-se no que você poderia ter sido e deveria ter feito, em vez de o que você fez. Isto vai certamente tornar você infeliz.

Difamar o passado também é fácil. Você nasceu no lugar errado na hora errada; você nunca teve o que precisava, você se sentia discriminado; você nunca for a um acampamento de verão. Como você pode ser feliz quando você teve antecedentes tão ruins? É importante pensar que as más lembranças, erros graves, e eventos traumáticos foram muito mais influentes na sua formação e em seu futuro do que boas lembranças, os sucessos e os acontecimentos felizes. Concentre-se nos maus momentos. Torne-se obcecado sobre eles. Valorize-os. Isso lhe garantirá que, não importa o que está acontecendo no presente, você não será feliz.

Exercício: Faça uma lista de suas más recordações mais importantes e mantenha-a onde possa revê-la com frequência. Uma vez por semana, conte a alguém sobre sua infância horrível ou quão melhor era a sua vida 20 anos atrás.

13. Encontre um parceiro romântico para reformar. Certifique-se de que você se apaixone por alguém com um grande defeito (colecionador de gatos, jogador, alcoólatra, mulherengo, sociopata), e comece a reformá-lo(a), independentemente de ele ou ela querer ser reformado(a). Acreditamos firmemente que você pode reformar essa pessoa, e ignore todas as evidências em contrário.

Exercício: Vá para sites de namoro online e veja quantas más escolhas você pode encontrar em uma tarde. Envide esforços para encontrar essas pessoas. É bom se o site de namoro cobra muito caro, já que isso significa que você estará emocionalmente carente e pobre.

14. Seja crítico(a). Certifique-se de ter uma interminável lista de desgostos e expresse-os com frequência, tenha ou não sido solicitada a sua opinião. Por exemplo, não hesite em dizer: “É isso que você escolheu vestir esta manhã?” ou “Por que a sua voz é tão estridente?” Se alguém está comendo ovos, diga-lhe que você não gosta de ovos. Sua negatividade pode ser aplicada a praticamente qualquer coisa.

Ajuda bastante se as coisas que você critica são muito apreciados pela maioria das pessoas, de modo que seu desagrado a distinga deles. Não gostar do tráfego e de mosquitos não é suficientemente criativo: todo mundo sabe como é encontrar essas coisas irritantes, e eles não prestarão muita atenção se você achá-los chato também. Mas não gostar do novo filme que todos os seus amigos estão elogiando? Você vai encontrar muitas oportunidades de contrariar críticas elogiosas dos seus amigos com a sua opinião contrária.

Exercício: Faça uma lista de 20 coisas de que você não gosta e veja quantas vezes você pode inseri-las em uma conversa ao longo do dia. Para melhores resultados, não goste de coisas que você nunca se deu a chance de gostar.

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Acabei de listar 14 maneiras de se tornar infeliz. Você não tem que adotar cada uma delas, mas mesmo se você tiver sucesso com apenas quatro ou cinco, certifique-se de repreender a si mesmo(a) regularmente por não ser capaz de adotar a lista inteira. Se você estiver no consultório do(a) terapeuta – porque alguém que ainda está agarrado ao seu amor por você lhe enganou e induziu a fazê-lo – certifique-se de que seu sofrimento pareça orgânico. Se o terapeuta esclarece você qualquer forma ou lhe ensina técnicas de mente-corpo para acalmar sua mente ansiosa, certifique-se de cooptar a conversa e falar sobre seus sonhos cheios de sofrimento da noite anterior. Se o terapeuta é especializado em análise de sonhos, comece rapidamente a reclamar do custo da própria terapia. Se o terapeuta utiliza as suas queixas como uma rampa de lançamento para discutir questões de transferência, acuse-o(a) de ter problemas de contratransferência. Em última análise, o terapeuta é seu inimigo ao tentar cultivar sofrimento em sua vida. Assim, saia o mais rápido possível. E se acontecer de você encontrar um(a) terapeuta que se sente em silêncio enquanto você traz todos os 14 itens nesta lista à tona a cada semana, me ligue. Eu vou querer fazer uma consulta também.

Cloe Madanes é uma inovadora mundialmente renomado e professora de família e terapia breve e um dos autores da abordagem estratégica à terapia familiar. Ela é autora de sete livros que são clássicos no campo: Terapia Familiar Estratégica; Por trás do espelho transparente; Sexo, Amor e Violência, o Significado Secreto do Dinheiro, a Violência dos Homens, o Terapeuta enquanto Humanista, Ativista Social e Pensador Sistêmico, e Descober do Relacionamento. Contato:  madanesinstitute@gmail.com  .

Publicado em: http://www.alternet.org/personal-health/14-habits-highly-miserable-people?paging=off&current_page=1#bookmark

La Recherche du temps perdu ou para os íntimos, a Horta da Luzia

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Os “veios” devem se lembrar do Pasquim. Era um tabloide publicado na década de 70 e 80 que se opunha ao regime militar e que reunia os intelectuais de esquerda, incluindo jornalistas e humoristas, o que dava um tom sui generis ao jornal. Foi o avô do CQC.

Foi lá que vi a expressão “horta da luzia”. Isso tem relação com uma expressão “você vai ganhar o que a Luzia ganhou atrás da horta”, mas no Pasquim significava uma espécie de exercício proustiano.

Pois é. Durante aquele período de minha existência que chamo de “verdadeira vida”, de 1968 a 1971, meu irmão, Nicola, alugou um apartamento na Rua da Consolação onde eu também acampava. Sim. Acampava porque era um acampamento, não um apartamento. Para se ter uma ideia, meu guarda-roupa era uma cama colocada em 45 graus contra a parede, com os cabides dependurados embaixo dela, no estrado, e cobertores, etc. sobre a parte inclinada. E eu dormia sobre um colchão no chão. Mas, era um lar…

Certa noite, eu e o Nicola, cada um em sua cama, no escuro, começamos a conversar sobre reminiscências da infância e da juventude e o assunto derivou para lembranças de quem morava onde.

Aí começamos pelo Seu Oracildes, à esquerda de nossa casa na Rua Marechal Deodoro, 99. Fisicamente à esquerda, porque o Seu Oracildes era de extrema direita. Em seguida vinha a Dona Coleta Mendes que morava em um apartamento anexo à casa do Donga, casado com a filha dela, Julieta e pais da Sueli.

Na direção norte ficava o seu Cefalini, mais tarde o Alírio e o Claudio Coutinho; depois vinha o açougue do seu Leôncio, pai do Oracildes, e a casa-cartório dele, que era tabelião; daí vinha o salão de cabeleleireira da Tia Nenê, irmã de minha mãe, anexo à casa-sapataria do Pedro Guerci, pais do Angelo e da Graça. Virando à esquerda, descendo a Dr. Pedro de Toledo ficava a casa do Armando Berozzi, com sua horta imaculada. Quando plantava pimentão, diziam que ele podava cada pé com alicate de cutícula. Um brinco. Mais abaixo a casa da Tia Nair, prima de minha mãe, mulher do Tio Otinho. O nome dele Otto Mathes. Meu ídolo. Montou o primeiro radio galena da cidade, sabia tudo sobre eletrônica e era completamente ateu. Abaixo da casa deles estava a casa do Fernando Castro, filho da minha professora do terceiro ano, D. Laura. O Fernando e o Tuca, filho da Tia Nair, um dia fugiram de casa. Lembro-me do fuzuê. Virando a esquina, na Rua Tupinambas, vinha a casa do Pedro Alemão, depois uma casa que não me recordo o nome e em seguida o Quinha Lemes, eletricista. Subindo a Francisco Maia havia a casa do Zé Policici, mais uma que não me lembro e fechava de novo na casa do Donga.

E assim íamos, intercalando lembranças sobre as pessoas, à medida que os nomes surgiam, e montávamos, quadra por quadra os residentes no centro velho da cidade, a partir de nossa casa.

Foi uma noite memorável.

Creepy…

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Pensamos sempre que certas coisas só acontecem com os outros, ou em outros países e outras circunstâncias. Mas isso não é verdade.

Outro dia, mencionei em postagem no Feicebuki que havia encontrado um livro da Editora Madras em minha estante e que não conseguia entender como isso ocorrera. O assunto rendeu alguns comentários no posting e também através do Skype onde eu mencionei, de passagem, que o livro já estava devidamente jogado no lixo seletivo.
Não sou paranoico e essa história de a NSA escutar e ler todo o tráfego de informações mundial é apenas uma notícia de jornal. Eu achava.
Na noite passada, por volta de 3:00hs, um leve toque de campainha acordou-me. Foi tão leve que nem a Edna, que tem sono leve, acordou.
Levantei-me, agasalhei-me, pois o frio era intenso e fui verificar a porta.
Tenho um portão intermediário entre o corredor da casa e o portão do jardim e dali eu olhei quem estava diante do portão. Um indivíduo de meia idade, loiro, um metro e noventa de altura, terno preto.

Daí ele perguntou: “Do you speak English?”
Bem, eu falo um pouco de inglês, então eu disse “Yes.”
(Vamos colocar a tradução do diálogo para facilitar.)
Aí o armário disse: “Senhor, esta é uma emergência. Posso falar com o senhor?”
Eu não costumo discutir com a palavra emergência, urgência, etc. Assim, abri o portão e fui até lá. Estranhei que meus cachorros, que normalmente fazem o maior carnaval nem sequer deram o ar da graça. Pensei, “muito frio… devem estar quentinhos na casinha…”
“Senhor, “ disse ele apresentando uma credencial, “meu nome é Bill. Sou do departamento HAZMAT, e esta é uma emergência. Precisamos ter acesso ao recinto de sua propriedade.”
Abri o portão e ele disse. “Por favor, senhor. Saia.”
Saí para a rua. Neste momento, a energia do bairro foi cortada.
Olhei para um lado e outro. Em cada ponta da rua, um cavalete, luzes e um indivíduo com uniforme da Eletropaulo, portando daquelas lanternas de controle de estacionamento de aviões se encarregava de desviar eventuais veículos; um furgão enorme, que estava estacionado um pouco acima, aproximou-se silenciosamente (provavelmente equipado com motores elétricos), estacionou diante de minha garagem e dele saltaram quatro pessoas, vestindo macacões herméticos, dois deles carregando uma caixa pesada.
Na penumbra, pois nunca fica totalmente escuro o bairro, mesmo faltando energia, percebi os movimentos precisos, ensaiados (provavelmente em um cenário que reconstituía o ambiente) com que eles saíram do furgão (certamente usavam equipamento de visão noturna) e se dirigiram à churrasqueira em meu quintal, onde armazeno o lixo seletivo da semana.

HAZMAT GEAR
De onde estava, pude ver que eles pegaram o lixo seletivo e colocaram na grande caixa, na qual existiam símbolos de perigo biológico e nuclear. Dois dos indivíduos saíram rapidamente trazendo consigo a caixa que colocaram no furgão. Os outros dois, portando o que parecia ser máquinas fotográficas, disparavam flash de luz ultravioleta na churrasqueira, ao redor dela, na lavanderia e no meu escritório. Em seguida saíram e também entraram no furgão.
Bill disse: “Senhor, obrigado por sua cooperação. Fotografamos suas estantes de livros e levaremos a Langley para análise. Caso exista mais contaminação, o senhor será informado e providenciaremos a remoção. Seus cachorros foram neutralizados com um pulso ultrasônico inócuo e devem acordar em seguida. Alguém entrará em contato para providenciar uma indenização.”

 

E entrou no carro preto estacionado atrás do furgão e os veículos arrancaram silenciosamente na noite. Olhei para a esquina e os cavaletes e os homens com as lanternas tinham desaparecido.
A energia foi restabelecida. Toda a ação levara menos de seis minutos. Voltei para dentro, para a cama, mas não consegui pegar no sono, pois a descarga de adrenalina foi forte.
Coisas estranhas acontecem…

Balanço anual ? Coisa de velho…

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Todo fim de ano é a mesma coisa. Começam os balanços de acontecimentos do ano como se fossemos todos contadores e nossas vidas reduzíveis a números.  Acho que os velhos começam a fazer isso, porque começam a ver chegar a hora da auditoria final.

Bem, para não fugir à regra, resolvi fazer o meu balanço e este foi o relatório dos auditores.

RELATÓRIO

A empresa atual é um “spin-off” de Souza & Filardo Cia. Ltda. constituída na década de 40 em Caconde – SP com um capital bastante limitado e transferida na década de 60 para São Paulo onde adquiriu uma sede. Esta empresa cresceu modestamente do ponto de vista de ativos permanentes, e privilegiou o investimento em tecnologia, conseguindo com isso uma produção de boa qualidade, atualizada, incorporando o estado da arte ao seu produto.

A empresa Querci & Filardo, objeto desse relatório, começou em 1973. Também começou com um capital bastante limitado, visto que os acionistas não haviam recebido ativos significativos de suas matrizes, além da incorporação de tecnologia ocorrida na produção daquelas empresas, o que representou um diferencial bastante importante no desenvolvimento do novo empreendimento.

Logo após a sua constituição, a nova empresa instalou-se em imóvel alugado no bairro de Perdizes, até que, aproveitando condições de mercado favoráveis captou recursos financeiros e adquiriu uma sede modesta no bairro de Pinheiros, financiada em longo prazo.  Um dos sócios entrara na sociedade com um veículo que servia para o desenvolvimento das atividades empresariais. Durante algum tempo, a empresa dedicou-se apenas à acumulação de capital e manutenção de veículos até que foram criadas as condições para iniciar a produção, o que ocorreu na década de 80.

Contando com sócios fieis à empresa – nenhum deles investia no mercado – o capital foi gradativamente crescendo, investimentos foram feitos principalmente no aperfeiçoamento dos produtos, na amortização do empréstimo para aquisição da sede, troca periódica da frota de veículos, alguns pequenos investimentos de longo prazo, e em uma sede secundaria no interior utilizada para lazer.

Amortizado o empréstimo para a aquisição da sede e existindo a necessidade de ampliação das instalações da empresa, uma nova sede foi adquirida mediante a venda da sede antiga, somado ao capital acumulado durante os anos e à venda da sede secundária.  A nova sede era bem mais ampla e permitia inclusive acomodar a empresa, incluindo o estoque da produção de maneira mais adequada. Estava um pouco desgastada e exigindo reforma, mas finalmente ficou adequada, embora que não fosse ideal.

Na virada do século, a empresa Souza & Filardo Cia Ltda, entrou em recesso, com a aposentadoria dos sócios, e transferiu  seus ativos às suas sucessoras, o que permitiu à Querci & Filardo adquirir uma segunda sede para sua mais recente “spin-off” –  Filardo, Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (E.I.R.L.) situada não muito distante da sede da Querci & Filardo Cia. Ltda.

Assim, ao final de 2012, a empresa encontra-se estabilizada, houve aumento de capital, tem um fluxo de caixa normal, um nível de ativos que lhe assegura uma posição confortável; foram feitos investimentos na sede da empresa, usando os serviços da subsidiária Filardo E.I.R.L. que resultaram em instalações confortáveis e esteticamente satisfatórias. Foram renovados equipamentos de ar condicionado e hidráulica, assim como renovada a frota de veículos.

Os sócios encontram-se no momento em boas condições de saúde, apesar do desgaste normal do uso. Alguns problemas que os afetaram nos últimos anos foram equacionados a contento.

Essa auditoria, portanto, é de opinião que a empresa é sólida, tem perspectiva positiva para os próximos anos, sendo recomendada a novos sócios que eventualmente se interessem em entrar para o grupo.

Evasão…

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Em outubro, durante um procedimento cirúrgico com anestesia geral, uma de minhas duas personalidades aproveitou e evadiu-se… Encontra-se agora em local incerto e não-sabido.

Estive no hospital, na seção de achados e perdidos, para ver se uma faxineira, ou alguém do staff tinha visto a personalidade vagando pelos corredores ou escondida em algum canto do prédio. Nada. Ninguém viu. Escafedeu-se.

Já era evidente o conflito entre ela e a outra, no espaço vital restrito em que operavam, mas isso não era esperado.

O problema é que era a melhor das minhas personalidades, aquela que demonstrava bom humor, curiosidade por novidades, uma saudável indisciplina e o gosto por coisas mais sofisticadas. Queria voltar à Universidade, mudar de partido político, cozinhar todos os pratos do mundo. Era um pouco irresponsável, verdade, mas eu sempre contei com a outra para mantê-la na linha, e foi provavelmente devido a este enquadramento que ela decidiu ganhar o mundo.

A esta altura, deve estar em Paris, sentada no Champs Elysees, tomando um rouge, curtindo a liberdade. De lá provavelmente vai para a Calábria conhecer a terra de meus antepassados italianos. De lá certamente irá mergulhar nas águas transparentes do Tahiti.

EL MUNDO SEGÚN CASCIARI

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Hernán Casciari es argentino, actualmente corresponsal de EL PAÍS de España. Esta es su interpretación de la relación entre países. Para compartir.

Leí una vez que la Argentina no es mejor ni peor que España, sólo más joven. Me gustó esa teoría y entonces inventé un truco para descubrir la edad de los países basándome en el ‘sistema perro’.

Desde chicos nos explicaron que para saber si un perro era joven o viejo había que multiplicar su edad biológica por 7. En el caso de los países hay que dividir su edad histórica entre 14 para saber su correspondencia humana. ¿Confuso?

En este artículo pongo algunos ejemplos reveladores.

Argentina nació en 1816, por lo tanto ya tiene 190 años. Si lo dividimos entre 14, Argentina tiene ‘humanamente’ alrededor de 13 años y medio, o sea, está en la edad del pavo.

Es rebelde, pajera, no tiene memoria, contesta sin pensar y está llena de acné (¿será por eso que le dicen el granero del mundo?

Casi todos los países de América Latina tienen la misma edad y, como pasa siempre en esos casos, forman pandillas.

La pandilla del Mercosur son cuatro adolescentes que tienen un conjunto de rock. Ensayan en un garaje, hacen mucho ruido y jamás han sacado un disco.

Venezuela, que ya tiene tetitas, está a punto de unirse a ellos para hacer los coros. En realidad, como la mayoría de las chicas de su edad, quiere tener sexo, en este caso con Brasil, que tiene 14 años y el miembro grande.

México también es adolescente, pero con ascendente indígena. Por eso se ríe poco y no fuma ni un inofensivo porro, como el resto de sus amiguitos, sino que mastica peyote, y se junta con Estados Unidos, un retrasado mental de 17, que se dedica a atacar a los chicos hambrientos de 6 añitos en otros continentes.

En el otro extremo está la China milenaria. Si dividimos sus 1,200 años por 14 obtenemos una señora de 85, conservadora, con olor a pipí de gato, que se la pasa comiendo arroz porque no tiene -por ahora- para comprarse una dentadura postiza. La China tiene un nieto de 8 años, Taiwán, que le hace la vida imposible.

Está divorciada desde hace rato de Japón, un viejo cascarrabias, que se juntó con Filipinas, una jovencita pendeja, que siempre está dispuesta a cualquier aberración a cambio de dinero.

Después, están los países que acaban de cumplir la mayoría de edad y salen a pasear en el BMW del padre. Por ejemplo, Australia y Canadá, típicos países que crecieron al amparo de papá Inglaterra y mamá Francia, con una educación estricta y concheta, y que ahora se hacen los locos. Australia es una pendeja de poco más de 18 años, que hace topless y tiene sexo con Sudáfrica; mientras que Canadá es un chico gay emancipado, que en cualquier momento adopta al bebéGroenlandia para formar una de esas familias alternativas que están de moda.

Francia es una separada de 36 años, más puta que las gallinas, pero muy respetada en el ámbito profesional. Tiene un hijo de apenas 6 años: Mónaco, que va camino de ser puto o bailarín… o ambas cosas. Es amante esporádica de Alemania, camionero rico que está casado con Austria, que sabe que es cornuda, pero no le importa.

Italia es viuda desde hace mucho tiempo. Vive cuidando a San Marino y al Vaticano, dos hijos católicos idénticos a los mellizos de los Flanders. Estuvo casada en segundas nupcias con Alemania (duraron poco: tuvieron a Suiza), pero ahora no quiere saber nada con los hombres.

A Italia le gustaría ser una mujer como Bélgica: abogada, independiente, que usa pantalón y habla de política de tú a tú con los hombres (Bélgica también fantasea a veces con saber prepararespaguettis).

España es la mujer más linda de Europa (posiblemente Francia le haga sombra, pero pierde espontaneidad por usar tanto perfume).. Anda mucho en tetas y va casi siempre borracha. Generalmente se deja follar por Inglaterra y Después hace la denuncia.

España tiene hijos por todas partes (casi todos de 13 años), que viven lejos. Los quiere mucho, pero le molesta que, cuando tienen hambre, pasen una temporada en su casa y le abran la nevera.

Otro que tiene hijos desperdigados es Inglaterra. Sale en barco por la noche, se tira a laspendejas y a los nueve meses aparece una isla nueva en alguna parte del mundo. Pero no se desentiende de ella. En general las islas viven con la madre, pero Inglaterra les da de comer. Escocia e Irlanda, los hermanos de Inglaterra que viven en el piso de arriba, se pasan la vida borrachos y ni siquiera saben jugar al fútbol. Son la vergüenza de la familia.

Suecia y Noruega son dos lesbianas de casi 40 años, que están buenas de cuerpo, a pesar de la edad, pero no le dan bola a nadie. Cojen y trabajan, pues son licenciadas en algo. A veces hacen trío con Holanda (cuando necesitan porro); otras, le histeriquean a Finlandia, que es un tipo medio andrógino de 30 años, que vive solo en un ático sin amueblar y se la pasa hablando por el móvil con Corea.

Corea (la del sur) vive pendiente de su hermana esquizoide. Son mellizas, pero la del norte tomó líquido amniótico cuando salió del útero y quedó estúpida. Se pasó la infancia usando pistolas y ahora, que vive sola, es capaz de cualquier cosa.

Estados Unidos, el retrasadito de 17, la vigila mucho, no por miedo, sino porque le quiere quitar sus pistolas.

Israel es un intelectual de 62 años que tuvo una vida de mierda. Hace unos años, Alemania, el camionero, no lo vio y se lo llevó por delante. Desde ese día Israel se puso como loco.

Ahora, en vez de leer libros, se lo pasa en la terraza tirándole piedras a Palestina, que es una chica que está lavando la ropa en la casa de al lado.

Irán e Irak eran dos primos de 16 que robaban motos y vendían los repuestos, hasta que un día le robaron un repuesto a la motoneta de Estados Unidos y se les acabó el negocio. Ahora se están comiendo los mocos.

El mundo estaba bien así, hasta que un día Rusia se juntó (sin casarse) con la Perestroika y tuvieron como docena y media de hijos. Todos raros, algunos mongólicos, otros esquizofrénicos.

Hace una semana, y gracias a un despelote con tiros y muertos, los habitantes serios del mundo descubrimos que hay un país que se llama KabardinoBalkaria. Un país con bandera, presidente, himno, flora, fauna….y ¡hasta gente!

A mí me da un poco de miedo que aparezcan países de corta edad, así, de repente. Que nos enteremos de costado y que, incluso, tengamos que poner cara de que ya sabíamos, para no quedar como ignorantes Y yo me pregunto:

¿Por qué siguen naciendo países, si los que hay todavía No funcionan?