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Reflexões sobre a Missão da Maçonaria

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Imaginemos que uma bela manhã a Policia Militar decidisse assumir a seguinte posição:

Os soldados deveriam dirigir-se aos seus respectivos quarteis onde passariam a polir suas botas, limpar suas armas, fazer a faxina, exercitar-se, fazer ordem unida, estudar a constituição e as leis penais, preparar trabalhos escritos que seriam lidos diante da tropa reunida no pátio do quartel. Ah, e o rancho. Todos os soldados e oficiais passariam a ter o rancho em conjunto.

Vez por outra, um soldado ou oficial seria homenageado com uma medalha, por exemplo, a melhor faxina das latrinas, ou a melhor manobra de ordem unida do mês. Eventualmente, a população seria convidada para ir ao quartel assistir exercícios de ordem unida.

Ao final do dia, o soldado ou oficial retornaria à sua casa para retornar ao quartel na manhã seguinte e repetir a rotina diariamente, por anos a fio, sem sair às ruas, naturalmente.

Pois é. Isso me parece familiar na vetusta instituição conhecida como Maçonaria. Mais ou menos como acontece nas Forças Armadas em geral. Muito quartel, muito salamaleque, muitas manobras, medalhas e só… Ah! E belas paradas organizadas em Sete de Setembro, garbosos oficiais decorados com dezenas de medalhas brilhantes e coloridas, espadas, continências, marchas hieráticas…

As tropas da Maçonaria, porém,  perderam o gosto pela luta, perderam o gosto pelas ruas, perderam o gosto pela política. Limitam-se a polir seus compassos e esquadros, lustrar os malhetes, fazer seus salamaleques, comer o rancho e voltar para casa.

Perdemos a noção de missão. As forças armadas têm a missão de proteger o país contra o inimigo externo (vez por outra esquecem disso e atacam o próprio povo, mas isso é exceção à regra), já a Polícia Militar tem a missão de fazer a proteção interna da população, preventivamente e fazer cumprir mandados do judiciário.

O treinamento em quarteis, em ambos os casos é a preparação para ter condições de cumprir suas missões.

E a Maçonaria? Qual a missão da Maçonaria?

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EVACUANDO

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Todas as pessoas que conheço estão procurando um sentido para a vida. Entre elas, acho que ninguém conseguiu. Exceto eu, naturalmente.  E vou compartilhar com vocês a minha descoberta. 

Tarammm!

Pois bem, o sentido da vida é procurar o sentido da vida. Simples assim.

Há pessoas que não se conformam com a falta de sentido da vida e definem um sentido pessoal para a própria vida.

Há pessoas que desistem de procurar o sentido da vida e simplesmente vivem a vida, ou melhor são levadas pelo rio da vida como uma rolha flutuando na corrente.  Para alguns a corrente é turbulenta, para outros é mais suave. Eu estou entre esses últimos.

Em meus quase 65 anos de vida, tomei apenas quatro decisões marcantes. O restante dos meus dias foram uma sequência de eventos sobre os quais eu não tive qualquer controle.

A primeira delas, aos quinze anos, quando resolvi abandonar a igreja católica, com a qual tinha estado em conflito desde sempre, ou melhor, desde que o padre me expulsou aos gritos do confessionários em minha primeira comunhão (já contei essa história por aqui). Identifiquei o padre estúpido com a sua religião estúpida e nunca realmente me liguei naquela baboseira toda que a tia Rosa passava no catecismo ou os padres em seus sermões idiotas. Assim que a decisão estava madura, escrevi uma carta ao João XXIII solicitando minha excomunhão.

A segunda decisão eu tomei aos 19 anos, quando decidi jogar para cima o emprego no banco.  Tinha entrado na faculdade, dava aulas particulares, dava aulas em cursinho e tocava a vida. Foram os únicos 18 meses de vida de verdade que tive em todos os 65 anos em que venho respirando, comendo, cagando e dormindo.

A terceira decisão foi um enorme engano que cometi e que teria mudado completamente o rumo de minha vida.  Em 1970, fui informado que a IBM estava recrutando funcionários com inglês e fui até lá. Nessa época, a IBM não passava de uma salinha na Rua Araujo e eu conversei com o gerente e fui aceito, ficando de dar uma resposta no dia seguinte.  E o idiota aqui não aceitou. Só porque o horário de trabalho era da meia noite às sete.  Cretino!

A quarta decisão (e última) foi quando resolvi entrar na Maçonaria. Vocês dirão: “Ah, mas ninguém decide entrar na Maçonaria. Você tem que ser convidado.”

Pois é. É assim mesmo. Mas eu sou bisneto de maçom e duas gerações de filhas mulheres impediram a sequência da tradição. Mas, eu tinha o Tio Afonso, irmão do meu avô, que era maçom, seus filhos, netos, sobrinhos, genros eram maçons.  Pedi a ajuda deles para me apadrinhar e finalmente fui recomendado a um irmão em Sampa que me apadrinhou. Essa decisão é neutra, pois não fez diferença na minha vida, já que a maçonaria brasileira está completamente inerte.

Posso dizer, entretanto, que sou feliz.  Nasci em uma excelente família cujo único defeito era o catolicismo, mas isso eu resolvi com a minha primeira decisão.

Meu pai era uma pessoa muito simples, para quem os filhos deveriam seguir a profissão do pai e acomodar-se passivamente diante da autoridade e da vida. Era uma pessoa absolutamente honesta e cumpridora de seus deveres e conseguiu transmitir esses valores aos filhos.  Mas, ele queria mesmo que ficássemos para sempre em Caconde, tocando a barbearia.

Minha mãe, por outro lado, era uma pessoa visionária (não consigo entender de onde ela tirou a sua determinação, lutando contra a corrente). Acho que foi graças a ela que escapei de ir para em um seminário como o meu primo Picido. Seriamos dois bispos na família. Ou pelo menos um, já que o Picido não aceitou o empreguinho quando o papa ofereceu e preferiu continuar chefiando a seita que ele criou.

Bem, já evacuei bastante por hora.  Voltarei ao assunto.

Manifestação sobre deportação de ciganos

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Sobre o discurso de Grenoble pelo Presidente da República em 30 de julho de 2010

Uma obediência maçônica não é um partido político e não deve se tornar um.

No entanto, o Grande Oriente de França não é uma obediência como as outras, ele associa a uma iniciação maçônica tradicional o envolvimento com a sociedade. Seu percurso republicano o levou a construir a República, seus valores, seus princípios, e é por isso que se envolve no debate público. Nem cortesão, nem partidário, o Grande Oriente de França deve tomar uma posição sobre as principais questões que afetam a república social, secular e democrática.

O discurso proferido em Grenoble pelo Presidente da República em 30 de julho, sem dúvida, merece ser lido na íntegra, mas mesmo assim determinados pontos merecem enérgicos comentários.

Citação:

“Da mesma forma, vamos reavaliar os motivos que levam à perda de nacionalidade francesa. Eu assumo minhas responsabilidades. A nacionalidade francesa deve poder ser retirada de qualquer pessoa de origem estrangeira que deliberadamente tenha atentado contra a vida de um militar ou policial, ou de qualquer outra pessoa investida de autoridade pública. A nacionalidade francesa é um mérito e é preciso se mostrar digno dela. Quando se ataca um agente da lei, não se é mais digno de ser francês. Espero também que a aquisição da nacionalidade francesa por um menor infrator no momento da sua maioridade não seja mais automático. ” (Sarkozy)

Para o Grande Oriente de França, se a aquisição da nacionalidade deve ser objeto de dispositivos mostrando a adesão do interessado à base de valores republicanos, especialmente no que diz respeito ao direito civil e devido respeito aos indivíduos, particularmente mulheres, a perda é um ato grav[issimo que deve ser limitada a fatos excepcionais e que não será, de todo modo, possívl a não ser após uma alteração ao artigo 1 º da Constituição, que estabelece a igualdade de todos cidadãos perante a lei, sem distinção de origem. Qualquer outra interpretação colocará esta proposta fora do campo republicano.

Citação:

“Finalmente, temos de admitir, devo dizer que sofremos as conseqüências de cinquenta anos de imigração insuficientemente regulamentada, o que levou a uma falha na integração. Somos tão orgulhosos de nosso sistema de integração. Talvez seja hora de acordar? Para ver o que ele produziu. Funcionou. Mas não funciona mais. Eu nunca me deixei intimidar pelo pensamento único. Ainda assim, é improvável que os jovens da segunda ou terceira geração se sintam menos franceses  que seus pais ou avós. Todos aqui podem dar seu testemunho. Todos. Todos vocês têm exemplos. Por que não o dizemos? Nós estamos com medo? A mim não é a constatação que assusta, é realidade. Não temos o direito a ser complacentes nesta área .” (Sarkozy)

O Grande Oriente de França, muitas vezes, chamou a atenção sobre o dispositivo de integração em toda a sua complexidade e sua especificidade, e o estudou especialmente durante a conferência de Calais. Mas ele ainda lembra sempre que a imigração é uma oportunidade para a França que deve assumir sua história colonial, assim como os desafios do envelhecimento da população. É, portanto, necessário mais e melhor integração contra a exclusão.

Citação:

“E é com este espírito que eu pedi ao ministro do interior que pusesse um fim aos assentamentos dos campos de Ciganos. Estas são áreas de ilegalidade que não podem ser toleradas na França. Não se trata de estigmatizar o povo Roma, de forma alguma. Temos, desde a lei Besson feito grandes avanços nas áreas colocadas à disposição deles. Quando eu me tornei ministro do Interior, em 2002, menos de 20% das áreas de estacionamento estava planejadas. Eu verifiquei com o ministro. Hoje, mais de 60% dos estacionamento legais estão prevoistos. Os ciganos que vêm para a França para se istalar em locais legais são bem vindos. Mas, como chefe de estado,  posso aceitar que existam 539 assentamentos ilegais em 2010, na França? Quem pode aceitar isso? Eu vi este ou aquele político dizia: “mas por que você se preocupa com isso, o problema não existe”. Ele não se coloca para um político cujo domicílio não é ao lado de um acampamento. Talvez sua opinião fosse diferente se a questão fosse com ele mesmo?”. (Sarkozy)

O Grande Oriente da França não tem qualquer necessidade de recordar a estigmatização de que são vítimas as pessoas desabrigadas e nômades; e constata muitas vezes a situação precária em que eles são jogados. Não há desculpa para os atos de criminalidade, delinquência ou violência de que alguns seriam autores ou responsáveis. Mas uma política determinada de localização, escolarização, e  integração responderá sempre melhor que a exclusão.

O Grande Oriente de França demonstrou já há bastante tempo que não é nem cego, nem frouxo e  que ele, naturalmente apoia as vítimas para que elas sejam defendidas em um estado de direito.

O estigma e a exclusão, a confusão e o amálgama não servem para resolver os problemas que apresentam.

Conforme a Declaração dos Direitos Humanos, apelamos para a construção de uma resposta republicana aos problemas apresentados onde a violência física é o ponto mais insuportável, e que passe por uma educação para a cidadania com seus direitos e seus deveres e escola emancipadora.

Maçonaria e a Conjuração Mineira – Algumas idéias

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Inúmeras vezes, vi e ouvi textos sobre a História da Maçonaria em que o autor, por imprecisão linguística ou, até mesmo, ignorância afirma que a maçonaria surgiu em 1717 e da mesma forma, que a maçonaria brasileira teria surgido em 1822. Confundem a consolidação de lojas em uma organização central, com a própria instituição. É verdade que no Brasil foi um processo meio português, onde na falta de lojas para consolidar, escolheu-se fracionar a única loja existente em três unidades, de forma a atender ao pré-requisito de formação de um Grande Oriente.

Esse “erro” é muito comum devido à tendência da historiografia tradicional se concentrar em datas e personagens históricos, em detrimento do contexto e das forças vivas da sociedade, que são os verdadeiros protagonistas da história.

A história da maçonaria oferece uma dificuldade adicional que é o segredo. Dessa forma, o acesso aos arquivos é difícil pois, muitas vezes, arquivos foram destruídos principalmente como resultado de perseguições ou ameaças de perseguição. Como bem lembrou o Dr. Alexandre Mansur Barata em sua dissertação de doutorado “Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada e Independência”, a falta de documentos pode ser suprida pela análise das consequências dos atos.

Essas “mal-traçadas linhas” são baseadas naquele excelente trabalho sobre a maçonaria brasileira no período de 1790 até 1822.

A questão aventada pelo ilustre irmão Jorge Cyrino foi em relação ao rito que seria seguido pelos conjurados. Na realidade, o rito é de somenos importância, se considerarmos que não há possibilidade de se saber se os conjurados maçons pertenciam a uma loja. O que podemos especular é sobre as influências que agiram sobre o movimento, à luz de outras informações sobre a maçonaria no século XVIII.

Mister se faz que se recue até 1717 quando da fundação da Grande Loja de Londres, esta sim, uma consolidação de quatro lojas maçônicas já existentes naquela cidade, a saber, a Loja da Taverna do Ganso e a Grelha, Loja da Taverna da Coroa, Loja da Taverna da Macieira e Loja da Taverna do Copo e as Uvas.

Esta Grande Loja arvorou-se em herdeira “direta e legítima da maçonaria operativa medieval”, e sofreu a influência dos protestantes John Anderson e do Pastor Desagulliers Homem de grande erudição e de forte personalidade foi ele, sem dúvida, quem abriu as portas das lojas aos judeus, muçulmanos e hindus. Até então, os ritos exclusivamente cristãos dos maçons operativos não permitiam essas adesões. É o que explica o aspecto agnóstico das Constituições de Anderson onde apenas se exige do postulante que “professe uma religião com a qual todos os homens concordem”. (Ir.´. Lucas Galdeano in http://www.freemasons-freemasonry.com/galdeano_tratado.html )

Estes maçons da Grande Loja de Londres eram os “modernos”.

Nos anos seguintes, foram fundadas as Grandes Lojas da Irlanda (1725) e da Escócia (1736) que adotaram uma posição mais conservadora e que se recusaram a reconhecer a Grande Loja de Londres, por conta da modernidade desta última, que não exigia a presença do Livro da Lei e permita a adesão de pessoas de diferentes religiões.

Em 1726, a maçonaria foi transplantada para a França por meio de uma loja inglesa que funcionava na taverna AU LOUIS D’ARGEN sob jurisdição Inglesa. Em 1728 é fundada a Grande Loja de França.

Entre 1735 e 1738 surgem, praticamente ao mesmo tempo, os ritos Francês – muito parecido com o “emulation”, mas com um viés jacobino e libertário – e o Escocês que vai pouco a pouco se desgarrando do rito tradicional, por força de influências de nobres católicos fugidos da Escócia e Inglaterra e que não podiam se contentar com a simplicidade do rito tradicional. Precisavam acomodar seus egos e seus títulos em uma ordem que os reconhecesse. Some-se a isso o fato de que as bulas papais tinham assinalado para os inquisidores determinando que “além de seu caráter secreto, a maçonaria era contrária à fé católica porque pressupunha a convivência entre homens de religiões diferentes. Essa ‘tolerância religiosa’ defendida pelos maçons era considerada pelos inquisidores como ‘imoral’, pois negava a religião revelada, caindo sobre aqueles que a defendiam a suspeita de heresia.” (Barata, p. 170). Os maçons católicos franceses preferiram ajustar o rito para ficar mais “soft” e poder ser palatável para a nobreza.

Em 1744, surge o rito Adonihramita, minoritário, originário de um erro tipográfico que gerou uma discussão estéril e, em consequência, mais um rito desnecessário.

Em 1751, maçons ingleses conservadores fundam a Antient Grand Lodge of England que se contrapunha aos “modernos” da Grande Loja de Londres. Eram os “Antigos” (No século seguinte, as Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia reconhecem a Grande Loja de Londres – mas, para isso esta tem que ceder em seus princípios e incluir a obrigatoriedade do Livro da Lei – e funda-se a GLUI – Grande Loja Unida da Inglaterra – que se arvora em Vaticano na Maçonaria.

De maneira geral, o panorama da maçonaria européia exibia a polaridade entre a maçonaria inglesa conservadora e a maçonaria francesa caracterizada pelo pensamento libertário que culminaria na Revolução Francesa. Além disso, diferentemente do que ocorria no “environment” inglês que era protestante, rompido com o Vaticano, a presença da Inquisição e da Santa Madre na França funcionou como a lei física da ação e reação.

Há que se considerar que o fluxo de informações nestes tempos era muito lento e a evolução e transferência de influências era difícil. Mas, os deslocamentos militares ofereciam uma agilidade incomum no trânsito de idéias, e muitos militares eram maçons, assim como comerciantes e aventureiros.

O panorama da evolução da Maçonaria tem como pano de fundo a crise do sistema colonial, o surgimento da industrialização inglesa que demandava novos mercados consumidores e a evolução do pensamento que culmina com o Iluminismo onde “baseados na razão (racionalismo), os iluministas contestavam a origem divina do poder real e defendiam a idéia de que o poder deveria emanar do povo e em seu nome ser exercido. Apesar de toda a oposição e censura dos Estados absolutistas, as idéias iluministas se difundiam e empolgavam os intelectuais, quer nas metrópoles, quer nas colônias.”

Portugal se encontrava sob o jugo da Espanha no Sec. XVII. A partir de 1640, a Inglaterra, muito desinteressadamente passa a proteger Portugal, que recentemente recuperara sua independência.

Mais tarde, em 1661, os holandeses assinaram o acordo da Paz de Haia, reconhecendo o domínio português sobre o Nordeste brasileiro e a região africana de Angola. Em troca, os portugueses aceitaram a dominação holandesa em suas possessões do Oriente e pagaram uma indenização de quatro milhões de cruzados (moeda portuguesa) à Holanda.

A Inglaterra, que já se impunha como nova potência marítima, serviu de intermediária nos acordos entre flamengos e lusitanos.

Em troca do apoio a Portugal, a Inglaterra ficou com os domínios portugueses de Tânger (África) e Bombaim (Ásia), e a permissão para o trânsito de mercadores ingleses no comércio português da Índia. Por acordo, que culmina com o casamento entre a princesa Catarina (portuguesa) e o rei Carlos II (inglês), Portugal recebeu da Grã-Bretanha dois milhões de cruzados, suficientes para quitar metade da indenização prometida à Holanda. Pela outra metade, os portugueses tiveram de pagar juros em libras aos britânicos.

Com isso, a Inglaterra passou a influenciar Portugal, com quem estabeleceu uma aliança econômica e política. Através dessa aliança, torna-se o principal fornecedor de manufaturas inglesas às colônias portuguesas. Quebra-se o domínio comercial holandês e os britânicos substituem os flamengos enquanto grande potência pré-capitalista.

A partir do século XVII, após a expulsão dos holandeses, o Brasil tornou-se a mais importante colônia portuguesa. Isso porque a Coroa lusitana perdera pontos comerciais

importantes nos acordos com a Holanda e a Inglaterra, tendo que voltar- se integralmente à exploração econômica na colônia brasileira.

Assim é que em 1703, Portugal enfraquecido e dependente dos ingleses assina o Tratado de Panos e Vinhos, aumentando a penetração da Inglaterra na sociedade portuguesa via comércio, o que leva a um aumento da população de ingleses no Reino, tanto no continente e nas ilhas quanto nas colônias. E estes comerciantes são os arautos da boa nova – a maçonaria.

Assim é que em 1727 é fundada uma Loja Maçônica em Lisboa, alcunhada pela Inquisição de “Hereges Mercantes” composta de comerciantes ingleses e em 1733 funda-se outra loja “Casa Real dos Pedreiros Livres de Lusitânia, composta de católicos irlandeses. Observe-se que o lapso entre a organização da Grande Loja da Inglaterra e a fundação de lojas em Portugal é muito curto, o que poderia indicar que se tratava de maçons ingleses, de lojas organizadas antes da fundação da GL de Londres.

1738. Uma data muito importante para os maçons.

Naquele ano, Clemente XII publica a In Eminentis, encíclica em que determina a excomunhão dos católicos que pertencessem à Maçonaria. Em Portugal, a Casa Real dos Pedreiros Livres, composta por católicos irlandeses imediatamente se dissolve em obediência ao Papa.

Em 1742, é fundada uma loja de influência francesa, presidida pelo suiço Johann Coustos e que seria ferozmente perseguido pela Inquisição.

Os autos da inquisição dessa época estão cheios de incidentes envolvendo Pedreiros Livres, o que indica ter havido uma difusão das idéias maçonicas entre os portugueses.

Em 1751, a Santa Madre volta a atacar com uma segunda bula, a Providas de Benedito XIV que agrava a situação dos maçons que se recolhem para não sofrer consequências.

Nos autos da inquisição, fica evidente que a maçonaria francesa, revolucionária, liberal representava uma ameaça ao status quo. Entre as perguntas a serem feitas às testemunhas, havia:

Se alguma pessoa afirma que a Confissão Sacramental só se deve fazer para receber o escrito, dizendo com estas palavras – para o Recibo, para se não andar com estórias e abusos da Excomunhão. Outrossim, que louve aos Pedreiros Livres com especialidade os da França, (grifo meu) afirmando que estes eram a melhor gente que havia e que eram bons homens.” (IANTT, Inquisição de Lisboa, Maço 38, n. 411).

Com a ascensão do Marques de Pombal, para muitos um maçom dedicado, cujo governo propiciou grande liberdade aos maçons portugueses e também aumentou a influência da maçonaria francesa, via contratação de mercenários franceses empregados no governo português. Em 1777 cai Pombal cai e os reacionários portugueses retomam o poder.

Mas, retrocedamos ao início do Século XVIII quando o colonialismo e o mercantilismo desmorona e os ingleses assumem a liderança com sua novel indústria.

Portugal havia se enterrado em dívidas e quem havia financiado eram os ingleses, de olho no grande mercado representado pelas possessões portuguesas. Para adicionar mais um problema, Portugal expulsa os holandeses que produziam e comercializavam o açúcar. Os holandeses mudam-se para as Antilhas levando mudas de cana e começam a plantar cana e produzir açúcar ali. Como eles detinham o circuito de comercialização mundial da commodity, os portugueses perderam mercado e o preço desabou, comprometendo a economia portuguesa. A saída foi incrementar a busca por metais preciosos que já ocorria, mas que a partir daí tornou-se crucial. Havia que se pagar as dívidas.

Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, o Brasil passa a ser o centro do império português e um grande polo de atração de imigrantes e aventureiros, entre eles muitos maçons.

Conforme Barata, “É bem possível que até o final do século XVIII, a Maçonaria não funcionasse na América Portuguesa, entendendo-se por tal uma organização institucionalizada e com funcionamento regular nos mesmos moldes das outras organizações maçônicas internacionais.”

Durante o século XVIII, portanto, maçons europeus transitavam pelo Brasil e se estabeleciam no norte e no Rio de Janeiro e estavam ligados às lojas-mães, sem que haja evidências, a não ser na tradição oral, de terem constituído lojas locais.

As lojas-mães de alguns destes maçons tinham influência inglesa e, provavelmente, conheciam e praticavam o rito tradicional da Grande Loja de Londres que chegou aos nossos dias como Emulation ou York.

Outra parte desses maçons, todavia, foi influenciada por lojas de origem francesa, mais libertarias e revolucionárias, mas que também, provavelmente, conheciam e praticavam um rito praticamente idêntico ao rito inglês, com traços iluministas de anti-clericalismo e ‘republicanismo’ característicos da maçonaria francesa desde seu princípio.

Tanto em Portugal quanto no Brasil, as referências à ameaça dos Pedreiros-Livres são, na maior parte das vezes, relacionadas com a França, pois a maçonaria inglesa não representava uma ameaça ao status quo da monarquia portuguesa.

Tal receio foi alimentado pela publicação em 1797, em Londres, do famoso livro do Abade Barruel, Memoires pour servir à l’histoire du Jacobinisme, cuja tese principal era que a Revolução Francesa teria sido tramada nas lojas maçônicas. (Barata, p. 48)

Em 1799, na Bahia, procedeu-se um sumário de culpa contra o Padre Agostinho Gomes “tendo em vista que era do conhecimento geral em Lisboa que as ‘principais pessoas’ da cidade de Salvador ‘por uma loucura incompreensível, e por não entenderem os seus interesses, se acham infestas dos abomináveis princípios franceses” (grifo meu) (Barata, p. 44)

Em 1794, Caetano José Pinto foi denunciado por supeita de pertencer à maçonaria, tendo em vista ouvir dizer que ele “conhecera Pedreiros Livres, e que o chegaram a convidar para seu sócio, o que não afirmo com toda certeza, assim como também se ele disse ter-lhe sucedido isto no Porto ou em França por onde viajou (grifo meu)”. (Barata, p. 45)

Segundo Augusto de Lima Junior, in História da Inconfidência de Minas Gerais, “Tiradentes teria sido iniciado na maçonaria no Rio de Janeiro, e os maçons cariocas teriam articulado a aproximação de Thomas Jefferson, embaixador norte-americano na França e o estudante carioca da universidade de Montpellier, José Joaquim da Mata, no sentido de tentar obter o apoio dos Estados Unidos à revolta na colônia portuguesa. José Joaquim da Maia teria se apresentado como um delegado dos pedreiros-livres do Rio de Janeiro“. (Augusto de LIMA JUNIOR, História da Inconfidência Mineira).

Nos Autos da Devassa da Inconfidência surgiu a “suposição da existência de uma loja maçônica formada por comerciantes da praça do Rio de Janeiro que teriam fornecido a credencial maçônica necessária para que José Joaquim da Maia, o Vendek, estudante brasileiro na Universidade de Montpellier se encontrasse comm o embaixador norte-americano na França, Thomas Jefferson, com o objetivo de conseguir o apoio dos Estados Unidos para a revolta que se articulava em Minas Gerais. E também o fato de que muitos desses comerciantes maçons tenham sustentado os inconfidentes mineiros durante o período em que estiveram presos no Rio de Janeiro à espera da sentença final.”

Conforme Alexandre Barata, “A presença de maçons numa vila interior da capitania do Grão-Pará no início do século XIX (1803) sugere que a sociabilidade maçonica estava muito mais dispersa na América Portuguesa. Mas, uma outra surpresa trazia o relato de José Bernardo: a sua iniciação maççônica teria acontecido em Caiena, por ocasião da conquista daquela possessão francesa.” (grifos meus)

Em outro ponto: “Seu crime era o de ser pedreiro-livre. Pelo que consta de sua confissão, teria sido iniciado na maçonaria em julho de 1791 a convite de dois franceses, negociantes como ele.” (grifo meu)

“No início do século XIX, diversas lojas maçônicas começaram a funcionar, ora se filiando à Obediência Francesa, ora à portuguesa. O Rio de Janeiro, a Bahia e Pernambuco se transformaram em espaços de crescente efervescência maçônica.” (grifo meu)

Segundo manifesto de José Bonifácio de Andrada e Silva, a primeira loja maçônica a ter funcionamento regular no Brasil for a Reunião, fundada em 1801 em Niterói e filiada, dois anos depois, ao Grand Orient de l’Ile de France. (grifo meu)

Concluindo e voltando à indagação inicial sobre o rito sob o qual operavam os conjurados da Inconfidência Mineira, tem-se que a maior probabilidade é que fosse o rito de emulação “‘moderno” em sua vertente jacobina e francesa, vez que tanto a maçonaria portuguesa quanto a nascente maçonaria brasileira exibem laços e influências importantes da Maçonaria Francesa.

Confiteor

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1955 – um ano memorável não só pela excelente safra de Brunello de Montalcino, mas porque naquele ano passei por duas experiências fundamentais em minha vida.

Minha família tem ou tinha uma predominância de católicos: minha avó materna pertencia à Congregação do Sagrado Coração de Jesus e era a zeladora da igreja; minha mãe era Filha de Maria quando jovem e depois pertenceu ao Apostolado da Oração; minhas tias Dadá, Nenê e Dora também foram Filhas de Maria na juventude e eram do Apostolado da Oração; minha avó paterna era italiana e católica (como se precisasse dizer), assim como todas as irmãs de meu pai, particularmente Tia Rosa que era Filha de Maria, soprano no coro da igreja e professora de catecismo.

Meu Tio Chico e meu pai foram congregados marianos até o Vaticano II, meu tio Pedro e meu tio Nego tinham origem judaica (não seguiam a religião e não sabiam por que, mas também não eram católicos) e, finalmente, meu tio-avô Afonso e seus filhos e netos eram bodes de quatro costados. Exceto por um dos netos, Monsenhor Picido, ovelha-negra da família que não se contentando em se ordenar padre, ainda fundou uma ordem que é prelazia pessoal do Benedito…

Meu bisavô materno também era bode, secretário de loja, mas como só teve uma filha e esta filha teve quatro filhas, houve uma interrupção que somente viria a ser retomada por mim e por meu falecido primo Angelo.

Naquele distante ano, aos sete anos de idade, fui apresentado à humilhação, ao ódio e também ao êxtase…

Parece um exagêro, considerando a pouca idade que tinha à época, mas guardadas as devidas proporções, duas experiências determinaram minha vida em idade adulta.

É curiosa a maneira como as emoções imprimem os eventos em nossa lembrança. A lembrança mais antiga que tenho foi quando rachei a cabeça ao cair de um muro. Eu vi a goiaba e calculei mal. Ao me inclinar para colhê-la, caí de cabeça no chão na quina de um tijolo. No momento do fato, nem me importei e ao voltar para casa, encontrei uma vizinha, Sueli, que começou a gritar quando viu minha cabeça ensanguentada. O resultado foi uma cabeça raspada, uma dezena de pontos, uma lembrança e a incômoda sensação, hoje, de que aquela queda teve consequencias físicas para meu cérebro.

Mas, esta é outra história. Em 1955, eu me preparava para a primeira comunhão. Minha professora de catecismo eram a Clélia e minha tia Rosa. A habitual baboseira de Adão e Eva, pecado original, jesus maria josé, o pacote todo.

Naqueles tempos sombrios, era obrigatório se confessar antes da comunhão e por mais absurdo que seja, até mesmo os pirralhos da primeira comunhão precisavam passar pelo confessionário.

Dessa forma, a turma daquele ano foi reunida na igreja para o ato. No confessionário o Padre Pedro Jarussi. Padres já não prestam por natureza. Este padre em particular era um indigente intelectual e moral. Não admira que ao final tenha abandonado o sacerdócio e se amasiado com uma paroquiana que trabalhava como sua governanta na casa paroquial.

Bem, eu ajoelhei-me ao confessionário, sem entender o que devia fazer e, com isso, a confissão não saia.

O canalha do padre Pedro saiu do confessionário possesso e expulsou-me aos berros de “Vá fazer o exame de consciência!…”

Isso, diante de todos os presentes, humilhando-me e despertando em mim o ódio por ele e por tudo o que ele representava. Minha tia orientou-me quanto às respostas que devia dar ao canalha, acabei cumprindo a obrigação e fiz minha primeira comunhão com ódio no coração.

O outro evento que me marcou para sempre foi o enterro de meu tio-avô Afonso, também ocorrido em 1955.

Hoje, eu acho que o tio Afonso era Past-GADU ou GADU-Adjunto, tamanho o número de irmãos que compareceram ao seu funeral. Dezenas de estandartes de lojas e os maçons envergando os mais diferentes aventais do Rito Escocês em todos os graus.

Naquela época, os velórios eram realizados na própria residência do defunto (ainda é assim em muitas cidades pequenas). Em seguida, o corpo era levado à igreja, encomendado com ou sem missa de corpo presente (dependia da importância do finado ou de quanto ele tinha contribuído em dinheiro) e daí descia a ladeira até o cemitério.

Meu tio Afonso, no leito de morte, deixou bem claro que não queria a presença de padres ou que o corpo fosse levado à igreja e, assim, o féretro saiu diretamente de sua casa para o cemitério. Um cortejo enorme, colorido pelos aventais dos maçons e pelos estandartes das lojas. Decidi extático que também seria maçom. Foi uma epifania!

Depois disso, apesar de minhas intenções subversivas, continuei frequentando a igreja e suas típicas manifestações de superstição. Gostava particularmente das missas cantadas da semana santa, era apóstolo na pantomima da paixão todos os anos, graças à influência de minha avó; conseguia assistir às missas lá no coro da igreja, graças à Tia Rosa; ia às procissões de madrugada, marchando junto com os congregados marianos entoando “Queremos deus, homens ingratos…” e até mesmo fui crismado (há evidência fotográfica, não posso negar…). Não consegui descobrir a data exata, mas eu deveria estar com uns doze anos nesta época e entrara no ginásio.

Na segunda série ginasial, ou seja, com uns treze anos, estava assistindo à missa em companhia de um colega, o Silvinho, e no momento da consagração fiz uma observação do tipo “agora vão levantar a saia do padre…” que provocou em ambos um ataque de riso incontrolável.

Não deu outra. Lá veio o Roque Ielo (a.k.a. Rock Yellow), um farmacêutico carola que se considerava dono da Igreja e, pela segunda vez na vida, fui expulso do templo…

Foi a gota d’água. Eu era excelente aluno de inglês, capaz de escrever alguma coisa. Não tive dúvida. Escrevi uma carta ao papa de plantão, no caso o Angelo Roncalli, a.k.a. Joãozinho Quase, pedindo meu desligamento e excomunhão da santa madre. Jamais recebi resposta. Uns incompetentes.

Mas, recentemente, o finado Irmão Paulo de Tarso Liberalesso que me alcunhou Apóstata, esclareceu que eu deveria ter encaminhado o pedido via Núncio Apostólico. Valeu a intenção.

Toquei minha vida com todos os altos e baixos, tornei um adversário ferrenho e ativo da santa madre, liderando movimentos de resistência e oposição aos padres cada vez mais idiotas que ocuparam a paróquia.

E, filosoficamente, derivei para a esquerda mantendo uma posição panteista com relação ao departamento religião.

Os anos passaram e tendo estabilizado minha vida profissional e pessoal, decidi que tinha chegado a hora de reivindicar o que sentia ser meu direito, como descendente do velho Mestre Marciano.

Assim, através de meus primos bodes, fui recomendado a uma loja da Glesp em São Paulo, onde residia.

Minha senda começou no Cemitério São Paulo. Eu e meu compadre Chico fomos arrebatados, vendados, jogados no porta-malas de um veículo (parecia uma captura de subversivos pela repressão…) e saimos rodando pela cidade. Perdi totalmente a noção de tempo e espaço e depois do que pareceu uma eternidade, vi a luz… e consegui, finalmente, realizar minha excomunhão da santa madre, por força da bula do Clemente XII.

Corria o ano de 1980. Em 81 era companheiro. Em 82 era mestre e em 84 era Orador. Em 85, Venerável.

Mas, eu estivera lendo sobre maçonaria desde os 13 anos, na biblioteca municipal, nas bibliotecas de meus primos, onde pudesse, e a maçonaria que eu criara na minha mente era a maçonaria gloriosa de Gonçalves Ledo, dos Andradas, Simon Bolivar, Jose Marti, da Revolução Americana, Thomas Jefferson, Giuseppe Garibaldi e tantos outros.

E a maçonaria que se me apresentava era um arremedo daquela poderosa e influente instituição que eu fantasiara. E eu não me conformava. Estava convencido de que meus primos tinham me recomendado para alguma coisa que era uma espécie de escola de maçonaria e que só depois disso eu entraria na verdadeira Maçonaria.

Aproveitando um convite oportuno em 1986, transferi-me para outra loja, enorme, funcionando na sede da Glesp, à qual pertencia o próprio Grão Mestre. A coisa melhorou, a política corria solta, ainda que somente internamente, e eu ainda não conseguia ver a ação efetiva da Ordem sobre a sociedade. Aproximei-me do Grão Mestre e, imprudentemente, sugeri uma ação mais ampla. O Grão-Mestre responde: “Não adianta, meu irmão, porque maçom é assim: você dá a mão, ele quer o braço”.

Meu queixo caiu. A mais alta autoridade da obediência ter esta opinião de seus irmãos!

Eu havia publicado na revista da Glesp – A Verdade – (curioso é que este era também o nome do jornal do partido comunista soviético – Pravda) uma idéia que me ocorrera e que visava dinamizar a ação da Maçonaria na sociedade: http://www.metaportal.com.br/P81N/origem.pdf

O Grão-Mestre, com sua sabedoria e sensibilidade imensas, baixou um decreto ordenando à Grande Secretaria que em hipótese alguma eu poderia me aproximar do cadastro da Grande Loja. Acho que ele receava que eu utilizasse o cadastro para o projeto, fizesse política e enfraquecesse suas bases de poder.

Enfiei minha viola no saco e deixei a GLESP, com planos de retornar quando ela fosse dirigida por mentes mais esclarecidas, o que não ocorreu nos anos seguintes.

Afastei-me da vida maçônica por alguns anos até que fui convidado a retornar, dessa vez no GOB, em uma loja do rito escocês.

Com o passar dos anos e com os estudos que a própria maçonaria havia induzido, minhas convicções no departamento religião também haviam evoluído, e a religiosidade do rito escocês passou a incomodar-me.

A Maçonaria exige a crença em um Princípio Criador, ou seja, uma categoria filosófica abrangente que consegue abrigar os mais diferentes conceitos, inclusive a teoria do evolucionismo e da seleção natural.

A maior parte dos maçons, contudo, devido às suas origens cristãs e deistas, restringe este amplo conceito da maçonaria, entendendo que o Princípio Criador da maçonaria equivale ao mesmo conceito do deus de abraão. Entre os maçons que fazem isso, estão os Escocistas.

Mas, diferentemente da GLESP, o GOB tem uma visão mais ampla e oferece um menu de ritos mais diversificado, que atende às diferentes personalidades e demandas, sem desfigurar o conceito do Princípio Criador. E entre os ritos encontra-se o Rito Moderno, onde a questão religiosa não é colocada, vez que é de foro íntimo.

No entanto, mesmo tendo encontrado um nicho satisfatório do ponto de vista pessoal, sinto que as lojas localizadas nos grandes centros, independentemente do rito que adotem, não atuam e sequer têm a possibilidade de atuar da forma como a maçonaria gloriosa atuava.

Nos pequenos centros a Ordem ainda consegue influenciar os destinos da sociedade cooptando os líderes, ao mesmo tempo em que preserva a instituição através da preservação do ritual e estrutura das lojas.

As lojas dos grandes centros, por outro lado, são heterogêneas demais, abrigam irmãos originários de diferentes geografias dentro das metrópoles, e com isso não conseguem galvanizar o interesse dos membros da loja em torno de ações objetivas. O lamentável resultado é que a loja se volta para dentro e se limita, com raras exceções, apenas a seguir o ritual pelo ritual.

Um dos objetivos ambiciosos do Projeto 81 Nós, (www.metaportal.com.br/P81N ) que finalmente consegui implementar graças à Internet, é que os seus membros, ao descobrir a existência de outros irmãos próximos à sua residência, os procurem e proponham ações conjuntas em benefício da coletividade na qual estão inseridos.

Sonho? Pode ser. Mas é o que me motiva no momento.

Gosto da imagem do eterno retorno, mas com o viés de espiral ascendente.

Em vejo minha vida maçônica como uma espiral. Entrei em uma loja cujo nível cultural e espiritual deixava a desejar, prossegui em outra loja que estava um andar acima, mas que ainda não representava o ideal de loja que eu tinha; a passagem para o GOB também representou, a meu ver, um progresso e dentro do GOB, a ida para o rito moderno foi mais uma volta da espiral ascendente. Agora, provavelmente vou filiar-me à Loja Fernando Pessoa que dentro do rito moderno adota um formato de sessão que nos remete às origens da Grande maçonaria: a discussão de questões importantes ligadas à sociedade e aos problemas do mundo.

Talvez seja a última volta da espiral.  Só espero que ao final dessa volta não seja a porta de saída.

O Símbolo Perdido, Dan Brown

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Fiquei impressionado com o livro do Dan Brown, “O Símbolo Perdido” que terminei de ler hoje.

Estou pensando seriamente em entrar para a Maçonaria.  Se alguém puder me indicar, me mande um e-mail, please.

Não deixem de ler o livro quando estiver disponível. Ele levanta o véu um pouquinho mais do que devia, mas de maneira geral, não provoca danos. Talvez, em certa medida, prejudique um pouco a imagem clássica do maçom, se considerarmos alguns aspectos do comportamento do grão-mestre Peter Solomon, mas para isso existe a justiça poética.

Já os “red-necks” e “hillbillies” vão ficar apavorados. Vão achar que os Maçons dirigem o país.  A menos que o Dan Brown tenha conseguido passar uma mensagem positiva, principalmente pelo fato de que os Founding Fathers da nação americana eram maçons em sua maioria.

Também joga a favor, o outro filme  “A lenda do Tesouro Perdido” que guarda bastante similaridade com o livro.  Digamos que “A lenda” é mais estilo Disney e que “o símbolo”  é mais  no estilo Hannibal Lecter. Mas, a trama guarda bastante semelhança.  Certamente o Dan Brown assistiu ao filme do Turteltaub.   Quem sabe eles convidam o Riddley Scott para dirigir o filme e ele consiga dar um aspecto menos “gay” à trama.

O livro é interessante, apesar de parecer o Código Da Vinci reescrito, trocando a Opus Dei pela Maçonaria.

O ritmo frenético é o mesmo. Mas é violento. Muito violento. Muito sanguinolento… Por outro lado, é impressionante a resistência física das personagens.  Por muito menos que aquilo, eu ficaria no mínimo um mês no hospital.

Eles não.  São americanos, of course…