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Declaração feita pelo Soldado Bradley Manning, não jurada, em Sessão de Sentença

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Tradução José Filardo

 Por  Alexa O’Brien  em 14 de agosto de 2013 17:11 |  Tweet

Esta é uma rápida transcrição de uma declaração não jurada feita pelo soldado Bradley Manning em 14 de agosto de 2013, no caso de defesa durante a fase de definição de sentença no caso dos Estados Unidos versus Soldado Bradley E. Manning.

Primeiramente, Meritíssimo, Gostaria de começar com um pedido de desculpas. Sinto muito. Lamento que minhas ações tenham ferido pessoas. Lamento que elas tenham prejudicado os Estados Unidos. Na época das minhas decisões, como Vossa Excelência sabe, eu estava lidando com uma série de problemas – problemas que ainda estão em curso e que continuam a me afetar.

Embora tenham causado grande dificuldade em minha vida, estes problemas não são uma desculpa para minhas ações. Eu entendia o que eu estava fazendo e as decisões que tomei. No entanto, eu não considerei verdadeiramente os efeitos mais amplos de minhas ações. Esses efeitos são mais claros para mim agora, tanto através da autorreflexão durante meu confinamento em suas diferentes formas quanto através dos méritos e testemunhos de sentença que eu vi aqui.

Lamento pelas consequências não intencionais de minhas ações. Quando eu tomei aquelas decisões, eu acreditava que eu ia ajudar as pessoas, não feri-las. Os últimos anos têm sido uma experiência de aprendizagem.  Eu olho para trás para minhas decisões e me pergunto: ‘Como eu poderia, um analista júnior, possivelmente acreditar que poderia mudar o mundo para melhor, passando por cima das decisões de pessoas com a devida autoridade?

Em retrospecto, eu deveria ter trabalhado de forma mais agressiva dentro do sistema conforme discutimos durante a Declaração de Providência e tinha opções e eu deveria ter usado aquelas opções. Infelizmente, eu não posso voltar atrás e mudar as coisas.  Só posso ir à frente e eu quero ir adiante. Antes que eu possa fazer isso, entretanto, eu entendo que preciso pagar um preço por minhas decisões e ações.

Depois de pagar esse preço, espero um dia viver da maneira que eu não fui capaz no passado. Eu quero ser uma pessoa melhor – ir para a faculdade – obter um diploma – e ter um relacionamento significativo com a família de minha irmã e a minha família.

Eu quero ser uma influência positiva em suas vidas, assim como minha tia Deborah foi para mim. Eu tenho falhas e problemas com que eu tenho que lidar, mas eu sei que eu posso se e serei uma pessoa melhor. Eu espero que Vossa Excelência possa dar-me a oportunidade de provar – não através de palavras, mas através de conduta – que eu sou uma boa pessoa, e que eu possa voltar a ter um lugar produtivo na sociedade.

Obrigado, Meritíssimo

Mega deve executar e-mail criptografado ‘de ponta’ após o “seppuku de privacidade” da Lavabit

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Tradução José Filardo

 

MEGA

Screenshot do mega.co.nz

 

O Mega.co.nz de Kim Dotcom está trabalhando em um serviço de e-mail altamente seguro a ser executado em um servidor fora dos Estados Unidos. Isso vem quando os EUA oprime os provedores de email que oferecem criptografia e o CEO do Mega chama o desligamento do Lavabit de um “ato honroso de Seppuku de Privacidade”.

O CEO do Mega, Vikram Kumar, que está dirigindo o desenvolvimento de tecnologia de criptografia “end-to-end” da própria empresa para proteger a privacidade dos futuros usuários do e-mail, reagiu à decisão do fundador do Lavabit de suspender as operações de seu serviço – um ato, que foi logo seguido pelo fechamento voluntário de outro serviço de e-mail seguro, o Silent Circle.

 “Estes são atos de ‘Seppuku de Privacidade” – honrada e publicamente fechar (“suicidar-se”), ao invés de ser obrigado a cumprir as leis e tentativas de tribunais de violar a privacidade das pessoas”, disse Kumar em seu blog. 

O conceito a que ele estava se referindo foi desenvolvido pelos prestadores de serviços seguros como o Cryptocloud, que fez uma promessa de ‘seppuku corporativo’ para opor-se à vigilância em massa e proteger a privacidade dos dados de seus usuários. O nome para o movimento aparentemente deriva de um suicídio ritual japonês, que era originalmente praticado pelos samurais para preservar a honra. 

De acordo com a publicação da equipe do Cryptocloud citada por Kumar, “seppuku corporativo” é “fechar uma empresa, em vez de concordar em se tornar uma extensão da rede, em contínua expansão, de vigilância secreta global organizada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA.” 

Dessa forma, se a empresa recebe uma ordem secreta da NSA “de tornar-se um participante em tempo real em vigilância secreta, encoberta, em curso de seus clientes”, ela não será forçada a fazê-lo. A promessa que ela fez aos seus usuários a levará a fechar, ao invés disso, tornando impossível a coleta de dados. 

Tal política manifesta que “há sempre uma escolha” para qualquer empresa abordada pelos agentes, ao mesmo tempo, que ela coloca a segurança dos usuários como sua maior prioridade. 

O proprietário e operador do Lavabit.com, Ladar Levison escreveu na quinta-feira que seus nove anos de serviço de e-mail criptografado estava sendo fechado, a fim de evitar tornar-se “cúmplice de crimes contra o povo americano.” 

“Nós vemos a escrita na parede, e nós decidimos que é melhor para nós encerrar o Silent Mail agora,” escreveu então o fundador do Silent Circle, Jon Callas, em um post no blogue. 

Mas, quando a Cryptocloud exortou todas as empresas de fazer uma última promessa de proteção à privacidade, o denunciante da NSA, Edward Snowden disse em um e-mail ao The Guardian que os gigantes da internet provavelmente não se juntarão a essa ação – embora ela possa produzir resultados muito maiores. Ele exortou o Google e o Facebook a questionar a sua posição atual, chamando a decisão do proprietário do Lavabit “inspiradora”.

“Os funcionários e dirigentes do Google, Facebook, Microsoft, Yahoo, Apple e o resto de nossos titãs da internet devem se perguntar por que não estão lutando por nossos interesses da mesma forma que estão as pequenas empresas. A defesa que eles ofereceram a este ponto é que eles foram obrigados por leis com as quais eles não concordam, mas um dia de paralisação do conjunto de seus serviços poderia alcançar o que uma centena de Lavabits não poderia “, disse Snowden. 

Mega fazendo ‘o verdadeiro cripto trabalho para as massas’ 

Enquanto isso, Kumar envolveu-se em um projeto de serviço de e-mail com o que ele diz ser um nível excepcional de criptografia. 

O Mega vem fazendo um trabalho “emocionante”, mas “muito difícil” e demorado de desenvolver tanto serviço de e-mail altamente seguro e funcional, Kumar disse à ZDNet. 

“O maior obstáculo tecnológico é oferecer a funcionalidade de e-mail que as pessoas esperam, tais como busca de e-mails, que são triviais se os e-mails são armazenadas em texto simples (ou disponível em texto simples) no lado do servidor. Se tudo o que o servidor pode ver é um texto criptografado, como é o caso com a verdadeira criptografia “end-to-end”, então toda a funcionalidade tem de ser construída do lado do cliente”, explicou, acrescentando que, mesmo o Silent Circle não tentou realizar tal feito. 

“Nesta e em outras frentes, o Mega está fazendo algumas coisas extremamente avançadas. Provavelmente, não há ninguém no mundo que tome como nossa proposta central a abordagem do Mega de realizar um verdadiero trabalho de criptografia para as massas”, disse Kumar. 

De acordo com fundador da empresa Doctcom, o Mega não possui chaves de decodificação de contas de clientes e “nunca possuirá”, tornando impossível para ele ler os e-mails. Isto também significa que o Mega, propositalmente, não pode ser forçado pelas agências de inteligência a trair seus usuários. 

No entanto, anteriormente o Dotcom declarou ao TorrentFreak que a nova legislação de espionagem sendo promovida pelos EUA e seus parceiros da aliança Five Eyes – Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia – pode forçar o Mega a transferir seus servidores para algum país isento de tais jurisdições, como a Islândia. 

O governo da Nova Zelândia já está “agressivamente” de olho em legislação que obrigará todos os provedores de serviços de internet no país a criar um “acesso secreto de decodificação” para as agências de inteligência, disse ele.

http://rt.com/news/mega-secure-email-lavabit-359/

Vai funcionar? Empresas alemãs de e-mail adotam nova criptografia para frustrar a NSA

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Tradução José Filardo

Comunicações enviadas entre dois importantes provedores de email da Alemanha serão agora criptografadas para proporcionar melhor segurança contra potencial vigilância da NSA. Os especialistas dizem que o movimento fará muito pouco para impedir bisbilhoteiros bem equipados.

O projeto “E-mail made in Germany” foi criado na esteira das revelações de vigilância dos EUA feitas pelo denunciante da NSA, Edward Snowden. Documentos da Agência Nacional de Segurança mostram que a agência intercepta 500 milhões de telefonemas, textos e e-mails na Alemanha a cada mês.

“Os alemães estão profundamente perturbado pelos últimos relatórios sobre a intercepção potencial de dados de comunicação”, disse Rene Obermann, chefe da Deutsche Telekom, o maior provedor de email do país. “Agora, eles podem contar com o fato de que seus dados pessoais on-line estão tão seguros quanto podem estar.”

A Deutsche Telekom e a United Internet, que operam cerca de dois terços das contas primárias de e-mail na Alemanha, disseram que a partir de agora vão usar SSL (Secure Sockets Layer) – uma forma moderna e padrão da indústria de criptografia que embaralha os sinais quando eles são enviados através de cabos, que é o ponto no qual a NSA frequentemente intercepta a comunicação. As empresas também utilizam servidores exclusivamente alemães e cabos internos ao enviar mensagens entre si.

Obermann disse à imprensa que nenhum acesso aos e-mails dos usuários será possível agora, sem um mandado. No entanto, especialistas afirmam que o impacto da medida provavelmente será sobretudo psicológico e simbólico.

“Esta iniciativa ajuda a enfrentar o dia-a-dia da interceptação nas linhas de comunicação, mas ainda não impede governos de obter informações”, declarou à Reuters, Stefan Frei, diretor de pesquisa da empresa de informações de segurança NSS Labs.

Conforme os arquivos do Snowden revelaram, a NSA concentra-se especificamente em servidores estrangeiros – muitas vezes com o apoio do país que os hospedam – ao interceptar comunicações. A agência também é capaz de decifrar o código SSL, com e sem a ajuda do operador de e-mail. No entanto, é muito mais difícil fazê-lo sem uma “chave” emitida pelo operador.

É notável que o Google e outras empresas líderes envolvidas como participantes voluntários no programa de vigilância PRISM também ofereça, criptografia SSL com seu serviço de e-mail.

“É claro que a NSA ainda pode invadir se quiser, mas a criptografia de e-mails em massa tornaria mais difícil e mais caro para eles fazê-lo”, disse Sandro Gaycken, professor de segurança cibernética na Universidade Livre de Berlim.

http://rt.com/news/german-email-encryption-nsa-312/

Estados Unidos do Terceiro Mundo

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O General Petraeus apoia a América do Terceiro Mundo

http://huff.to/9U5wWS


Se você quer entender uma parte significativa da razão pela qual os Estados Unidos estão caminhando para o status de América do Terceiro Mundo, conforme coloca Arianna Huffington no título de seu novo e provocativo livro, não lea o noticiário econômico. Nem olhe para o noticiário local. Basta considerar este comentário revelado quarta-feira por Steve Luxenberg do Washington Post do novo livro de Bob Woodward, As Guerras de Obama. Woodward cita o comandante da guerra no Afganistão general David Petraeus, dizendo:

Você tem que reconhecer também que eu não acho que você ganha esta guerra. Acho que você continua lutando. É um pouco como o Iraque, na verdade … Sim, houve um enorme progresso no Iraque. Mas, ainda há ataques horríveis no Iraque, e você tem que ficar vigilante. Você tem que ficar atrás dele. Este é o tipo de luta em que estamos pelo resto de nossas vidas e, provavelmente, durante toda a vida de nossos filhos.

Ok, esses itálicos são meus, não dele. Mas, basta esperar um momento para cair a ficha. Sua vida, não importa sua idade, e a vida de seu filho, mesmo que a criança ainda não tenha nascido –, temos que na palavra oficial do nosso general líder, vamos encarar isso, ele agora é um formulador de políticas de facto , assim como um guerreiro. Afinal, ele é considerado pouco menos que um semi-deus em ambos os lados do corredor do congresso, em Washington, o U.S. Grant do século XXI, anos em que, conforme ele destaca na mesma citação, pouco mais que um empate é o melhor que você pode esperar do mais brilhante general norte-americano que a supostamente pode produzir.

E tenha em mente que, pelo menos até onde sabemos sobre o livro de Woodward (ainda a ser lançado), Petraeus & Co. conseguiram encurralar um presidente profundamente relutante (“Eu não vou completar 10 anos … “), que tem repetidamente demonstrado fraqueza diante da oposição, em uma escalada mais importante no Afeganistão. Só por um momento, imagine que o general Petraeus está certo, e que vamos completar 10 anos, seja qual for o que pensa o nosso presidente, e mais. Imagine só por um momento que nossas guerras multi-trilhonárias nunca devam acabar, que elas são, na verdade, como eles gostam de dizer em Washington “multigeracionais“. E, para apoiá-las, vamos naturalmente precisar continuar alimentando nosso complexo industrial-militar-mercenário-pátria-segurança- inteligência-vigilância, algo como um assunto de trilhões de dólares pelo menos em todos os anos deste século.

E apenas imagine que essas guerras, onde quer que sejam, e na Guerra global contra o Terror (seja qual for o nome) que os acompanham estarão nas suas costas e nas costas dos seus filhos à medida que crescem e talvez dos filhos deles também. Imagine isso. E você pode ver como este país, já conduzido à beira de um penhasco por George W. Bush, Dick Cheney e os neoconservadores, já com uma basta mão de obra desempregada e uma infraestrutura envelhecida, desgastada, está sendo empurrado para o chão. Essa é a verdadeira história do século XXI que Arianna Huffington enfoca tão vividamente em seu livro. Esse é o pesadelo do nosso tempo.

Na verdade, Petraeus provavelmente não estará certo. Este país não vai ficar mais uma década no Afeganistão ou na guerra global contra o terror, e muito menos pelo tempo de vida de nossos filhos. Nós já não temos os meios necessários. Mas, no momento em que a versão misturada de Petraeus de política externa e guerra começa a chegar ao fim, qualquer que seja ele, uma coisa é garantida: Não vai ter sobrado muito mais que seja reconhecidamente americano sobre a América. Afinal, em minha própria vida já fomos de um país do pode-fazer até um país do não-pode-fazer com um governo (“a burocracia”) que ninguém realmente espera seja capaz de realizar muita coisa que importe, desde ganhar guerras e reconstruir cidades até colocar as pessoas de volta ao trabalho. Esta já é uma definição razoável de um país dando duro para alcançar o status de Terceiro Mundo.

Obrigado, General Petraeus – seja o que for que você fez no Iraque ou no Afeganistão, você nos ajudou a perder aqui em casa.

Tom Engelhardt, co-fundador do American Empire Project, dirige o Nation Institute’s TomDispatch.com . Seu livro mais recente, The American Way of War: How Bush’s war became Obama’s (Haymarket Books), acaba de ser publicado. Você pode pegá-lo discutindo a guerra no estilo americano e seu livro em um vídeo Timothy TOMCAST MacBain clicando aqui .