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8 coisas que médicos de Pronto Socorro se recusam a ter em suas casas

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Tradução José Filardo

Por Lisa Lombardi / Health.com

Médicos de Pronto Socorro veem todos os tipos de coisas macabras, que nos deixam pensando: Quais produtos eles consideram tão perigosos que eles proíbem em suas próprias casas e quintais? Aqui estão os itens de uso diário que mais assustam esses profissionais de linha de frente.

Ler mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/8-coisas-que-medicos-de-pronto-socorro-se-recusam-a-ter-em-suas-casas/

O Ebola é assustador, mas estas seis coisas são muito mais assustadoras

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Tradução: José Filardo

A maioria dos americanos não está correndo tanto risco. Aqui estão os verdadeiros assassinos.

Larry Schwartz – AlterNet

15/10/2014 |

 

O Ebola é assustador. Sem dúvida. Agora que um segundo profissional de saúde de Dallas foi diagnosticado com Ebola, muitas pessoas estão justificadamente assustadas com a terrível doença – particularmente trabalhadores de saúde que poderiam encontrar-se cuidando pacientes com Ebola. Na África Ocidental, o vírus está se espalhando e nem de longe sob controle.

No entanto, a maioria dos americanos simplesmente não está correndo muito o risco de contrair Ebola, embora você não saiba vindo da mídia. A América não viu alimentação do medo nesta escala desde os primeiros dias da crise da AIDS na década de 1980. Então, como agora, uma doença pouco compreendida tornou as pessoas com medo de até mesmo estar na mesma vizinhança de uma vítima infeliz. Tal como acontece com AIDS, rumores e paranoia começaram a circular.

Na Geórgia, lar dos Centros de Controle de Doenças, o governador Nathan Deal anunciou que as pessoas devem simplesmente lavar as mãos, porque a água mata o vírus Ebola. (Errado. alvejante com cloro mata o vírus) O cantor Chris Brown twittou para seus mais de 13 milhões de seguidores que a Ebola foi desencadeada como forma de controle populacional. (Errado, escusado dizer.) O comentarista de rádio de direita Michael Savage vomitou que Obama estava enviando soldados para a África não para ajudar na crise, mas para infectar os soldados que poderiam trazer o vírus de volta para os Estados Unidos e acabar com os americanos. Sério, gente, vamos com calma.

É claro, os Estados Unidos não têm um monopólio de rumores perigosos e teorias malucas. Na Nigéria, abundam os rumores de que o Ebola nem sequer existe. Obviamente errado. Na Libéria, um país que está sendo esmagado sob a propagação da doença, há um rumor de que beijar uma vítima morta de Ebola lhe imunizará. (Muito errado: Ele provavelmente vai contaminá-lo.) Enquanto a Fox News, CNN, as grandes redes de televisão e estações de notícias locais estão comprando e promovendo a histeria, espalhando pânico enquanto ignora os médicos reais, pesquisadores e profissionais de saúde, mesmo quando os entrevistam. Jon Stewart no Daily Show do Comedy Central de forma bastante brilhante espetou esse  “jornalismo” irresponsável na semana passada.

Ebola é uma doença muito mortal. Não há dúvida de que merece o respeito temeroso que recebe. Mas é hora, pelo menos para os americanos (e para a maior parte do mundo, na verdade, fora da África Ocidental), de dar um passo atrás, respirar profundamente, e ganhar alguma perspectiva. Três casos de Ebola no Texas representam um apocalipse zumbi bastante precário. Um dos casos foi diretamente exposto ao Ebola na Libéria. Os outros dois estiveram em contato com o paciente como cuidadores. Profissional de saúde depois de profissional de saúde nos assegurara, repetidamente: O Ebola é muito difícil de “pegar”. Ponto. A menos que sangue, vômito, ou outro fluido corporal da vítima entre em seu corpo através de seus olhos, boca, nariz ou ferida aberta, você não “pega” o Ebola. Ele não é transmitido através do ar.

O colunista do New York Times, Frank Bruni, entrevistou recentemente Jeffrey Duchin, presidente da Comissão de Saúde Pública da Sociedade para Doenças Infecciosas da América. “As pessoas ficam com muito medo e estressadas e têm muita ansiedade com coisas como Ebola que não são um risco geral para a saúde. Basta olhar para as causas de morte nos Estados Unidos. Tudo é maior do que o Ebola, e há coisas que podemos fazer em relação a muitas delas”, disse Duchin, sensatamente colocando as coisas em perspectiva.

Os americanos tendem a se preocupar muito com doenças com as quais eles não devem se preocupar, enquanto, ao mesmo tempo, não se preocupam com as ameaças muito reais à sua saúde.

  1.  De acordo com o CDC , quase 48% das mortes nos EUA são causadas por câncer e doenças cardíacas. A principal causa de câncer é, de longe, o tabagismo, ainda assim, 25% dos americanos fumam. Mais de 3,5 milhões de casos de câncer de pele são diagnosticados a cada ano e 10 mil pessoas morrem que ainda perseguem o bronzeado e economizam em filtro solar.
  2. A melhor maneira de prevenir a doença cardíaca é exercício e alimentação balanceada, mas a América é cercada por uma epidemia de obesidade, com mais de 78 milhões de pessoas consideradas obesas, incluindo 1 em cada 5 crianças com menos de 19 anos de idade. Em vez de frutas e verduras, ainda comemos hambúrgueres e batatas fritas.
  3. A quinta maior causa de morte em os EUA é por acidente de carro. Muitos, se não a maioria dessas mortes são evitáveis ​​simplesmente usando o cinto de segurança, no entanto, inúmeros americanos se queixam do desconforto do cinto de segurança e abrem mão de usá-lo.
  4. A gripe é a sétima principal causa de morte em os EUA e quase completamente evitável simplesmente tomando a vacina contra a gripe anualmente. Em vez disso, estamos diante de um movimento anti-vacina crescente que se propaga a falsidade completa de que as vacinas causam autismo.
  5. Mais de 88 mil mortes por ano estão relacionadas com o consumo de álcool, e metade delas são devidas a bebedeira. De acordo com o CDC, 38 milhões de adultos bebem sem parar, pelo menos, quatro vezes por mês (em média oito bebidas cada vez), e a maioria não é alcoólatra. Por livre escolha, essas pessoas enchem a cara e saem matando milhares de pessoas inocentes.
  6. A violência armada é uma praga nacional, em que milhares de pessoas perdem suas vidas para que a NRA “defenda” nosso direito de possuir armas e matar milhares de pessoas consagrando na segunda emenda.

O ponto de tudo isso é que podemos compreensivelmente nos preocupar com o Ebola, sem perder a perspectiva. Ebola não é a coisa com que se preocupar. Políticos de direita, que ignorantemente falam de colocar em quarentena toda a África (que os profissionais de saúde têm alertado tornaria mais difícil controlar a doença, e não mais fácil), e sobre crianças que trazem o Ebola através da fronteira da América Central (onde o Ebola é desconhecido), e sobre lavar as mãos com água para matar o Ebola, estaríamos mais bem servidos se eles voltassem sua influência para as coisas que realmente matam os americanos. Até agora, pelo menos, o Ebola não é um deles.

 

Dedicado aos brasileiros com complexo de viralatas…

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Brasil, verde amarelo azul branco e vermelho

 

Por Rémi Babinet – DIRETOR DE CRIAÇÃO DA BETC

 

Tradução: José Filardo

 

 

O primeiro choque, em São Paulo, é o tamanho. Quase 20 milhões de habitantes, uma das maiores e mais estranhas cidades do mundo. Engolida pela janela do táxi, inúmeros edifícios te afogam em inúmeros tons de cinza quente: percorre-se em cada rua, do preto ao branco ou do branco ao preto, a extensão da gama de miscigenação no Brasil. O motorista me disse que existem dezenas de adjetivos para descrever as diferentes cores desta mestiçagem. O segundo choque, especialmente para um publicitário é a ausência de publicidade. O tráfego comeu as calçadas e encheu as ruas sem pedestres ou cartazes. Será este o mundo de antes? O mundo de antes das megacidades sobrecarregadas de informações e publicidade. Ou o mundo a partir de agora?

Este é claramente o novo mundo que se forma no Brasil atual, aquele onde a informação sabe circuar de maneira invisível, e a comunicação se faz discreta e fina. Na publicidade, há duas escolas. A escola anglo-saxã que moldou os mitos da publicidade moderna, desenvolveu o conceito de agência e o atual processo de reflexão e criação. E uma escola brasileira, que inova, vira a mesa e invade regularmente as maiores recompensas da publicidade global. É essa escola que a BETC vem buscar ao se instalar em São Paulo há três meses depois de se estabelecer em Londres dois anos antes. Porque não há nada mais excitante para uma agência criativa que sentir-se crescer em tal terreno.

O quarto país mais conectado do mundo, o Brasil está se tornando rapidamente esta nação muito informada, exigente e participativa, cada dia mais consciente de seus problemas bem como de seus pontos fortes e suas belezas. Hoje, fazendo uso maciço e extenso da mídia digital, os brasileiros se mobilizam. E esses protestos não são apenas algo dos grandes centros urbanos, mas também das cidades pequenas em todo o país. É o gênio sem limites dessa nova mídia: ela leva e toca muito longe, e, ao mesmo tempo, ajuda as pessoas a estar mais perto de suas próprias comunidades. Ela desorganiza, reorganiza, transforma. Normalmente, confinados em suas bases estreitas, as culturas locais viajam e colidem com a mídia de massa. Para atender a essas expectativas de mudança, as mídias mudam seu tom. Tudo se torna mais claro, mais desafiador, mais envolvente. Sem as mídias digitais, por exemplo, ninguém teria sido capaz de medir o grau de mobilização em todo o país, e o governo poderia facilmente neglicenciar a magnitude de desaprovação. Este concerto de novas mídias transforma profundamente o país, acelerando tanto a sua introspecção e sua abertura para si mesmo, definindo melhores cidadãos, melhores carreiras e um monte de pessoas conectadas à sociedade como um todo.

É facilmente compreensível que o Brasil fascine a França e, de fato, o Brasil ama a nossa cultura como nós amamos a dele. Nós somos, brasileiros e franceses, impregnados de culturas fortes e amamos brilhar no mundo. E nós temos tantos pontos em comum: o amor pela beleza e ao futebol, a vontade de conciliar o capitalismo e a redistribuição social, o gosto pela intervenção diplomática, a paixão das ruas por protestar ou por fetejar, criatividade. Também compartilhamos as mesmas fragilidades: o protecionismo, a burocracia. Entre nós, há um arco verde amarelo azul branco vermelho, uma fronteira comum, além daquela da Guiana Francesa.

Brasileiros e franceses têm muito em comum. Mas, em seu mesmo gosto pela transformação, eles não marcham no mesmo passo. E se a França entrasse na dança?

 

Mas para nos determos sobre um ponto sensível nesse gosto que temos em comum pela transformação, nessa aptidão que o mundo ainda reconhece de a França propor revoluções, não marchamos no mesmo passo. O que ouvimos ali é a ebulição em todos os cruzamento da sociedade de uma força coletiva. Para citar apenas uma área, emblemática da criação – a arquitetura – não são menos que 80 mil arquitetos reinventando a cidade, explorando novos modelos, de arquitetura empírica a arquitetura pobre, passando pela arquitetura participativa. O que se sente no Brasil, é em última análise, uma juventude em todos os momentos, que faz desse país um lugar central no mundo para observar e experimentar a revolução planetária.

Há um lado dionisíaco no movimento criativo brasileiro, adequado a este momento de grandes transições. Depois de algum tempo a arte de encadear os ciclos, misturar gêneros, passar da resistência à resiliência, desacelerar e acelerar, como se o mais (decisivo) fosse o movimento, o ritmo e a energia, não importando a ordem. De modo a fascinar nosso lado apolíneo, adepto da clareza, dos sistemas e de sua fixidez. Nietzsche escreveu que estas duas forças instintivas opostas governam a arte e a criação. E se a França se deixasse levar na dança?

 

Publicado na Revista Challenges (www.challenges.fr) – Ed No. 392 – Junho/2014

35 países onde os EUA apoiaram fascistas, chefões da droga e Terroristas

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Tradução José Filardo

Aqui está um guia prático de A a Z do crime internacional apoiado pelos EUA.

Crédito da foto: Shutterstock.com
Crédito da foto: Shutterstock.com
4 Março 2014 | – AlterNet
Os EUA estão apoiando o partido de extrema direita Svoboda da Ucrânia e violentos neonazistas cujo levante armado abriu o caminho para um golpe de Estado apoiado pelo Ocidente. Eventos na Ucrânia estão nos dando outra visão através do espelho das guerras de propaganda dos Estados Unidos contra o fascismo, as drogas e o terrorismo. A realidade feia por trás do espelho é que o governo dos EUA tem uma longa e ininterrupta história de trabalho com fascistas, ditadores, senhores da droga e países patrocinadores do terrorismo em todas as regiões do mundo em sua busca ilusória, mas implacável pelo poder mundial incontestado.

Por trás do muro de impunidade e proteção do Departamento de Estado e da CIA, os clientes e fantoches dos EUA envolvidos nos piores crimes que o homem conhece, desde assassinato e tortura a golpes e genocídio. O rastro de sangue desta carnificina e caos leva diretamente de volta para os degraus do Capitólio dos EUA e da Casa Branca. Como o historiador Gabriel Kolko observou em 1988, “A noção de um fantoche honesto é uma contradição que Washington não conseguiu resolver em nenhum lugar do mundo desde 1945.” O que se segue é um breve guia de A a Z da história daquele fracasso.

1. Afeganistão

Na década de 1980, os EUA trabalharam com o Paquistão e a Arábia Saudita para derrubar o governo socialista do Afeganistão. Eles financiaram, treinaram e forças armadas lideradas por líderes tribais conservadores cujo poder era ameaçado pelo progresso do seu país na educação, os direitos das mulheres e reforma agrária. Depois que Mikhail Gorbachev retirou as forças soviéticas em 1989, esses senhores da guerra apoiados pelos EUA dividiram o país e impulsionaram a produção de ópio a um nível sem precedentes, de  2.000 para 3.400 toneladas por ano . O governo do Taliban cortou a produção de ópio em 95% em dois anos, entre 1999 e 2001, mas a invasão dos EUA em 2001 restaurou os senhores da guerra e traficantes ao poder. O Afeganistão ocupa agora  o 175º. lugar entre 177  países do mundo em corrupção,  175º. entre 186  no desenvolvimento humano, e, desde 2004, produziu um número sem precedentes de 5.300 toneladas de ópio por ano. O irmão do presidente Karzai, Ahmed Wali Karzai, era muito conhecido como  um traficante de drogas apoiado pela CIA . Depois de uma grande ofensiva dos EUA na província de Kandahar em 2011, o coronel Abdul Razziq foi nomeado chefe de polícia da província, impulsionando a  operação de contrabando de heroína  que já lhe rendeu 60 milhões de dólares por ano em  um dos mais pobres  países do mundo.

2. Albânia

Entre 1949 e 1953, os EUA e o Reino Unido se propuseram derrubar o governo da Albânia, o menor e mais vulnerável país comunista na Europa Oriental. Exilados foram recrutados e treinados para voltar à Albânia, agitar a dissidência e planejar um levante armado. Muitos dos exilados envolvidos no plano eram ex-colaboradores da ocupação italiana e alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Eles incluíram  o ex-ministro do Interior, Xhafer Deva  que supervisionou as deportações de “judeus, comunistas, resistentes e pessoas suspeitas” (conforme descrito em um documento nazista) para Auschwitz. Documentos desclassificados dos EUA desde então revelaram que Deva foi um dos  743 criminosos de guerra fascistas  recrutados pelos EUA após a guerra.

3. Argentina

 Documentos americanos desclassificados em 2003  detalham conversas entre o secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger e ministro das Relações Exteriores argentino Almirante Guzzetti em outubro de 1976, logo após a junta militar ter tomado o poder na Argentina. Kissinger aprovou explicitamente a “guerra suja” da junta em que veio a matar até 30 mil, a maioria deles jovens, e roubou 400 crianças das famílias de seus pais assassinados. Kissinger disse Guzzetti: “Olha, a nossa atitude básica é que nós gostaríamos que vocês tivessem sucesso… quanto mais rápido vocês conseguirem, melhor.” O embaixador dos EUA em Buenos Aires informou que Guzzetti “voltou em um estado de júbilo, convencido de que não há nenhum problema real com o governo dos EUA sobre essa questão.” (”  Daniel Gandolfo,  ” ” Presente! “)

4. Brasil

Em 1964, o general Castelo Branco liderou  um golpe de Estado, que provocou 20 anos de ditadura militar brutal . Adido militar dos EUA, Vernon Walters, mais tarde vice-diretor da CIA e embaixador da ONU, conhecia bem Castelo Branco desde a Segunda Guerra Mundial, na Itália. Como um agente clandestino da CIA, os registros de Walters sobre o Brasil nunca foram desclassificados, mas a CIA forneceu todo o suporte necessário para garantir o sucesso do golpe, incluindo o financiamento de grupos de estudantes e trabalhadores da oposição em protestos de rua, como ocorre hoje na Ucrânia e Venezuela. A força anfíbia da Marinha dos EUA que estava de prontidão para desembarcar em São Paulo não foi necessária. Como outras vítimas de golpes apoiados pelos EUA na América Latina, o presidente eleito João Goulart era um rico fazendeiro, não um comunista, mas seus esforços para permanecer neutro na Guerra Fria eram tão inaceitável para Washington quanto à recusa do presidente Yanukovich de entregar a Ucrânia ao ocidente 50 anos depois.

5. Camboja

Quando o presidente Nixon ordenou  o bombardeamento secreto ilegal do Camboja  em 1969, os pilotos americanos receberam ordens de falsificar seus registros para esconder seus crimes. Eles mataram pelo menos meio milhão de cambojanos, despejando mais bombas do que na Alemanha e Japão juntos na Segunda Guerra Mundial. À medida que o Khmer Rouge ganhava força em 1973, a CIA informou que sua “propaganda tem sido mais eficaz entre os refugiados submetidos a ataques de B-52”. Depois que o Khmer Vermelho matou pelo menos dois milhões de seu próprio povo e foi finalmente expulsos pelo exército vietnamita em 1979, o  Grupo de Emergência do Camboja nos EUA, com sede na Embaixada dos EUA em Bangcoc, partiu para alimentá-los e supri-los como a “resistência” ao novo governo cambojano apoiado pelos Vietnamitas. Sob pressão dos EUA, o Programa Alimentar Mundial forneceu US $ 12 milhões para alimentar 20.000 a 40.000 soldados do Khmer Vermelho. Por pelo menos mais uma década, a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA forneceu ao Khmer Vermelho informações de satélite, enquanto as forças especiais norte-americanas e britânicas os treinaram para colocar milhões de minas terrestres no oeste do Camboja, que ainda matam ou mutilam centenas de pessoas todos os anos.

6. Chile

Quando Salvador Allende tornou-se presidente em 1970, o presidente Nixon prometeu  “fazer a economia gritar”  no Chile. Os EUA, o maior parceiro comercial do Chile, cortaram o comércio para causar escassez e caos econômico. O Departamento de Estado e a CIA haviam realizado operações de propaganda sofisticadas no Chile durante uma década, financiando políticos conservadores, partidos, sindicatos, grupos de estudantes e todas as formas de mídia, ao mesmo tempo em que expandia os laços com os militares. Depois que o general Pinochet tomou o poder, a CIA manteve autoridades chilenas em sua folha de pagamento e trabalhou em estreita colaboração com a agência de inteligência DINA do Chile, enquanto o governo militar matava milhares de pessoas e prendia e torturava dezenas de milhares mais. Enquanto isso, os  “Chicago Boys”,  com mais de 100 estudantes chilenos enviados por um programa do Departamento de Estado para estudar com Milton Friedman na Universidade de Chicago, lançaram um programa radical de privatização, desregulamentação e políticas neoliberais que mantiveram a economia gritando para a maioria dos chilenos ao longo dos 16 anos de ditadura militar de Pinochet.

 7. China

Até o final de 1945,  100.000 soldados norte-americanos  lutavam ao lado das forças do Kuomintang Chinês (e japonês) em áreas dominadas pelos comunistas no norte da China. Chiang Kai-Shek e o Kuomintang podem ter sido os mais corruptos de todos os aliados dos Estados Unidos. Um fluxo constante de consultores norte-americanos na China advertiu que a ajuda dos EUA estava sendo roubada por Chiang e seus comparsas, alguns deles até mesmo vendidos aos japoneses, mas o compromisso dos EUA com Chiang continuou durante a guerra, sua derrota pelos comunistas e seu governo de Taiwan. A atitude temerária do Secretário de Estado Dulles em nome de Chiang levou duas vezes os EUA à beira da  guerra nuclear com a China  em seu nome em 1955 e 1958 sobre Matsu e Qemoy, duas pequenas ilhas ao largo da costa da China.

 8. Colômbia

Quando as forças especiais dos Estados Unidos e da Drug Enforcement Administration auxiliaram as forças colombianas a rastrear e matar o traficante Pablo Escobar, eles trabalharam com  um grupo de vigilantes chamado Los Pepes . Em 1997, Diego Murillo Bejarano e outros líderes dos Los Pepes co-fundaram a  AUC (Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia)  que foi responsável por 75% das mortes violentas de civis na Colômbia ao longo dos 10 anos seguintes.

 9. Cuba

Os Estados Unidos apoiaram a ditadura de Batista, quando essa criou as condições repressivas que levaram à Revolução Cubana,  matando até 20 mil de seu próprio povo . O ex-embaixador dos EUA, Earl Smith  testemunhou ao Congresso  que “os EUA eram tão esmagadoramente influentes em Cuba que o embaixador americano era o segundo homem mais importante, às vezes até mais importante que o presidente cubano.” Depois da revolução, a CIA lançou uma  longa campanha de terrorismo contra Cuba  treinando exilados cubanos na Flórida, América Central e na República Dominicana para cometer assassinatos e sabotagem em Cuba. Operações apoiadas pela CIA contra Cuba incluíram a tentativa de invasão na Baía dos Porcos, em que 100 exilados cubanos e quatro norte-americanos foram mortos; várias tentativas de assassinato de Fidel Castro e assassinatos bem sucedidos de outros oficiais; vários bombardeios em 1960 (três americanos mortos e dois capturados) e atentados terroristas com bombas contra turistas tão recentemente quanto 1997; o bombardeio aparente de um navio francês no porto de Havana (pelo menos 75 mortos); um ataque biológico de gripe suína que matou meio milhão de porcos; e o  atentado terrorista contra um avião cubano  (78 mortos) planejado por Luis Posada Carriles e Orlando Bosch, que permanecem livres na América, apesar da pretensão americana de travar uma guerra contra o terrorismo. A Bosch foi concedido um perdão presidencial pelo primeiro presidente Bush.

10. El Salvador

 A guerra civil que assolou El Salvador  na década de 1980 foi uma revolta popular contra um governo que governava com a maior brutalidade. Pelo menos 70 mil pessoas morreram e milhares desapareceram. A Comissão da Verdade das Nações Unidas, criada após a guerra descobriu que 95% dos mortos foram assassinados por forças do governo e esquadrões da morte, e apenas 5% por guerrilheiros da FLMN.  As forças governamentais responsáveis ​​por esta matança unilateral  eram quase totalmente estabelecidas, treinadas, armadas e supervisionadas pela CIA, forças especiais dos EUA e pela Escola das Américas nos EUA. A Comissão da Verdade das Nações Unidas constatou que as unidades culpadas pelas piores atrocidades, como o Batalhão Atlacatl  que conduziu o infame  massacre de El Mozote  foram precisamente aquelas supervisionadas mais de perto por conselheiros americanos. O papel dos americanos na campanha de terrorismo de Estado é agora aclamado por altos oficiais militares dos EUA como um modelo de “contra insurgência” na Colômbia e em outros lugares, à medida que a guerra dos EUA contra o terror espalha a sua violência e caos por todo o mundo.

 11. França

Na França, Itália, Grécia, Indochina, Indonésia, Coréia e Filipinas no final da II Guerra Mundial, forças aliadas em avanço descobriram que as forças da resistência comunista tinham ganhado o controle efetivo de grandes áreas ou países inteiros, à medida que as forças alemãs e japonesas se retiravam ou se rendiam. Em Marselha, a o sindicado comunista CGT controlava as docas que eram críticas para o comércio com os EUA e o plano Marshall. O OSS havia trabalhado com a máfia siciliano-americana e gangsteres da Córsega durante a guerra. Assim, após o OSS ter sido incorporada pela nova CIA após a guerra, ele usou seus contatos para restaurar os bandidos da Córsega no poder em Marselha, para quebrar as greves portuárias e controle das docas pelo CGT.  Ele protegeu os corsos enquanto estes montavam laboratórios de heroína  e começaram a enviar heroína para Nova York, onde a máfia siciliano-americana também florescia sob a proteção da CIA. Ironicamente, rupturas de abastecimento devidas à guerra e à revolução chinesa havia reduzido o número de viciados em heroína nos EUA para 20.000 em 1945, e vício em heroína poderia ter sido praticamente eliminado, mas infame  French Connection  da CIA, ao invés, trazia uma nova onda de vício em heroína, crime organizado e violência relacionada com a droga para Nova York e outras cidades americanas.

12. Gana

Parece não haver qualquer líder nacional inspirando a África nos dias de hoje. Mas isso pode ser culpa do América. Na década de 1950 e 1960, houve uma estrela em ascensão em Gana:  Kwame Nkrumah.  Ele era o primeiro-ministro sob o domínio britânico de 1952 a 1960, quando Gana tornou-se independente e ele se tornou presidente. Ele era um socialista, pan-Africano e anti-imperialista, e, em 1965, escreveu um livro chamado Neocolonialismo: a última etapa do imperialismo. Nkrumah foi derrubado por um golpe da CIA em 1966. A CIA negou envolvimento na época, mas a imprensa britânica, mais tarde, informou que 40 agentes da CIA operavam a partir da Embaixada dos EUA “distribuindo benesses entre os adversários secretos do presidente Nkrumah”, e que seu trabalho “foi totalmente recompensado.” O ex-agente da CIA John Stockwell revelou mais sobre o papel decisivo da CIA no golpe em seu livro  Em busca de inimigos .

13. Grécia

 Quando as forças britânicas desembarcaram na Grécia  em outubro de 1944, elas encontraram o país sob o controle efetivo da ELAS-EAM, o grupo guerrilheiro de esquerda formado pelo Partido Comunista grego em 1941 após a invasão italiana e alemã. O ELAS-EAM acolheu as forças britânicas, mas os britânicos recusaram qualquer acordo com eles e instalaram um governo que incluía monarquistas e colaboradores nazistas. Quando o ELAS-EAM realizou uma grande manifestação em Atenas,  a polícia abriu fogo e matou 28 pessoas . Os britânicos recrutaram membros dos Batalhões de Segurança treinados pelos nazistas para caçar e prender membros do ELAS, que mais uma vez pegaram em armas como um movimento de resistência. Em 1947, com uma guerra civil violenta, os britânicos falidos pediram aos EUA que assumissem o seu papel na Grécia ocupada. O papel dos EUA no apoio a um governo fascista incompetente na Grécia foi consagrada na  “Doutrina Truman”,  visto por muitos historiadores como o início da Guerra Fria. Lutadores do ELAS-EAM depuseram suas armas em 1949, após a Iugoslávia ter retirado seu apoio, e  100.000 foram executados, exilados ou presos . O primeiro-ministro liberal Georgios Papandreou foi derrubado por um golpe apoiado pela CIA em 1967, levando a mais de sete anos de regime militar. Seu filho Andreas foi eleito como o primeiro presidente “socialista” da Grécia em 1981, mas muitos membros do ELAS-EAM presos na década de 1940 nunca foram libertados e morreram na prisão.

14. Guatemala

Depois de sua primeira operação para derrubar um governo estrangeiro no Irã, em 1953, a  CIA lançou uma operação mais elaborada  para remover o governo liberal eleito de Jacobo Arbenz na Guatemala em 1954. A CIA recrutou e treinou um pequeno exército de mercenários sob o exilado guatemalteco Castillo Armas para invadir a Guatemala, com 30 aviões norte-americanos sem identificação fornecendo apoio aéreo. O embaixador dos EUA, Peurifoy, preparou uma lista dos guatemaltecos a serem executados, e Armas foi instalado como presidente. O reinado de terror que se seguiu levou a  40 anos de guerra civil , em que pelo menos 200 mil foram mortos, a maioria deles indígenas. O clímax da guerra foi a campanha de genocídio em Ixil pelo presidente Rios Montt, pela qual ele foi condenado à prisão perpétua em 2013, até que a Suprema Corte da Guatemala  os salvasse com base em um tecnicismo . Um novo julgamento está marcado para 2015. Documentos da CIA desclassificados revelam que a administração Reagan estava bem ciente da  natureza indiscriminada e genocida das operações militares guatemaltecas  quando aprovou nova ajuda militar em 1981, incluindo veículos militares, peças de reposição para helicópteros e conselheiros militares norte-americanos. Os documentos da CIA detalham o massacre e a destruição de aldeias inteiras, e concluem: “A crença bem documentada pelo exército de que toda a população indígena Ixil é pró-EGP (Exército Guerrilheiro dos Pobres) criou uma situação em que se espera que o exército dê luta sem quartel a combatentes e não combatentes da mesma forma”.

15. Haiti

Quase 200 anos após a rebelião de escravos que criou a nação do Haiti e derrotou os exércitos de Napoleão, o povo sofredor do Haiti finalmente elegeu um governo verdadeiramente democrático liderado pelo padre Jean-Bertrand Aristide em 1991. Mas o presidente Aristide foi deposto em um golpe militar apoiado pelos EUA, após oito meses no cargo, e a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA) recrutou  uma força paramilitar chamada FRAPH  para atacar e destruir o movimento Lavalas de Aristide no Haiti. A CIA colocou o líder da FRAPH Emmanuel “Toto” Constant em sua folha de pagamento e enviado armas da Flórida. Quando o presidente Clinton enviou uma força de ocupação dos EUA para restabelecer Aristide no poder em 1994, os membros da FRAPH detidos pelas forças dos EUA foram libertados por ordens de Washington, e a  CIA manteve a FRAPH como uma gangue criminosa para minar Aristide e o Lavalas . Depois que Aristide foi eleito presidente pela segunda vez em 2000, uma força de  200 soldados de forças especiais dos EUA treinou 600 ex-membros FRAPH e outros  na República Dominicana, para se preparar para um segundo golpe. Em 2004, eles lançaram uma campanha de violência para desestabilizar o Haiti, que forneceu o pretexto para as forças dos EUA desembarcar no Haiti e remover Aristide do cargo.

16. Honduras

O golpe de Estado de 2009 em Honduras levou a uma severa repressão e  assassinatos por esquadrões da morte de opositores políticos, sindicalistas e jornalistas . Na época do golpe, as autoridades americanas negaram qualquer participação no golpe e usaram semântica para evitar o corte da ajuda militar dos EUA conforme exigido pela lei dos EUA. Mas dois telegramas do Wikileaks revelaram que  a Embaixada dos EUA foi o principal intermediário  na gestão do rescaldo do golpe e na formação de um governo que está agora reprimindo e assassinando seu povo.

17. Indonésia

Em 1965, o general Suharto tomou o poder efetivo do Presidente Sukarno, sob o pretexto de combater um golpe fracassado e desencadeou  uma orgia de assassinatos em massa  que matou pelo menos meio milhão de pessoas. Diplomatas dos EUA admitiram mais tarde ter fornecido listas de 5.000 membros do Partido Comunista para serem mortos.  O oficial político Robert Martens disse  “Foi realmente uma grande ajuda para o exército. Eles provavelmente mataram um monte de gente, e eu provavelmente tenho muito sangue em minhas mãos, mas isso não é de todo ruim. Há um momento em que você tem que bater duro em um momento decisivo. ”

18. Irã

O Irã pode ser o caso mais instrutivo de um golpe da CIA que causou problemas intermináveis ​​de longo prazo para os Estados Unidos. Em 1953, a CIA e o MI6 do Reino Unido  derrubaram o governo popular e eleito de Mohammed Mossadegh . O Irã tinha nacionalizado sua indústria de petróleo por um voto unânime do parlamento, acabando com o monopólio da BP que só pagava ao Irã um royalty de 16% sobre o seu petróleo. Por dois anos, o Irã resistiu um bloqueio naval britânico e sanções econômicas internacionais. Depois que o presidente Eisenhower assumiu o cargo em 1953, a CIA concordou com um pedido britânico para intervir. Após o golpe inicial ter falhado e o xá e sua família fugirem para a Itália, a CIA pagou milhões de dólares para subornar oficiais militares e pagou gangsteres para desencadear a violência nas ruas de Teerã. Mossadegh foi finalmente removido e o Shah retornou para governar como um fantoche ocidental brutal até a Revolução Iraniana em 1979.

19. Israel

Assim como os EUA usam seu poder econômico e militar, seu sistema de propaganda sofisticado e sua posição como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para violar o direito internacional com a impunidade, eles também usam as mesmas ferramentas para proteger seu aliado Israel da responsabilidade por crimes internacionais. Desde 1966, os EUA  usaram seu veto no Conselho de Segurança 83 vezes  , mais do que os outros quatro membros permanentes combinados, e 42 desses vetos foram em resoluções relacionadas com Israel e / ou a Palestina. Só na semana passada,  a Anistia Internacional publicou um relatório  que “as forças israelenses têm demonstrado desprezo pela vida humana, matando dezenas de civis palestinos, incluindo crianças, na Cisjordânia ocupada ao longo dos últimos três anos, com quase total impunidade.” Richard Falk, relator especial da ONU sobre os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados  condenou o ataque de 2008 sobre Gaza  como um “enorme violação da lei internacional”, acrescentando que países como os EUA “que forneceram armas e apoio ao cerco são cúmplices dos crimes.”  A Lei Leahy  exige que os EUA cortem a ajuda militar às forças que violam os direitos humanos, mas nunca foi aplicada contra Israel. Israel continua a construir assentamentos em território ocupado, em violação à  4ª Convenção de Genebra , tornando-o mais difícil cumprir as  Resoluções do Conselho de Segurança  que os obrigam a se retirar dos territórios ocupados. Mas Israel permanece além do Estado de direito, protegido contra a prestação de contas por seu padrinho poderoso, os Estados Unidos.

 20. Iraque

Em 1958, depois que a monarquia apoiada pelos britânicos foi derrubada pelo general Abdul Qasim,  a CIA contratou um iraquiano de 22 anos de idade chamado Saddam Hussein  para assassinar o novo presidente. Hussein e sua gangue falharam no trabalho e ele fugiu para o Líbano, ferido na perna por um dos seus companheiros. A CIA alugou-lhe um apartamento em Beirute e, em seguida, o transferiu para o Cairo, onde era pago como um agente da inteligência egípcia e era um visitante frequente da Embaixada dos EUA. Qasim foi morto em um golpe de Estado baathista apoiado pela CIA em 1963, e da mesma forma que na Guatemala e na Indonésia, a CIA deu ao novo governo uma lista de pelo menos 4.000 comunistas a serem assassinados. Mas, uma vez no poder, o governo revolucionário Baath não era um fantoche ocidental, e nacionalizou a indústria de petróleo do Iraque, adotou uma política externa nacionalista árabe e construiu os melhores sistemas de educação e saúde do mundo árabe. Em 1979, Saddam Hussein tornou-se presidente, conduziu expurgos de opositores políticos e lançou uma guerra desastrosa contra o Irã. O DIA dos EUA forneceu informações de satélite para direcionar as armas químicas que o Ocidente o ajudou a produzir, e Donald Rumsfeld e outros funcionários dos EUA o acolheram como um aliado contra o Irã. Só depois de o Iraque invadiu o Kuwait e Hussein tornou-se mais útil como um inimigo, a propaganda dos EUA o marcou como  “Um novo Hitler.”  Depois que os EUA invadiram o Iraque sob falsos pretextos em 2003, a CIA recrutou 27 brigadas de “Polícia Especial”,  fundindo a mais brutal das forças de segurança de Saddam Hussein com a milícia Badr treinada pelos iranianos para formar esquadrões da morte que assassinaram dezenas de milhares de homens e meninos árabes sunitas em Bagdá e em outras partes de um reinado de terror que  continua até hoje .

 21. Coréia

 Quando as forças americanas chegaram à Coréia em 1945 , elas foram recebidas por funcionários da República Popular da Coreia (KPR), formada por grupos de resistência que tinham desarmado e rendido forças japonesas, e começado a estabelecer a lei e a ordem em toda a Coréia. O General Hodge tinha sido expulso do seu cargo e colocado a metade sul da Coréia sob ocupação militar dos EUA. Por outro lado, as forças russas do Norte reconheceram o KPR, levando à divisão de longo prazo da Coreia. Os EUA mandaram  Syngman Rhee,  um exilado conservador coreano, e o instalaram como presidente da Coreia do Sul em 1948. Rhee tornou-se um ditador em uma cruzada anticomunista, prendendo e torturando suspeitos comunistas,  brutalmente sufocando rebeliões , matando 100.000 pessoas e prometendo tomar a Coréia do Norte. Ele foi pelo menos parcialmente responsável pela eclosão da Guerra da Coréia e pela decisão aliada de invadir a Coréia do Norte uma vez que a Coreia do Sul havia sido recapturada. Ele foi finalmente forçado a renunciar por protestos estudantis em massa em 1960.

22. Laos

A CIA começou fornecendo  apoio aéreo às forças francesas no Laos  em 1950, e continuou envolvida lá por 25 anos. A CIA projetou pelo menos três golpes de Estado entre 1958 e 1960, para manter o crescente Pathet Lao de esquerda fora do governo.  Ela trabalhou com os traficantes direitistas do Laos  como o General Phoumi Nosavan, transportando ópio entre a Birmânia, Laos e Vietnã, e protegendo seu monopólio sobre o comércio de ópio no Laos. Em 1962, a CIA recrutou um exército mercenário clandestino de 30.000 veteranos das guerras de guerrilha anteriores da Tailândia, Coréia, Vietnã e Filipinas para combater o Pathet Lao. Como um grande número de soldados americanos no Vietnã ficou viciado em heroína, a Air America da CIA transportava ópio do território Hmong na planície de Jars para os laboratórios de heroína do general Vang Pao em Long Tieng e Vientiane para embarque para o Vietnã. Quando a CIA não conseguiu derrotar o Pathet Lao, os EUA bombardearam o Laos quase tão pesadamente quanto o Camboja, com dois milhões de toneladas de bombas.

 23. Líbia

A Guerra da OTAN contra a Líbia sintetizou a abordagem da guerra do presidente Obama  “disfarçada, tranquila, livre da mídia” . A campanha de bombardeios da OTAN foi fraudulentamente justificada ao Conselho de Segurança da ONU como um esforço para proteger civis, bem como o papel instrumental de forças especiais estrangeiras ocidentais e outras no terreno foram bem disfarçado, mesmo quando  Forças especiais do Catar  (Incluindo  ex-mercenários paquistaneses do ISI ) lideraram o ataque final sobre o Quartel General Bab Al-Aziziya em Trípoli. A OTAN realizou  7.700 ataques aéreos  30.000 -100.000 pessoas foram mortas , cidades legalistas foram bombardeadas até escombros e limpeza étnica, e  o país está em caos  enquanto milícias islâmicas treinadas e armadas pelo ocidente se apoderam de território e de instalações de petróleo e disputam o poder. A milícia Misrata, treinada e armada por forças especiais ocidentais é uma das mais violentas e poderosas. Enquanto escrevo isto, manifestantes invadiram o prédio do Congresso em Trípoli pela quarta ou quinta vez nos últimos meses, e dois representantes eleitos foram baleados e feridos enquanto fugiam.

24. México

O número de mortos em  guerras de drogas no México  recentemente ultrapassou 100.000. O mais violento dos cartéis de drogas é  Los Zetas  Autoridades norte-americanas chamam os Zetas de  “o mais tecnologicamente avançado, sofisticado e perigoso cartel de drogas operando no México.” O cartel dos Zetas foi formado por forças de segurança mexicanas  treinadas por forças especiais dos EUA  na Escola das Américas, em Fort Benning, Georgia, e em Fort Bragg, Carolina do Norte.

 25. Mianmar

Após a Revolução Chinesa, os generais do Kuomintang se mudaram para o norte da Birmânia e tornaram-se poderosos barões da droga, com proteção militar tailandesa, financiamento de Taiwan e de transporte aéreo e de apoio logístico da CIA. Produção de ópio da Birmânia passou de 18 toneladas em 1958 para 600 toneladas em 1970. A CIA manteve essas forças como um baluarte contra a China comunista, mas eles transformaram o  “Triângulo dourado”  no maior produtor de ópio do mundo. A maior parte do ópio era enviado por tropeiros para a Tailândia, onde outros aliados da CIA o enviavam para laboratórios de heroína em Hong Kong e Malásia. O comércio mudou por volta de 1970 quando o parceiro da CIA General Vang Pao montou novos laboratórios no Laos para fornecer heroína aos soldados no Vietnã.

26. Nicarágua

Anastasio Somosa governou a Nicarágua como seu feudo pessoal por 43 anos, com o apoio incondicional dos EUA, enquanto sua guarda nacional cometia todos os crimes imagináveis, ​​de massacres e tortura até extorsão e estupro com total impunidade. Depois que ele finalmente foi derrubado pela  Revolução Sandinista  em 1979, a CIA recrutou, treinou e apoiou  mercenários “contras”  para invadir a Nicarágua e conduzir terrorismo para desestabilizar o país. Em 1986, o Tribunal Internacional de Justiça considerou os Estados Unidos  culpado de agressão contra a Nicarágua  pela implantação dos contras e instalação de minas nos portos nicaraguenses. O tribunal ordenou que os EUA cessassem sua agressão e pagassem reparações de guerra à Nicarágua, mas elas nunca foram pagas. A resposta dos EUA foi declarar que não mais reconhecem a jurisdição vinculante da CIJ, efetivamente colocando-se acima do Estado de direito internacional.

 27. Paquistão; 28. Arábia Saudita; 29. Turquia

Depois de ler o meu último artigo AlterNet  sobre guerra fracassada contra o terror, ex-especialista da CIA e do Departamento de Estado em terrorismo, Larry Johnson me disse: “O principal problema no que diz respeito à avaliação da ameaça terrorista é definir com precisão o patrocínio do Estado. Os maiores culpados hoje, em contraste com 20 anos atrás são o Paquistão, Arábia Saudita e Turquia. O Irã, apesar dos delírios da direita/neocons, não é ativo na promoção e / ou facilitação do terrorismo”. Nos últimos 12 anos,  Ajuda militar dos EUA ao Paquistão  totalizou US $ 18,6 bilhões. Os EUA acabam de negociar  o maior negócio de armas da história  com a Arábia Saudita. E a Turquia é membro de longa data da OTAN. Todos os três principais patrocinadores do terrorismo no mundo de hoje são aliados dos EUA.

30. Panamá

Os oficiais de repressão às drogas dos EUA queriam prender  Manuel Noriega  em 1971, quando ele era o chefe da inteligência militar no Panamá. Eles tinham provas suficientes para condená-lo por tráfico de drogas, mas ele também era um antigo agente e informante da CIA, assim como outros agentes traficantes da CIA de Marselha a Macau, ele era intocável. Ele foi temporariamente libertado durante a administração Carter, mas, de outro lado continuou a receber pelo menos US $ 100.000 por ano do Tesouro dos EUA. À medida que ele passou a ser o governante de facto do Panamá, tornou-se ainda mais valioso para a CIA, informando sobre reuniões com Fidel Castro e Daniel Ortega da Nicarágua e apoiando as guerras secretas dos EUA na América Central. Noriega provavelmente saiu do tráfico de drogas por volta de 1985, bem antes de os EUA o indiciarem por isso em 1988. O indiciamento foi um pretexto para a invasão do Panamá EUA em 1989, cujo principal objetivo era dar os EUA maior controle sobre o Panamá, à custa de  pelo menos 2.000 vidas .

 31. As Filipinas

Desde que os EUA lançaram sua chamada guerra contra o terror em 2001, uma força-tarefa de 500 soldados JSOC dos EUA realizaram operações secretas no sul das Filipinas. Agora, sob o “pivô para a Ásia” de Obama, a ajuda militar dos EUA às Filipinas está aumentando de US $ 12 milhões em 2011 para US $ 50 milhões este ano. Mas os ativistas de direitos humanos filipinos relatam que o aumento da ajuda militar coincide com o aumento das  operações de esquadrões da morte contra civis . Os últimos três anos têm testemunhado pelo menos  158 pessoas assassinadas por esquadrões da morte .

 32. Síria

Quando o presidente Obama aprovou  o envio de armas e milicianos da Líbia  para a base do “Exército Sírio Livre” na Turquia, em aviões da OTAN sem identificação no final de 2011, ele estava calculando que os EUA e seus aliados poderiam replicar a “bem sucedida” derrubada do governo líbio. Todos os envolvidos entenderam que a Síria seria um conflito longo e sangrento, mas apostaram que o resultado final seria o mesmo, apesar de  55% dos sírios  terem dito a pesquisadores que ainda apoiavam Assad. Alguns meses mais tarde, os líderes ocidentais minaram o plano de paz de Kofi Annan com o seu “Plano B”,  “Amigos da Síria”.  Esse não era um plano de paz alternativo, mas um compromisso com a escalada, oferecendo apoio garantido, dinheiro e armas aos jihadistas na Síria para garantir que eles ignorassem o plano de paz Annan e continuassem lutando. Esse movimento selou o destino de milhões de sírios. Ao longo dos últimos dois anos, o Qatar gastou US $ 3 bilhões e transportou  aviões carregados de armas ; a Arábia Saudita enviou  armas da Croácia  e forças especiais monarquistas árabes e ocidentais treinaram milhares de jihadistas fundamentalistas cada vez mais radicalizados, agora aliados à Al-Qaeda. As negociações de Genebra II foram um esforço pouco entusiasmado para reviver o plano de paz Annan de 2012, mas a insistência ocidental em que uma “transição política” significa a renúncia imediata de Assad revela que os líderes ocidentais ainda valorizam mais a mudança do regime que a paz. Parafraseando  Phyllis Bennis , os EUA e seus aliados ainda estão dispostos a lutar até o último sírio.

33. Uruguai

Os funcionários estrangeiros com quem os EUA trabalharam incluem muitos que se beneficiaram com a sua cooperação em crimes americanos ao redor do mundo. Mas no Uruguai em 1970, quando o chefe de polícia Alejandro Otero opôs-se a que os americanos treinassem seus oficiais na arte da tortura, ele foi rebaixado. O funcionário dos EUA, a quem ele se queixou era  Dan Mitrione , que trabalhava para o Escritório dos EUA de Segurança Pública, uma divisão da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional. As sessões de treinamento de Mitrione incluiriam torturar moradores de rua até a morte com choques elétricos para ensinar seus alunos até onde eles poderiam ir.

34. Iugoslávia

O bombardeio aéreo da OTAN na Jugoslávia em 1999 foi um crime flagrante de agressão, em violação do  Artigo 2.4 do Estatuto da ONU . “Quando o secretário do Exterior britânico, Robin Cook disse à secretária de Estado Albright que o Reino Unido estava tendo “dificuldades com seus advogados” sobre o ataque planejado, ela lhe disse que o Reino Unido deveria ”conseguir novos advogados”, de acordo com seu vice James Rubin. A força terrestre testa de ferro da OTAN em sua agressão contra a Jugoslávia era o Exército de Libertação do Kosovo (KLA), liderado por  Hashim Thaci Um relatório de 2010 do Conselho da Europa  e um livro de  Carla Del Ponte , a ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional para a Jugoslávia, apoiam alegações de longa data que, no momento da invasão da OTAN, Thaci comandava uma organização criminosa chamada grupo Drenica que enviou mais de 400 sérvios capturados para a Albânia para serem mortos, de modo que seus órgãos pudessem ser extraídos e vendidos para transplante. Hashim Thaci é agora o primeiro-ministro do protetorado da OTAN de Kosovo.

35. Zaire

 Patrice Lumumba, o presidente do Mouvement National Congolais pan-africanista participou na luta do Congo pela independência e se tornou o primeiro primeiro-ministro eleito do Congo em 1960. Ele foi deposto em um golpe apoiado pela CIA liderado por  Joseph-Desejo Mobutu , seu Chefe do Estado Maior. Mobutu entregou Lumumba aos separatistas apoiados pelos belgas e mercenários belgas que tinham estado lutando na província de Katanga, e ele foi baleado por um pelotão de fuzilamento liderado por um mercenário belga. Mobutu aboliu as eleições, nomeou-se presidente em 1965 e governou como um ditador por 30 anos. Ele matou adversários políticos em enforcamentos públicos, mandou torturar outros até a morte, e eventualmente desviou pelo menos cinco bilhões de dólares, enquanto o Zaire, como ele o renomeou se mantinha como um dos países mais pobres do mundo. Mas o apoio dos EUA a Mobutu continuou. Mesmo quando o presidente Carter se distanciou publicamente, o Zaire continuou a receber 50% de toda a ajuda militar dos EUA à África Subsaariana. Quando o Congresso votou cortar a ajuda militar, Carter e os interesses das empresas norte-americanas trabalharam para restaurá-lo. Só na década de 1990, o apoio dos EUA começar a vacilar até que Mobutu fosse deposto por Laurent Kabila, em 1997 e morresse logo em seguida.

***

O Major Joe Blair foi diretor de instrução na  Escola das Américas dos EUA (SOA)  de 1986 a 1989. Ele descreveu o treinamento que ele supervisionou na SOA como o seguinte: “A doutrina ensinada era que, se você deseja obter informações você usa abuso físico, cárcere privado, ameaças a membros da família, e morte. Se você não pode obter as informações que deseja, se você não consegue que a pessoa se cale ou pare o que está fazendo, você a assassina – e você a assassina com um de seus esquadrões da morte.”.

A resposta padrão de autoridades norte-americanas à exposição dos crimes sistemáticos que descrevi é que essas coisas podem ter ocorrido em determinados momentos no passado, mas que de forma alguma refletem a politica americana de longo prazo ou atual. A Escola das Américas foi transferida da Zona do Canal do Panamá para Fort Benning, Georgia, e substituída pelo Instituto de Cooperação de Segurança do Hemisfério Ocidental (WHINSEC) em 2001. Mas Joe Blair também tem algo a dizer sobre isso. Testemunhando em  um julgamento de manifestantes d SOA Watch em 2002 , ele disse, “Não existem mudanças substantivas, além do nome. Eles ensinam os cursos idênticos aos que eu ensinava, e mudaram os nomes dos cursos e usam os mesmos manuais.”.

Uma enorme quantidade de sofrimento humano poderia ser atenuada e os problemas globais resolvido se os Estados Unidos assumissem um verdadeiro compromisso com os direitos humanos e o Estado de direito, em oposição ao que eles aplicam cínica e oportunista aos seus inimigos, mas nunca a si ou aos seus aliados.

 Nicolas J.S. Davies é o autor de Sangue em nossas mãos: a invasão e destruição americana do Iraque. Ele escreveu o capítulo sobre “Obama em Guerra” para o livro, Classificando o 44º Presidente: uma ficha de relatório sobre o primeiro mandato de Barack Obama como um líder progressista.

 

http://www.alternet.org/world/35-countries-where-us-has-supported-fascists-druglords-and-terrorists?akid=11576.253365.sBnvcN&rd=1&src=newsletter967367&t=6

DESCASO DA SIURB – PROJETO 196/SIURB/2010

Padrão

Senhor Prefeito, Fernando Haddad

Pela enésima vez, o cruzamento da Rua Poetisa Colombina com a Rua Dr. José Aires Neto foi alagado. Tivemos ontem, como presente de Natal 1 metro e meio de água que somente não invadiu as casas do Zé e da Vânia porque eles têm comportas de 3 metros de altura (já que estão acostumados a receber 2,5 metros de água em suas salas de visita). Vários veículos boiaram. Nada demais. Somente rotina.

A pergunta é: Por que isso acontece?

Por dois motivos: o primeiro, porque a coleta de lixo é deficiente. O setor de coleta do lixo de varrição (os famosos sacos de lixo amarelos que somente são recolhidos quando recorremos ao SAC e ao 156) não realiza seu trabalho e os sacos acabam entupindo o bueiro. Veja abaixo fotos tiradas nessa manhã de 26/12 no local do alagamento, no único bueiro que esgota a água pluvial do bairro inteiro.

E por que acontece o alagamento?

Porque independente do lixo não recolhido, o bueiro não dá conta do volume d’água. Um problema que foi levantado pela prefeitura, um projeto muito inteligente foi contratado, pago e licitado. As verbas foram alocadas e empenhadas.

Mas…

Um burocrata qualquer suspendeu a obra licitada, a meio caminho da solução, desperdiçando recursos e nos condenando à perpetuidade dos alagamentos naquele ponto do bairro, onde a vazão das enchentes não é atendida pela atual canalização.

A obra é essa http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/obras_de_drenagem/galerias/index.php?p=38295 da qual foram gastos 4 milhões até chegar à Raposo Tavares, onde foi paralisada.

O projeto é da Siurb – 196/SIURB/2010 – e foi suspenso em Outubro/2012, assim que sairam os resultados das urnas. Não conseguimos entender como e com que autoridade esse funcionário agiu. A obra estava em andamento. A menos que V.Exa. tenha enviado uma ordem direta de suspensão de todas as obras e o engavetamento do projeto.

Vimos tentando obter informações junto àquela secretaria, mas a transparência exemplar que temos do Arq. Luis Felipe na Sub Prefeitura do Butantã contrasta com a AUSÊNCIA DE TRANSPARÊNCIA e de acesso que encontramos na Siurb onde até mesmo os endereços de email da Siurb publicados no site devolvem as mensagens, em evidente demonstração do descaso daquela Secretaria com os problemas da cidade. Ninguém sabe informar coisa alguma e a disposição em nos receber revela uma total má-vontade em resolver os problemas dos CONTRIBUINTES e ELEITORES residentes na área alagada.

Sendo assim, pedimos encarecidamente a V.Exa encaminhar à Siurb uma cópia desse email e pedir-lhes que nos concedam a imensa e subida honra de nos receber em audiência imperial para que fiquemos informados sobre o andamento daquela obra crucial para o nosso bem estar.

Pedimos também a V.Exa que encaminhe nosso pedido à Dra. Leda no Planejamento para que seja providenciada a reinclusão do projeto no Programa de Metas de 2014 e que finalmente algumas famílias do Jardim Bonfiglioli possa dormir sossegados em dias de chuva.

Pedimos que encaminhe também uma cópia do Sr. Osvaldo Spuri na Siurb, já que os emais publicados não funcionam.

Aproveitamos para desejar votos de feliz ano novo.

José Filardo
ASSOVIO – ASSOC. DE VIZINHOS ORGANIZADOS

Os Estados Unidos da América são o país desenvolvido mais desumano no Planeta

Padrão

Tradução José Filardo

 AlterNet  / Por  Kevin Zeese e Margaret Flowers

Essa semana marcou o 65º aniversário da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O que aconteceria se as pessoas nos EUA soubessem que têm esses direitos?

ativismo

Crédito da foto: Shutterstock.com / Corgarashu

14 de Dezembro de 2013

Essa semana marcou o 65º aniversário da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ela foi elaborada por uma comissão das Nações Unidas presidida por Eleanor Roosevelt. A Convenção entrou em vigor em 1951, os Estados Unidos finalmente a ratificaram em 1988 e ela foi assinada pelo presidente George H.W. Bush.

O que aconteceria se o povo americano soubesse que têm esses direitos e exigisse sua aplicação? Acreditamos que esse seria um mundo muito diferente – a economia seria uma mais equitativa, com o pleno emprego, cuidados de saúde para todos, ninguém sem moradia e mais humano em todas as frentes. Em vez disso, esta semana, um relatório anual do  Credit Suisse classificou os EUA  como o mais desigual de todos os países desenvolvidos.

Como um guia geral para a compreensão dos direitos humanos, há cinco princípios que deveriam ser aplicados a todas as políticas: universalidade, equidade, transparência, prestação de contas e participação. Em poucas palavras, a universalidade significa que as políticas aplicam-se a todas as pessoas. Equidade significa que as pessoas tenham o que elas precisam, a fim de estar no mesmo nível que as outras. Participação significa que as pessoas tenham influência sobre as políticas que afetam suas vidas.

Harriet Tubman disse uma vez: “Eu libertei mil escravos; eu poderia ter libertado mais mil, se eles soubessem que eram escravos.” Da mesma forma, temos os direitos humanos e os nossos direitos estão sendo violados todos os dias, e mesmo assim muitos não estão cientes disso.

Desigualdade Econômica e Austeridade

A desigualdade de riqueza piorou sob a presidência de Obama. Isso é notável porque, historicamente, depois de um colapso econômico, a divisão da riqueza se fecha durante a fase de recuperação. De acordo com o  2013 relatório  “Nos EUA, a parte inferior, 90% da população, possui apenas 24,6% de toda a riqueza de capital privado, enquanto que na maior parte do mundo desenvolvido, a parte inferior de 90% possui cerca de 40%; por isso, o grau de concentração de riquesa nos EUA é extraordinário… ”

Não houve qualquer recuperação para os 90% de baixo. As políticas públicas continuaram a canalizar riqueza para o topo, ao cortar a infraestrutura social.  Ellen Brown explica  que a Lei da Reserva Federal impede que a Flexibilização Quantitativa (QE), ou os 85 bilhões de dólares criados a cada mês sejam usados para investir em negócios e criar empregos. Ela descreve a Lei como sendo “elaborada pelos banqueiros para criar banco de banqueiros que serviria aos seus próprios interesses. É o seu próprio clube privado, e sua estrutura jurídica mantém fora todos aqueles que não são membros dele.” Assim, ao invés de ajudar Main Street (o cidadão comum), a Flexibilização Quantitativa vai para Wall Street e vem senddo usada para negociação financeira que coloca toda a nossa economia em risco de colapso . Em 23 de dezembro, em todos os 12 Edifícios do Federal Reserve, ativistas  começarão uma campanha de um ano para mudar o Fed. Os contribuintes precisam recuperar o poder de criar dinheiro de uma forma transparente; o governo deve gastar dinheiro livre de dívidas em necessidades urgentes, e fornecer às pessoas o dinheiro de que precisam para sobreviver e criar o pleno emprego.

Desde o início de 2010, a administração Obama com o Congresso tem buscado a austeridade com o orçamento federal, que é o oposto do que é necessário para estimular a economia e reduzir o desemprego. Trabalhando em estreita colaboração com os falcões do déficit, como Alan Simpson e Erskine Bowles e a Fundação Peterson, cuja missão é acabar com seguros sociais, e programas necessários tais como subsídios de desemprego, vale-refeição, Medicare e Head Start foram cortados.

Pascal Robert  escreve que só este ano, o Sequester forçou “$ 9,9 bilhões em cortes do Medicare, 840 milhões de dólares em cortes de programas de educação especial, e 400 milhões de dólares em cortes no Head Start, além da quase 2 bilhões cortados de auxílio habitacional.” Ele chama isso de “guerra de Obama contra os pobres.” O economista Robert Reich chama o  novo orçamento de “burro”  porque eke não fecha as brechas fiscais para ricos, não restaura o programa de vale-refeição para os pobres, ou estende os subsídios de desemprego aos desempregados.” Ele clama por investimento na reparação de nossa infraestrutura deteriorada, o que resolveria problemas de segurança críticos e criaria empregos.

As tendências econômicas parecem ruins para a maioria de nós. Os estudantes universitários estão se formando com  níveis mais elevados de dívida a cada ano  em um ambiente de trabalho em que são forçados a atrasar a sua carreira desejada e trabalhar por salários miseráveis. Embora a taxa oficial de desemprego para graduados tenha caido, ela não considera os 1,7 milhões que pararam de procurar trabalho.

A combinação de salários miseráveis, crise imobiliária e a compra de casas em dificuldades por investidores fez com que o percentual de inquilinos aumentasse dramaticamente para  35% das famílias  , o mais alto em dez anos. E mais da metade dos inquilinos está pagando mais de 30% de sua renda só com aluguel. É um mercado de senhorios e alguns inquilinos estão se perguntando se não é hora de se revoltar.

E não há um fim à vista para esta situação econômica.  The Guardian escreve  que a Rede de Política de Estado, financiada pelos irmãos Koch e Kraft, está se preparando para pressionar por legislação em muitos estados que minará o pagamento de empregados públicos e pensões, privatizará ainda mais a educação, se oporá ao Medicaid e até mesmo tentará interromper os esforços para mitigar as alterações climáticas . Eles estão até mesmo pressionando para se livrar do imposto de renda em determinadas áreas, um movimento que será atraente para alguns, mas que forçará mais cortes em programas sociais importantes.

A transferência simultânea de riqueza para o topo e as medidas de austeridade para o resto parece suicídio social certo, mas parece que quem está no poder está doente com a ganância e não pode ajudar-se. Chris Hedges descreve o problema a Paul Jay do The Real News esta semana em uma entrevista chamada  A Patologia dos Ricos  , dizendo que “Eles extrairão mais e mais e mais, porque não têm limites auto-impostos; sem entender as consequências econômicas, políticas e sociais do que estão fazendo.”

Acordos Comerciais e o Orçamento Federal

A divisão da riqueza é criada por escolhas políticas feitas por aqueles no poder. Podemos ver como eles aparelham a economia para os seus doadores ricos e os interesses das grandes empresas, em detrimento de empresas locais, empresários, trabalhadores e os pobres. Nesse exato momento, esse aparelhamento econômico está operando nas negociações secretas para a  Parceria Trans-Pacífico  (TPP).

Estamos testemunhando a aceleração de uma agenda econômica neoliberal global através da TPP e a versão Atlântica, a TAFTA. Na  Europa, um documento vazou que descreve a estratégia de mentir para o povo  da Europa sobre a “gestão de partes interessadas, mídia social e transparência” para dar uma falsa aparência de ouvi-los e silenciá-los. Ao mesmo tempo, a sua estratégia de comunicação TAFTA promete empregos e crescimento econômico – quando sabemos que a partir de acordos de comércio corporativo anteriores que essas são falsas promessas. A abordagem na Europa é retirada da cartilha da administração Obama nos Estados Unidos: enganar o público, ocultar a verdade e manter o conteúdo em segredo.

Stan Sorscher escreve  que esses acordos comerciais são mais do que comércio. Eles são “documentos políticos, sociais, culturais e morais que estabelecem padrões políticos e sociais para os países e comunidades.” Eles criam um sistema jurídico que anula a capacidade de aprovar leis que protejam o público e o meio ambiente, se aquela proteção interfere com os lucros das empresas.

Felizmente, devido aos protestos públicos e a exposição de que os EUA está pressionando por políticas que violam normas internacionais, as negociações da TPP nessa semana em Cingapura foram interrompidas. O Wikileaks revelou  que os EUA permanecem inflexíveis pressionando por políticas pró-corporativas extremas enquanto outros países que negociam tentam representar os interesses de seus povos.

A Organização Mundial do Comércio concluiu suas reuniões essa semana em Bali. Centenas de pessoas de grupos da sociedade civil protestaram dentro e fora das reuniões. Um acordo foi alcançado, mas ainda tem que ir para cada país, para ratificação antes de produzir efeitos. A  reação da sociedade civil  mostrou grande preocupação com o conteúdo do acordo, em particular, devido à expansão de direitos corporativos e ameaças à soberania alimentar. Eles escrevem: “Nenhum país deve ter que pedir o direito de garantir o direito à alimentação.”

Nos EUA, uma coalizão de grupos da sociedade civil também respondeu ao orçamento aprovado essa semana no Congresso com o seu próprio Orçamento de Pessoas-Paz-Planeta anunciado em 10 de Dezembro, Dia dos Direitos Humanos, o qual continha uma redução de até 50% nos gastos militares e investimento em necessidades internas.  Eles disseram  “Um em cada dois americanos está agora em situação de pobreza ou de baixa renda. Nós não temos apenas fome de comida. Temos fome de empregos, casas, escolas, necessidades básicas da vida. Temos fome de justiça!” Uma pequena delegação levou o orçamento ao Congresso e o apresentou aos escritórios do deputado Paul Ryan e do senador Patty Murray sem aviso prévio. Dennis Trainor Jr. da  Relatório de Resistência  cobriu  suas respostas  .

Algumas horas mais tarde, Democratas e Republicanos, os partidos corporativos bipartidários no Congresso (os únicos partidos permitidos em nossa falsa democracia), chegaram a um acordo sobre o orçamento que restaurará a despesa militar completa, permitindo que cortes de vale-refeição e desemprego prossigam. O acordo foi descrito como “terrivelmente destrutivo”  porque ele continua com a austeridade, não se estende ao desemprego ou restaurar cortes em vale-refeição. Ela corta pensões, corta Medicaid e cria impostos sobre Medicare e restaura gastos militares. É um orçamento que mata empregos e enfraquece a economia. “Esse acordo não exige, essencialmente, nada dos americanos mais ricos, ao mesmo tempo em que coloca fardos terríveis sobre os desempregados, bem como sobre os novos funcionários federais, continuando a arrastar a política fiscal de nossa recuperação ainda inacabada,”  disse Lawrence Mishel, diretor-executivo do Instituto de Política Econômica .

Lutando por Nossos Direitos Humanos

Muitos na sociedade civil estão começando a entender que os direitos humanos não estão sendo respeitados. Nossos direitos delineados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e ilustrado nesse  gráfico  , tais como o direito a cuidados de saúde e outras necessidades básicas, privacidade e viajar sem restrições estão sendo violados. Cabe a nós organizar-nos e mobilizar-nos para exigir que esses direitos sejam respeitados.

De fato, um desses direitos de acordo com os convênios internacionais é o  direito de resistir  que os fundadores dos Estados Unidos chamaram de liberdade de expressão, liberdade de reunião e direito de petição ao Governo para reparação de injustiças. Maciej Bartkowki e Annyssa Bellal escrevem que a comunidade internacional deve apoiar a resistência civil não-violenta, de modo que “uma ‘pessoas política’ possa representar uma força decisiva para um empurrão final para longe do discurso e pratica tradicionais dirigidos pelo Estado… para discurso e prática orientados para as pessoas, a soberania popular com base sobre os direitos e responsabilidade para mantê-las.”

Em 10 de dezembro, participamos de uma reunião no escritório da  Iniciativa Nacional Econômica e Direitos Sociais  (  NESRI  ) em Nova York. A NESRI facilita a organização de grupos de todo o país que usam uma estrutura de direitos humanos. O primeiro passo é para os ativistas e suas comunidades entender que eles têm certos direitos. A cultura dominante nos Estados Unidos nos diz que temos direitos a conceitos abstratos, tais como a liberdade, mas não às necessidades básicas tangíveis de educação, habitação, saúde, emprego e muito mais. E o segundo passo é identificar onde esses direitos estão sendo violados e se organizar para restaurá-los e protegê-los.

Quando a estrutura de direitos humanos é aplicada a qualquer problema, a solução torna-se evidente. Por exemplo, a saúde não seria tratada como uma mercadoria que é um centro de lucro para os investidores ricos, mas um bem público fornecido como um serviço público a todos. Para o emprego, isso significaria uma economia de pleno emprego, onde aos trabalhadores seriam pagos salários adequados e não miseráveis. Esses são dois exemplos entre muitos.

Uma área em que há uma luta agressiva pelos direitos humanos é a campanha por um salário mínimo de 15 dólares por hora. Examinamos a amplitude desse conflito de luta de classes em  uma revisão semanal recente : 1.500 protestos no Walmart e em 100 cidades em que trabalhadores de baixa renda saíram às ruas são dois exemplos recentes. As pessoas estão percebendo isso não é apenas uma luta por um salário justo, mas por um tipo diferente de país que respeite os direitos humanos. E as pessoas percebem que nossos impostos estão subsidiando as práticas antiéticas do Walmart, McDonalds, Starbucks e outros que pagam salários de miséria, enquanto os contribuintes subsidiam a alimentação, saúde, habitação dos empregados e a renda do Diretor Presidente.

Em SeaTac, a cidade onde está localizado o aeroporto de Seattle-Takoma,  as pessoas votaram para aumentar o salário mínimo para 15 dólares . Esta é uma vitória incrível. Não só os trabalhadores recebem 15 dólares por hora (cerca de 31.000 dólares de salário anual), mas suas licenças de saúde são pagas. Claro, as pessoas que se aproveitam de trabalhadores de baixa renda não querem desistir de seu trabalho virtualmente escravo. A Alaska Airlines e a Washington Restaurant Association contestaram a nova lei na Justiça. Isso é, com frequência, parte da batalha por justiça.

Em outra vitória, a Schneider Logistics,  uma empresa que administra armazéns para a Walmart concordou em pagar 4,7 milhões de dólares a até 568 trabalhadores depois que eles a processaram  por roubo de salários, ou seja, falta de pagamento de horas extras e descontos do salário em seus cheques de pagamento, entre outras coisas. O Walmart, conhecido por forçar os empreiteiros e fornecedores a reduzir seus preços, tentou escapar do clamor público dizendo que os trabalhadores não trabalham diretamente para eles. Isso não passa no teste de risada, porque sabemos que é parte da Walmartização da economia.

Em outra história notável, Flor Molina, que veio para os Estados Unidos para que pudesse alimentar a sua família no México, recebeu promessas de um trabalho por suas habilidades de costura. Quando ela chegou aqui, descobriu que havia se tornado uma escrava, trancada em um quarto com outros escravos em Los Angeles e forçados a trabalhar. Após 40 dias, ela fugiu e encontrou um grupo, a Coligação para Abolir a Escravidão e o Tráfico (CAST). O grupo a ajudou a lidar com o abuso que sofreu e ela é agora um membro pioneiro da União dos Sobreviventes do CAST, um grupo de mulheres de 13 países que escaparam da escravidão nos Estados Unidos. Eles trabalham para criar políticas que atendam às necessidades das vítimas de tráfico em questões como cuidados de saúde e proteção de vistos. “Agora que eu sou uma avó, quero um mundo livre da escravidão”, diz Molina. “Agora que sobrevivi, quero mudar alguma coisa.”

Outros que se levantam e lutam precisam do nosso apoio. Nós pedimos a todos que  boicotem a Dominos Pizza  devido aos mau tratos dos trabalhadores. Em um caso,  empregados da Dominos que reclamavam ser pagos menos que o salário mínimo foram demitidos  . Roubo de salário é muito comum. Em Nova York, uma pesquisa constatou que 84% dos trabalhadores relataram formas de roubo de salários. A Dominos, em Washington Heights na Rua 181  pratica um tipo de roubo de salários. Vamos fazer a @Dominos saber que você não vai comprar seus produtos até essa injustiça seja corrigida. A solidariedade é fundamental para derrotar esses abusos de direitos humanos.

A Starbucks, que está entre as  dez principais empresas com salários miseráveis, tem um empreiteiro que lhes fornece seus copos de café de papel. O sindicato está lutando por um contrato justo, mas o proprietário está tentando forçá-los a aceitar cortes nos salários e benefícios, incluindo a perda de uma hora de almoço paga. Recentemente  os trabalhadores tomaram pública a sua luta  com a ajuda do Sindicado dos Trabalhadores da Starbucks (SWU), uma pequena rede básica de baristas e supervisores de turno. Eles organizaram uma Semana Internacional de Ação em 15 grandes cidades para chamar a atenção para as injustiças que estão enfrentando. Eles querem que Starbucks entre e participe de seu apelo. Mande um Tweet para @Starbucks e peça a eles que – respeitem seus trabalhadores, apoiem os trabalhadores em sua empresa de copos de papel Paciv Stockton.

Outra área importante de direitos humanos é o direito à educação. A Declaração Universal diz: “Toda a pessoa tem direito à educação” e que “A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e o fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.” Esses direitos estão sendo violados no Estado Unidos na medida em que a austeridade e a corporatização minam a educação.

As pessoas estão se levantando para lutar por seu direito à educação  – o que inclui alunos, pais e professores. Precisamos principalmente apoiar os esforços dos estudantes que defendem os seus direitos, tais como  o inspirador Projeto Algebra  da juventude. Essa semana, houve um  dia de ações  em todo o país para recuperar as escolas públicas.

Mais uma área onde os direitos humanos são violados nos Estados Unidos é a habitação  . Não são apenas as políticas econômicas tornando a  habitação inacessível  , mas pessoas que não podem mais pagar por habitação  estão sendo amplamente criminalizadas , assim como aquelas que  fornecer comida a quem tem fome . Essa semana, em San Francisco, ativistas de habitação  bloquearam um ônibus do Google para protestar contra os despejos  resultantes da gentrificação provocada pela tecnologia que torna a habitação muito cara para muitos.

Estes são apenas alguns exemplos. Podemos olhar para quase todas as questões e encontrar violações dos direitos humanos. E, também podemos ver que, se os cinco princípios de direitos humanos fossem aplicadas, as políticas seriam muito diferentes e veríamos um país que atendeu às necessidades das pessoas e protegeu o planeta da destruição ecológica.

Momento de Indignação

Em 2010,  Stephane Hessel  (Aqui está um  site inspirado por seu trabalho  ) que lutou na Resistência francesa e foi o mais jovem membro da equipe dos redatores da Declaração Universal dos Direitos Humanos escreveu um livro curto “ Time for Outrage  “(Indignai-vos!). Ele tinha 95 quando morreu em 2013. Seu livro é creditado como sendo um dos catalisadores do movimento Indignado, o precursor do movimento Occupy. Ele já vendeu milhões de cópias e foi traduzido para 17 idiomas.

Hessel começa por desmontar a falsa retórica do tipo que ouvimos dos bi-partidários em Washington e dos neoliberais em todo o mundo:

“Dizem-nos, descaradamente, que o Estado não pode arcar com o custo de certas medidas civis por mais tempo. Mas como podem nos faltar fundos, quando nossas nações desfrutam de uma maior riqueza do que qualquer outro momento desde a Libertação, quando a Europa estava em ruínas? Como explicar isso, senão com o poder corrupto do dinheiro … que agora é maior, mais insolente e mais egoísta do que nunca.

Os ricos instalaram seus escravos nas mais altas esferas do Estado. Os bancos são propriedade privada. Eles estão preocupados apenas com os lucros. Eles não têm nenhum interesse no bem comum. O fosso entre ricos e pobres é o maior que jamais existiu, a busca pela riqueza e do espírito de competição são incentivados e celebrados”.

O capítulo final de Hessel clama por uma “Insurreição Pacífica” e conclui apresentando um encargo para todos nós hoje, um que devíamos levar a sério pois trabalhamos por um mundo melhor, construído sobre o fundamento dos direitos humanos universalmente reconhecidos. Em seus parágrafos finais, ele escreve:

“Como posso concluir esse convite à indignação?

Reiterando que, no sexagésimo aniversário do Programa do Conselho Nacional da Resistência – 8 de março de 2004 – nós, os veteranos da Resistência que lutamos pela França Livre entre 1940 e 1945, dissemos o seguinte:” Sim, o nazismo foi derrotado graças aos nossos irmãos e irmãs da Resistência que sacrificaram suas vidas, e graças às nações unidas em sua oposição a barbárie fascista. Mas a ameaça persiste; não estamos inteiramente livres dele. E contra a injustiça, nossa raiva permanece intacta.

De fato, a ameaça persiste. Nós, portanto, mantemos o nosso apelo por uma “rebelião – pacífica e resoluta – contra os instrumentos de comunicação de massa que oferecem aos nossos jovens uma visão de mundo definida pelas tentações do consumo de massa, uma amnésia histórica e a competição implacável de todos contra todos.

Aos homens e mulheres que farão o século XXI, dizemos com carinho:

“CRIAR É RESISTIR

RESISTIR É CRIAR”

Todos os dias, os direitos garantidos pelas leis dos EUA, bem como a Declaração Universal dos Direitos Humanos são violados contra o povo dos Estados Unidos e ao redor do mundo. Vamos reconhecer que esses direitos são nossos direitos inalienáveis ​​e que só nós podemos garantir que os tenhamos. Eles não nos serão dados; devemos tomá-los e nos indignarmos em nossa constante procura para que eles sejam respeitados.

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Esse artigo é produzido por  PopularResistance.org  em conjunto com AlterNet. Baseia-se no  Boletim semanal de PopularResistance.org  analisando as atividades do movimento de resistência.

Kevin Zeese, JD e Margaret Flowers, MD são participantes de  PopularResistance.org  , eles co-dirigem  É nossa economia  e co-hospedam Clearing the FOG  . Seus twitters são  @KBZeese  e @MFlowers8  .

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Confissões de um Operador de Drone: Os homens que Distribuem Morte a partir de um Computador

Padrão

Tradução José Filardo

 AlterNet  /  Por  Bill Berkowitz

Não há maneira de contornar isso, e não há como escapar; os drones estão aqui para ficar.

drone

Um drone americano passa perto de Kandahar em 01 de janeiro de 2009

Ao contrário de outros de sua idade que podem estar em casa jogando videogames violentos com nomes como Bulletstorm, Grand Theft Auto, Mortal Kombat e Splatterhouse, e Kindergarten Killers, o Piloto de Primeira Classe, Brandon Bryant não estava jogando.

O ano era 2007, não muito depois de Briant ter completado vinte e um anos.

“Ele foi um experimento, realmente”, diz o subtítulo da história da revista GQ intitulada “Confissões de um Guerreiro de Drone“. “Um dos primeiros recrutas para um novo tipo de guerra, em que os homens e máquinas se fundem. Ele voou múltiplas missões, mas nunca deixou o seu computador. Ele caçou terroristas importantes, salvou vidas, mas sempre de longe. Ele perseguiu e matou inúmeras pessoas, mas nem sempre podia dizer-lhe exatamente o que ele estava atingindo. ”

De acordo com Mateus Poder da GQ, “Desde a sua criação, o programa de drones tem sido amplamente ocultado, seus detalhes operacionais recolhidos aos poucos a partir de relatórios classificados fortemente censurados ou visitas de mídia acompanhadas por relações públicas militares”.

A história de Powers concentra-se no Piloto de Primeira Classe Brandon Bryant, que ao receber ordens de “uma cadeia de comando misteriosa conectada diretamente aos seus fones de ouvido,” voltada para um pequeno grupo de homens no Afeganistão e lançou sua primeira aeronave teleguiada – o drone.

“Foi-lhe dito que eles estavam carregando rifles sobre seus ombros, mas até onde ele sabia, eles eram cajados de pastor. Ainda assim, a diretiva de algum lugar acima … era clara: armas confirmadas Ele mudou do espectro visível – os cinzas e marrons da ‘TV de dia’ – para o forte contraste de infravermelho, e as assinaturas térmicas dos insurgentes  destacando-se em branco fantasmagórico contra a terra fresca preta. Um observador de segurança apareceu atrás dele para garantir que a “liberação da arma” seguia o manual de instruções. Uma longa lista de verificação verbal, seu alvo de laser travado nos dois homens andando à frente. Uma contagem regressiva – três … dois … um …, então a simples observação  “míssil fora do trilho”. A sete mil e quinhenta milhas dali, um Hellfire foi acionado, destacou-se do seu suporte e atingiu velocidade supersônica em segundos.

“Era tranquilo na caixa escura e fria no deserto, exceto por o baixo zumbido de máquinas.

“Ele manteve o laser de mira travado sobre os dois homens da frente e olhou tão intensamente que cada pixel individual se destacava …. Enquanto observava os homens caminhando, o que tinha ficado para trás pareceu ouvir alguma coisa e começou a correr para alcançar os outros dois. Então, brilhante e silenciosa como um flash de câmera fotográfica, a tela se iluminou com uma chama branca.”

Operando a partir de uma “caixa de metal sem janelas de uma Estação de Controle de Solo (GCS) na Base Aérea de Nellis, uma vasta extensão de asfalto e hangares de manutenção próxima a Las Vegas”, Bryant contou a Power: “A fumaça se dissipa, e há pedaços dos dois caras ao redor da cratera. E há esse cara ali, e ele está perdendo sua perna direita acima do joelho. Ele a está segurando, e ele está rolando pelo chão, e o sangue esguichando de sua perna e batendo no chão e está quente. Seu sangue está quente. Mas quando bate no chão, ele começa a esfriar… a poça esfria rápido. Ele levou um longo tempo para morrer. Eu só o observei. Eu o vi tornar-se da mesma cor que a terra na qual estava deitado”.

“Por trás de um computador com um joystick ‘

Em um artigo publicado no Daily Times do Novo México (Four Corners News) intitulado “Operador aposentado de drone militar compartilha experiência de pilotagem remota“, o repórter James Fenton entrevistou o tenente coronel aposentado Bruce H. Black, que passou duas temporadas transportando carga aérea em aviões C-130 no Iraque e no Afeganistão. … Mas [cuja] mais longa operação de combate aconteceu atrás de um computador com um joystick bem perto de Las Vegas, Nevada ”

A partir de “um trailer móvel na Base Aérea Creech, Black voou um veículo aéreo não tripulado, o MQ-1 Predator, comumente chamado drone”: “Era como o Velho Oeste de novo.  Era um sistema de armas completamente novo, sem regras. Eles se tornaram o ativo mais solicitado nas guerras no Iraque e no Afeganistão”, disse Black. “Até hoje, nós estamos voando o protótipo. Tudo está em um teclado. Você está voando o computador e o computador voa o drone. Todo mundo o chama de videogame, mas não é tão bom.”

Black é aparentemente um entusiasta do uso de drones, alegando que ele “estava atirando duas semanas depois que cheguei ali, e salvei centenas de pessoas, incluindo iraquianos e afegães …. Não demorou muito para perceber a importância do trabalho. O valor que o sistema de armas traz para a luta não é aparente até que você está lá. As pessoas têm dificuldade em ver isso”.

Black também negou que os drones, conforme descrito em um recente relatório da Anistia Internacional mataram civis. Em vez disso, ele citou um exemplo em que ele salvou uma família afegã de ser atacada.

Black também reconheceu que sua experiência foi poderosamente surrealista: “Você está bem no meio de um tiroteio, seu turno termina e seu substituto abre a porta, entra e você se pergunta: ‘Onde estou?’ É surreal. Estou ouvindo os obuses atingir o Humvee onde (as tropas terrestres estão) e eu fiquei chocado ao perceber que eu não estava em um avião. Eu não estava no Afeganistão. Minha família vivia aqui (em Farmington) e eu voaria para casa nos fins de semana. Você está combatendo – seis dias sim, três dias não – alguém contando com você para vida ou morte. Você voltar para casa e foi inundado com a tentativa de atacar esse cara , salvar esse cara, e sua esposa diz: “Querido, devo usar um tutu rosa ou azul? Ou eu entro e ela, ‘Querido, seu carro vazou óleo na calçada”, e eu sei que isso é importante, mas eu sinto muito. Eu simplesmente não posso ficar animado sobre isso. Ninguém vai sangrar por causa dessas coisas. ”

Nossos drones estão aqui para ficar

Não há como contornar isso, e não há como escapar disso; os drones estão aqui para ficar. Há pouca dúvida de que estes veículos não tripulados – utilizados para reconhecimento militar e vigilância, ou fortemente armados com mísseis e bombas – continuarão a ser usados no futuro. E à medida que a tecnologia se expande, espere que os drones, mais barato de produzir e operando sem tripulação de voo, serão utilizados com maior frequência militarmente, bem como para fins não-militares nefastos como tentar contrabandear coisas para dentro de prisões.

Enquanto ouvimos relatos com bastante frequência sobre drones matando este ou aquele terrorista, muitas vezes não temos acesso a histórias sobre ataques de drones resultando na morte de civis. No entanto, não importa o quão longe no jornal e não importa quão curto seja o artigo, as histórias sobre ataques de drones no Paquistão, Afeganistão, Iêmen e outros países tenderão a se tornar mais comuns nos próximos anos. (Vale a pena notar que o Paquistão lançou recentemente seus próprios drones produzidos internamente.)

Mais drones, na maior parte do tempo

O número real de mortes de civis causadas por drones é muitas vezes difícil de encontrar: o Ministério da Defesa do Paquistão recentemente colocou o número em 67, da New America Foundation estima em 176, o Long War Journal coloca o número em 133, e o Bureau of Investigative Journalism estima de 500 a 1000 .

De acordo com o Troubleshooter da NBC Connecticut, “a Federal Aviation Administration estima em cerca de 30.000 os veículos aéreos não tripulados que poderão estar enchendo nossos céus até o ano de 2020.” Em 2015, a FAA espera liberar uma versão de atualização das regras “sobre quem pode operar drones e para que fins.”

“Com enorme potencial de crescimento e gastos, os drones serão um centro de nossa política para o futuro previsível”, destacou Matthew Poder da GQ. “(Até 2025, os drones  serão um negócio de 82 bilhões de dólares, empregando mais de 100 mil trabalhadores.) A maioria dos americanos – 61 por cento na última pesquisa Pew – apoiam a ideia de drones militares, uma projeção do poder americano que não colocará em risco vidas americanas”.

Bill Berkowitz é um escritor freelance que cobre movimentos conservadores e política.

Publicado em Alternet  – 11/12/2013