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La Recherche du temps perdu ou para os íntimos, a Horta da Luzia

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Os “veios” devem se lembrar do Pasquim. Era um tabloide publicado na década de 70 e 80 que se opunha ao regime militar e que reunia os intelectuais de esquerda, incluindo jornalistas e humoristas, o que dava um tom sui generis ao jornal. Foi o avô do CQC.

Foi lá que vi a expressão “horta da luzia”. Isso tem relação com uma expressão “você vai ganhar o que a Luzia ganhou atrás da horta”, mas no Pasquim significava uma espécie de exercício proustiano.

Pois é. Durante aquele período de minha existência que chamo de “verdadeira vida”, de 1968 a 1971, meu irmão, Nicola, alugou um apartamento na Rua da Consolação onde eu também acampava. Sim. Acampava porque era um acampamento, não um apartamento. Para se ter uma ideia, meu guarda-roupa era uma cama colocada em 45 graus contra a parede, com os cabides dependurados embaixo dela, no estrado, e cobertores, etc. sobre a parte inclinada. E eu dormia sobre um colchão no chão. Mas, era um lar…

Certa noite, eu e o Nicola, cada um em sua cama, no escuro, começamos a conversar sobre reminiscências da infância e da juventude e o assunto derivou para lembranças de quem morava onde.

Aí começamos pelo Seu Oracildes, à esquerda de nossa casa na Rua Marechal Deodoro, 99. Fisicamente à esquerda, porque o Seu Oracildes era de extrema direita. Em seguida vinha a Dona Coleta Mendes que morava em um apartamento anexo à casa do Donga, casado com a filha dela, Julieta e pais da Sueli.

Na direção norte ficava o seu Cefalini, mais tarde o Alírio e o Claudio Coutinho; depois vinha o açougue do seu Leôncio, pai do Oracildes, e a casa-cartório dele, que era tabelião; daí vinha o salão de cabeleleireira da Tia Nenê, irmã de minha mãe, anexo à casa-sapataria do Pedro Guerci, pais do Angelo e da Graça. Virando à esquerda, descendo a Dr. Pedro de Toledo ficava a casa do Armando Berozzi, com sua horta imaculada. Quando plantava pimentão, diziam que ele podava cada pé com alicate de cutícula. Um brinco. Mais abaixo a casa da Tia Nair, prima de minha mãe, mulher do Tio Otinho. O nome dele Otto Mathes. Meu ídolo. Montou o primeiro radio galena da cidade, sabia tudo sobre eletrônica e era completamente ateu. Abaixo da casa deles estava a casa do Fernando Castro, filho da minha professora do terceiro ano, D. Laura. O Fernando e o Tuca, filho da Tia Nair, um dia fugiram de casa. Lembro-me do fuzuê. Virando a esquina, na Rua Tupinambas, vinha a casa do Pedro Alemão, depois uma casa que não me recordo o nome e em seguida o Quinha Lemes, eletricista. Subindo a Francisco Maia havia a casa do Zé Policici, mais uma que não me lembro e fechava de novo na casa do Donga.

E assim íamos, intercalando lembranças sobre as pessoas, à medida que os nomes surgiam, e montávamos, quadra por quadra os residentes no centro velho da cidade, a partir de nossa casa.

Foi uma noite memorável.

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EVACUANDO

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Todas as pessoas que conheço estão procurando um sentido para a vida. Entre elas, acho que ninguém conseguiu. Exceto eu, naturalmente.  E vou compartilhar com vocês a minha descoberta. 

Tarammm!

Pois bem, o sentido da vida é procurar o sentido da vida. Simples assim.

Há pessoas que não se conformam com a falta de sentido da vida e definem um sentido pessoal para a própria vida.

Há pessoas que desistem de procurar o sentido da vida e simplesmente vivem a vida, ou melhor são levadas pelo rio da vida como uma rolha flutuando na corrente.  Para alguns a corrente é turbulenta, para outros é mais suave. Eu estou entre esses últimos.

Em meus quase 65 anos de vida, tomei apenas quatro decisões marcantes. O restante dos meus dias foram uma sequência de eventos sobre os quais eu não tive qualquer controle.

A primeira delas, aos quinze anos, quando resolvi abandonar a igreja católica, com a qual tinha estado em conflito desde sempre, ou melhor, desde que o padre me expulsou aos gritos do confessionários em minha primeira comunhão (já contei essa história por aqui). Identifiquei o padre estúpido com a sua religião estúpida e nunca realmente me liguei naquela baboseira toda que a tia Rosa passava no catecismo ou os padres em seus sermões idiotas. Assim que a decisão estava madura, escrevi uma carta ao João XXIII solicitando minha excomunhão.

A segunda decisão eu tomei aos 19 anos, quando decidi jogar para cima o emprego no banco.  Tinha entrado na faculdade, dava aulas particulares, dava aulas em cursinho e tocava a vida. Foram os únicos 18 meses de vida de verdade que tive em todos os 65 anos em que venho respirando, comendo, cagando e dormindo.

A terceira decisão foi um enorme engano que cometi e que teria mudado completamente o rumo de minha vida.  Em 1970, fui informado que a IBM estava recrutando funcionários com inglês e fui até lá. Nessa época, a IBM não passava de uma salinha na Rua Araujo e eu conversei com o gerente e fui aceito, ficando de dar uma resposta no dia seguinte.  E o idiota aqui não aceitou. Só porque o horário de trabalho era da meia noite às sete.  Cretino!

A quarta decisão (e última) foi quando resolvi entrar na Maçonaria. Vocês dirão: “Ah, mas ninguém decide entrar na Maçonaria. Você tem que ser convidado.”

Pois é. É assim mesmo. Mas eu sou bisneto de maçom e duas gerações de filhas mulheres impediram a sequência da tradição. Mas, eu tinha o Tio Afonso, irmão do meu avô, que era maçom, seus filhos, netos, sobrinhos, genros eram maçons.  Pedi a ajuda deles para me apadrinhar e finalmente fui recomendado a um irmão em Sampa que me apadrinhou. Essa decisão é neutra, pois não fez diferença na minha vida, já que a maçonaria brasileira está completamente inerte.

Posso dizer, entretanto, que sou feliz.  Nasci em uma excelente família cujo único defeito era o catolicismo, mas isso eu resolvi com a minha primeira decisão.

Meu pai era uma pessoa muito simples, para quem os filhos deveriam seguir a profissão do pai e acomodar-se passivamente diante da autoridade e da vida. Era uma pessoa absolutamente honesta e cumpridora de seus deveres e conseguiu transmitir esses valores aos filhos.  Mas, ele queria mesmo que ficássemos para sempre em Caconde, tocando a barbearia.

Minha mãe, por outro lado, era uma pessoa visionária (não consigo entender de onde ela tirou a sua determinação, lutando contra a corrente). Acho que foi graças a ela que escapei de ir para em um seminário como o meu primo Picido. Seriamos dois bispos na família. Ou pelo menos um, já que o Picido não aceitou o empreguinho quando o papa ofereceu e preferiu continuar chefiando a seita que ele criou.

Bem, já evacuei bastante por hora.  Voltarei ao assunto.

E o verbo se fez carne…

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Tudo começou em uma manhã de dezembro de 1948.  Em pleno baby-boom. As cegonhas estavam trabalhando dobrado para dar conta de todos os pedidos e na noite de 18 de dezembro, o cegonho encarregado da entrega da encomenda de um filho na casa de um holandês calvinista em Poços de Caldas estava enterrado em dívidas de jogo e precisava fazer horas extras. Por isso ele estava exausto quando pegou a ordem. Não deu outra.  Quando sobrevoava Caconde, na manhã do dia 19, sua asa esquerda começou a falhar e ele resolveu entregar a encomenda ali mesmo.  Notificou o despacho e solicitou que outra cegonha entregasse outro pacote ao holandês, enquanto ele entregaria o pacote dele ali mesmo, já que não conseguiria voar até Poços.

Por isso, ao invés de uma casa calvinista, fui descarregado em uma casa católica.  Uma parte de origem portuguesa (cafeicultores falidos) e a outra metade imigrantes italianos. Uma boa família, mas com um defeito terrível – o catolicismo.

Pois é, e eram católicos. Minha vó Chica até era zeladora da igreja, fazia parte da congregação do sagrado coração de chessuis, recebia a capelinha uma vez por mês, ornamentava a fachada em dia de “picissão”; minha mãe e minhas tias foram filhas de maria e depois também eram membros da congregação do sagrado coração de chessuis; também recebiam a capelinha de vez em quando; na minha infância, era comum na casa da minha vó as brincadeiras de procissão organizadas pelo Picido – já prenunciava sua vocação.  Nas semanas santas éramos vestidos de apóstolos para o tradicional lava-pés. Como a minha Vó Chica era influente, eu sempre conseguia ser apóstolo. Hoje sou apóstata.

Do outro lado, dos italianos – católicos por definição – meu pai e meu tio eram congregados marianos, minha tia Rosa era filha de maria, catequista e cantava no coro da igreja. Minha vó Elizabeta também pertencia à congregação do sagrado coração, assim como todas as suas filhas.

Não deu outra. Fui batizado e crismado na superstição católica, onde permaneci até mais ou menos quinze anos, quando rebelei-me, escrevi uma carta ao João XXIII, pedi demissão e abandonei a santa madre.  Mas esta é uma outra história.

Epifanias

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Outro dia, eu estava vendo TV, assistindo o canal francês, como sempre faço à noite. Ao mesmo tempo, a Edna estava preparando uns sanduíches e eu estava ajudando e de ouvido atento à TV.

E eu ouvia uma mulher dizendo “evacuar isso”, “evacuar aquilo”. Daí fui ver o que tanto se evacuava e o noticiário era sobre um desastre de trem e a mulher, uma psicóloga dizia que é preciso falar sobre os traumas para “evacuar”.  Era no sentido de colocar para fora os traumas e os problemas.

Gostei.  Agora vou evacuar muito.

Para começar, fui ver um analista. O Alberto.  Recomendado por minha acupunturista Helena. Muito competente e simpático, ele deixou-me à vontade para decidir se queria realmente fazer análise. Fizemos duas sessões apenas de conversa fiada, acho que para ele ver se o caso não era cabeludo demais, ou para ver se tinha interesse como pesquisa. Sei lá.

O que sei é que eu me senti ridículo falando sobre meus probleminhas triviais, quando há pessoas com problemas terríveis. Não escondi nada, pintei um quadro geral das minhas preocupações, sentimentos, lembranças marcantes e chocantes, enfim, pintei um retrato de Mr. Hyde.

Minha motivação, na realidade é preventiva. Todo mundo carrega traumas, complexos, frustrações ao longo da vida. Meu receio é que com a idade, essa carga oculta venha à superfície e comece a criar problemas.

Bem, conversamos sobre muitos assuntos, principalmente literatura, já que ele até cometeu um livro que será publicado ou foi publicado em Agosto.

No final, desisti.  Mandei a ele o Ulysses do James Joyce (Tradução da Bernardina) e o primeiro volume do Finnegans Wake do Donaldo Schuler, já que ele não cobrou pelas sessões.

Cheguei à conclusão que tenho “issues”, é verdade, mas me parecem ridículos quando colocados em palavras e que meus receios são infundados.

Assim, vou evacuar aqui no blog. É bem mais barato, apesar de oferecer algumas limitações, considerando que a possibilidade de ser lido por amigos envolvidos ou pela família certamente levará à inibição de certos aspectos.

Mas, isso também é fácil de resolver. Descobri o Duvamis.com, onde você pode escrever o que quiser anonimamente. Dessa forma, se for um problema bem cabeludo, eu escrevo sobre ele ali, sob pseudônimo e pronto. Resolvido.

Creepy…

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hazmat2

Pensamos sempre que certas coisas só acontecem com os outros, ou em outros países e outras circunstâncias. Mas isso não é verdade.

Outro dia, mencionei em postagem no Feicebuki que havia encontrado um livro da Editora Madras em minha estante e que não conseguia entender como isso ocorrera. O assunto rendeu alguns comentários no posting e também através do Skype onde eu mencionei, de passagem, que o livro já estava devidamente jogado no lixo seletivo.
Não sou paranoico e essa história de a NSA escutar e ler todo o tráfego de informações mundial é apenas uma notícia de jornal. Eu achava.
Na noite passada, por volta de 3:00hs, um leve toque de campainha acordou-me. Foi tão leve que nem a Edna, que tem sono leve, acordou.
Levantei-me, agasalhei-me, pois o frio era intenso e fui verificar a porta.
Tenho um portão intermediário entre o corredor da casa e o portão do jardim e dali eu olhei quem estava diante do portão. Um indivíduo de meia idade, loiro, um metro e noventa de altura, terno preto.

Daí ele perguntou: “Do you speak English?”
Bem, eu falo um pouco de inglês, então eu disse “Yes.”
(Vamos colocar a tradução do diálogo para facilitar.)
Aí o armário disse: “Senhor, esta é uma emergência. Posso falar com o senhor?”
Eu não costumo discutir com a palavra emergência, urgência, etc. Assim, abri o portão e fui até lá. Estranhei que meus cachorros, que normalmente fazem o maior carnaval nem sequer deram o ar da graça. Pensei, “muito frio… devem estar quentinhos na casinha…”
“Senhor, “ disse ele apresentando uma credencial, “meu nome é Bill. Sou do departamento HAZMAT, e esta é uma emergência. Precisamos ter acesso ao recinto de sua propriedade.”
Abri o portão e ele disse. “Por favor, senhor. Saia.”
Saí para a rua. Neste momento, a energia do bairro foi cortada.
Olhei para um lado e outro. Em cada ponta da rua, um cavalete, luzes e um indivíduo com uniforme da Eletropaulo, portando daquelas lanternas de controle de estacionamento de aviões se encarregava de desviar eventuais veículos; um furgão enorme, que estava estacionado um pouco acima, aproximou-se silenciosamente (provavelmente equipado com motores elétricos), estacionou diante de minha garagem e dele saltaram quatro pessoas, vestindo macacões herméticos, dois deles carregando uma caixa pesada.
Na penumbra, pois nunca fica totalmente escuro o bairro, mesmo faltando energia, percebi os movimentos precisos, ensaiados (provavelmente em um cenário que reconstituía o ambiente) com que eles saíram do furgão (certamente usavam equipamento de visão noturna) e se dirigiram à churrasqueira em meu quintal, onde armazeno o lixo seletivo da semana.

HAZMAT GEAR
De onde estava, pude ver que eles pegaram o lixo seletivo e colocaram na grande caixa, na qual existiam símbolos de perigo biológico e nuclear. Dois dos indivíduos saíram rapidamente trazendo consigo a caixa que colocaram no furgão. Os outros dois, portando o que parecia ser máquinas fotográficas, disparavam flash de luz ultravioleta na churrasqueira, ao redor dela, na lavanderia e no meu escritório. Em seguida saíram e também entraram no furgão.
Bill disse: “Senhor, obrigado por sua cooperação. Fotografamos suas estantes de livros e levaremos a Langley para análise. Caso exista mais contaminação, o senhor será informado e providenciaremos a remoção. Seus cachorros foram neutralizados com um pulso ultrasônico inócuo e devem acordar em seguida. Alguém entrará em contato para providenciar uma indenização.”

 

E entrou no carro preto estacionado atrás do furgão e os veículos arrancaram silenciosamente na noite. Olhei para a esquina e os cavaletes e os homens com as lanternas tinham desaparecido.
A energia foi restabelecida. Toda a ação levara menos de seis minutos. Voltei para dentro, para a cama, mas não consegui pegar no sono, pois a descarga de adrenalina foi forte.
Coisas estranhas acontecem…

Caconde no livro “Lo Stato di San Paolo” de Salvatore Pisani

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CACONDE

II Municipio di Caconde, creato con la Legge n. 6 del 5 aprile 1864 e situato a nord della Capitale, ad un’altitudine di 650 metri sul livello del mare.

Esso ha una superficie di 400 Km. e una popola- zione di 21 .721 abitanti.

II territorio si presenta molto montagnoso. II sistema orografico di questo Municipio e molto confuso, perche in esso esistono varie cordigliere, formanti una rete di giogaie che attraversano il territorio in differenti direzioni.

Tra le principali elevazioni, citiamo: l’altipiano di San Matteo, che segna in gran parte i confini con lo StatO’di Minas, l’altipiano del Rio Pardo, gli acrocori di San Domingos e del Barreiro, ai confini di Poqos de Caldas.

Numerosi corsi d’aqua bagnano il territorio. Oltre ai fiumi Bom Jesus, Guaxupe e Soledade che ricevono nel loro corso vari affluenti, il Municipio e solcato dal Rio Pardo, che scorre da nord-est ad ovest. Ostruito da molte cascate, questo fiume, che pur possiede un considerevole volume d’acqua, non si presta alia navigazione.

II clima e ameno e salubre. La temperatura oscilla da un minimo di 2 a un massimo di 35°.

Le ricchezze minerarie del sottosuolo di Caconde sono ben conosciute, ma cio malgrado, l’industria estratti-va che potrebbe avere in questo luogo un vasto campo d’azione, e quasi del tutto trascurata. Lungo i margini dei fiumi e dei torrenti Bom Jesus, S. Matteo, Conceiqao e Bom Successo, s’incontrano prove irrefutabili dell’esisten-za di minerali di oro. Le miniere di ferro di S. Matteo sono ugualmente di considerevole ricchezza, sia per la facilita dell’estrazione e per la ricchezza dei giacimenti, che per l’eccellente qualita del metallo. Abbondano altresi nel Municipio cristalli di rocca, pietra calcarea e argilla.

L’agricoltura si occupa principalmente della coltiva-zione del caffe, del quale esistono nel Municipio circa 7 milioni di piante, che danno una produzione media di 57,35 arrobas per mille piedi. Notevolmente sviluppate sono altresi le colture dei cereali, della canna da zucchero, del tabacco e della mandioca.

L’allevamento del bestiame e nel suo massimo sviluppa in tutti i rami e costituisce un’importante fonte di reddito per gli allevatori.

L’industria e anch’essa in notevole progresso. Conta varie fabbriche di bibite, di dolci, di saponi, di mobili, di carri e carrozze, di tabacchi manipolati, di stoviglie di argilla ecc., oltre a numerose macchine per il “beneficia- mento” del caffe e del riso e a vari stabilimenti per la produzione dello zucchero e dell’acquavite, fra i quali notevole quello di Itahyquara che da una produzione annua considerevole.

II commercio, parallelo nello sviluppo all’agricoltura e alle industrie, vanta numerose case che si occupano di negozi d’ogni genere.

II movimento bancario e svolto dalle locali Case Bancarie Fanuele e Cia., L. Pagano e Cia., e dal locale Banco Popular e Agricola.

L’istruzione primaria conta 1 scuola privata, 14 scuole rurali e un Gruppo Scolastico, con sede nel capoluogo, con un complesso di 4.216 alunni.

La stampa vanta due brillanti settimanali: “Caconde Jornal” e “Sentinella”.

Ecclesiasticamente, Caconde costituisce una Parrocchia, denominata N. S. da Conceiqao, dipendente dalla Diocesi di Ribeirao Preto.

Giudiziariamente, e sede di Comarca e di Distretto di Pace.

La collettivita italiana residente in Caconde si calcola composta di 600 persone; i figli d’italiani si fanno ascend ere a circa 1.300.

I nostri connazionali sono dediti principalmente al- l’agricoltura; ma notevole e anche il numero di coloro che si dedicano al commercio e ai mestieri.

Possiedono 92 proprieta agricole, con una estensione di 2.135 alqueires, per il valore complessivo di 2.481 contos di reis.

Fra i principali agricoltori italiani di nascita e di origine, citiamo: Antonio Mazzilli, Angelo Rovani, Domeni-co Mazzilli Nipote, Giovanni Della Colletta, Giuseppe Nascimbene, Luigi Antonini, Ernesto Tranquillini, Luigi Rimedi.

Fra gl’industriali:             Paolo Badolato, Giovanni Pellegrini e Giuseppe Cefalini con stabilimenti per la produzione dell’acquavite; Michele Mauro e Giuseppe Maringoli con macchine per il “beneficiamento” del riso e del caffe; Severo Tortorelli, Francesco Volpi e Silvio Tardelli con fabbriche di calzature; Clemente Maringoli e Alfonso Celeste con fabbriche di stoviglie di argilla; G. Manzo e Fratelli con segheria.

Fra i commercianti: Giuseppe Mazzilli, Mazzilli e Cia., Primo Barboni, Leoluca Panacci. Nicola Cosentini, Antonio Maringoli, Attilio Guidi, Germano Biondi, Giuseppe Badolato, Annibale Poli, Giovanni Mongelli, Giuseppe Conti, Severo Badolato.

Fra i professionisti: l’avvocato Mariano Borelli; il dentista Domenico Marino; i ragionieri Antonio Maringoli e Antonio Antonini; i medici Domenico Placco e Carmo Mazzilli; i farmacisti Raffaele e Dante Ielo.

E parroco di Caconde il connazionale Padre Giovan-ni Michele De Angelis.

Fra gli artigiani, citiamo: Giuseppe Cosentini, Alvaro Gaietti, Vincenzo Bruni, Angelo Garutti, Ettore e Giovanni Tardelli.

Sede da Societá Italiana de Mutuo Socorso (1935)

Sede da Societá Italiana de Mutuo Socorso (1935)

Gl’italiani di Caconde hanno fondato una Societa di Mutuo Soccorso, la quale, oltre a svolgere fedelmente il programma statutario, contribuisce con la disciplina, con l’esempio, con la fervida operosita e con la costante propaganda patriottica, a mantenere sempre viva la fiaccola dell’italianita fra i connazionali cola residenti.

II R. Consolato Generale di San Paolo ha in Caconde un Corrispondente nella persona del sig. Raffaele Telo.

Caconde, capoluogo del Municipio, conta attual- mente 2.614 abitanti.

La citta e provvista dei servizi di luce elettrica, di acqua potabile e di telefono, ma manca tuttora della rete di fognatura.

Situata a 3 Km. dal Rio Pardo, sopra un altipiano, ha buone piazze e buoni edifici pubblici. Tra questi, notevoli, la Matrice, il Gruppo Scolastico e la Casa Parrocchiale.

Dista dalla Capitale, colla quale e in comunicazione per mezzo della ferrovia Mogyana, fino alia stazione di Itahyquara, 348 Km.

Romance barato…

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Desde sábado, estou péssimo. Não sei se a física explica, mas se eu entrar em uma sala onde o clima está pesado, eu saio de quatro e fico pelo menos um dia fora de combate até me recuperar. Em suma, sou uma vitima constante de olho gordo. Acho até que em 2007 a carga negativa foi tão grande que provocou o meu problema de estômago.

Lembro-me como se fosse hoje. Foi marcada uma conferência sobre um assunto desinteressante – 9 de julho. E foi solicitado ao grupo que trouxessem convidados. By the way, eu sou contra esse tipo de evento, pois os convidados são coagidos a comparecer, muitas vezes por pressão emocional ou, como era o caso, funcionários que não podiam dizer não ao patrão, familiares visivelmente contrariados e amigos enfadados.

Em suma, um desastre. E a sala se enchia de uma carga negativa palpável.

E para onde foi toda aquela energia negativa? Para o marmitão aqui.

Não deu outra. Em seguida, durante o jantar que se seguiu, meu estômago se contraiu pela primeira vez, quase me sufocando e desde então nunca mais foi o mesmo.  Atualmente, graças à acupuntura, a energia começa a ser reequilibrada e o problema parece diminuir.

Pois acho que foi isso que me aconteceu agora. Neste sábado participei de uma reunião onde havia um alto nível de TPE – Tensão Pré Eleitoral com suas consequências normais – olhares fulminantes, diálogos ferinos, já que as regras da reunião não permitem agressões verbais ou discussões exacerbadas.

O resultado foi que entrei em parafuso, com a cabeça arrebentando, o potenciômetro de energia no zero, enxaqueca e o pior: uma sensação de ter sido substituído por outra pessoa.

E essa nova pessoa sabe tudo sobre mim, foi brifada com detalhes, o que faz com que as lembranças sejam exatas, embora não provoquem a recriação da emoção envolvida no momento lembrado.  Como se fosse um filme ou uma descrição literária.

Às vezes eu acho que sou uma personagem de um romance ruim  – uma novela chata, longa e maçante. Uma espécie de Gregor Samsa dos trópicos em um romance escrito por um paulo coelho da vida…

E esse idiota que escreve o romance, incompetente, faz alterações na personagem para ver se ela se desenvolve. Sem muito sucesso, pois se trata de uma personagem plana, mal estruturada, vitima de síndrome de personalidade esquizoide e mal resolvida. A personagem foi colocada inúmeras vezes  pelo autor diante de oportunidades de fruição de emoções e desenvolvimento de “plots” alternativos, mas o autor não soube encaminhar os eventos de forma eficiente, já que sua personagem não fora corretamente estruturada.

Confesso que não entendo a sua motivação para escrever esse péssimo romance. Minha esperança, talvez, seja que se trate de um longo flashback da biografia de um grande homem, ou seja, algo de grandioso está reservado para a personagem e que justifica a perda de tempo.